Três senadores democratas dos Estados Unidos estão a pedir a Apple e a Google, da Alphabet, a removerem o X — antiga Twitter — e o seu chatbot de inteligência artificial integrado, Grok, das respectivas lojas de aplicações, alegando a disseminação de imagens sexuais não consensuais envolvendo mulheres e menores na plataforma. Numa carta tornada pública esta sexta-feira, os senadores Ron Wyden (Oregon), Ben Ray Luján (Novo México) e Edward Markey (Massachusetts) afirmam que a Apple e a Google “devem retirar estes aplicativos das lojas até que as violações às políticas da própria plataforma X sejam devidamente resolvidas”.

A X, empresa controlada pelo empresário Elon Musk, tem estado sob crescente escrutínio por parte de autoridades reguladoras em várias regiões do mundo desde a semana passada, após o Grok ter começado a gerar e difundir imagens criadas por inteligência artificial — sem consentimento — de mulheres e crianças, frequentemente em trajes reveladores, poses degradantes ou com conotação sexual e violenta.

Segundo a carta, inicialmente divulgada pela NBC News, os termos de serviço da Google proíbem explicitamente aplicações que “criem, carreguem ou distribuam conteúdos que facilitem a exploração ou o abuso infantil”. Já as políticas da Apple vedam a presença de “material sexual ou pornográfico” nas suas plataformas. Os senadores recordam ainda que, em situações anteriores, ambas as empresas actuaram de forma célere para remover aplicações consideradas problemáticas.

“Ignorar um comportamento tão flagrante por parte da X seria um desrespeito pelas próprias práticas de moderação da Apple e da Google”, sublinha o documento.

Até ao momento, Apple e Google não responderam aos pedidos de comentário. A X remeteu a Reuters para uma publicação datada de 2 de Janeiro, na qual afirma adoptar medidas contra conteúdos ilegais, incluindo material de abuso sexual infantil. A xAI, empresa detentora da X e responsável pelo Grok, não respondeu directamente às questões colocadas, limitando-se a emitir uma nota genérica em que acusa a comunicação social tradicional de divulgar “informações falsas”.

Regulação global e impacto nos mercados emergentes

A controvérsia assume particular relevância para executivos e empresas que operam em África, num contexto em que vários países do continente estão a reforçar os seus quadros legais sobre proteção de dados, uso de inteligência artificial e segurança digital. Decisões regulatórias nos Estados Unidos e na Europa tendem a influenciar directamente políticas públicas, investimentos tecnológicos e a actuação de plataformas digitais em mercados africanos.

Na sexta-feira, a ministra britânica da Tecnologia, Liz Kendall, declarou esperar que a Ofcom — o regulador britânico dos media — actue “em dias, e não em semanas”, lembrando que a entidade possui poderes para aplicar multas significativas ou até bloquear serviços no Reino Unido em caso de incumprimento das normas.

“É imperativo que a X assuma controlo da situação”, afirmou a ministra.

Perante a crescente pressão, a xAI aparentou introduzir algumas limitações na geração pública de imagens pelo Grok. Pedidos para despir digitalmente mulheres passaram a receber uma mensagem indicando que a funcionalidade de edição de imagens está “actualmente limitada a assinantes pagos”. Ainda assim, utilizadores continuam a conseguir criar e partilhar imagens sexualizadas através do separador Grok no X, bem como na aplicação autónoma do Grok, que permanece activa sem necessidade de subscrição.

O senador Ron Wyden afirmou que as medidas são insuficientes. “As alterações apenas fazem com que alguns utilizadores paguem pelo privilégio de produzir imagens repugnantes, enquanto Musk continua a lucrar com conteúdos que envolvem abuso infantil”, escreveu numa comunicação enviada por correio electrónico.

Por João Marcelo de Souza
Fonte: Agência Reuters de notícias.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui