Num pronunciamento realizado este sábado (3), o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que os EUA irão “administrar” a Venezuela de forma interina, anunciou o regresso de petrolíferas norte-americanas ao país e declarou a intenção de reforçar o “domínio dos Estados Unidos no Hemisfério Ocidental”. Trump indicou ainda que a líder da oposição venezuelana, María Corina Machado, não fará parte de um eventual governo de transição.

Segundo Trump, após meses de especulações e operações marítimas ao largo da costa venezuelana, forças norte-americanas lançaram neste sábado ataques contra vários pontos de Caracas, culminando na captura do Presidente venezuelano, Nicolás Maduro, e da sua esposa. Ambos foram posteriormente transportados para Nova Iorque a bordo de um navio de guerra dos Estados Unidos.

“Nós vamos administrar o país até que seja possível assegurar uma transição adequada, justa e legal. Queremos liberdade e justiça para o grande povo da Venezuela”, declarou Trump, num discurso proferido durante a tarde, na sua residência em Mar-a-Lago, na Florida, onde detalhou a operação que levou à detenção de Maduro.

O Presidente norte-americano afirmou que a administração interina será composta por membros de alto escalão do seu Governo e esclareceu que María Corina Machado não integrará esse grupo. Mais cedo, a dirigente da oposição havia apelado para que a oposição assumisse imediatamente o poder. Trump, contudo, afirmou que a oposicionista, vencedora do Prémio Nobel da Paz de 2025, “não tem apoio interno nem o respeito necessário” para governar o país.

“É uma mulher muito simpática, mas não tem o respeito que merece na Venezuela”, afirmou Trump, acrescentando que o secretário de Estado, Marco Rubio, tem mantido contactos com a vice-presidente do Governo de Maduro, Delcy Rodríguez, a qual, segundo disse, “está disposta a fazer o que for necessário”.

No seu discurso, Trump invocou ainda a Doutrina Monroe, política adoptada pelos Estados Unidos há cerca de 200 anos para reforçar a sua influência na América Latina, afirmando que “o domínio americano no Hemisfério Ocidental nunca mais será posto em causa”.

O Presidente anunciou também que empresas petrolíferas norte-americanas passarão a operar na indústria petrolífera venezuelana, sector que, segundo Trump, terá sido “roubado” aos Estados Unidos pelo Governo venezuelano.

O Presidente anunciou também que empresas petrolíferas norte-americanas passarão a operar na indústria petrolífera venezuelana, sector que, segundo Trump, terá sido “roubado” aos Estados Unidos pelo Governo venezuelano.

“Vamos fazer o petróleo fluir”, declarou.

Trump detalhou planos americanos para Venezuela em coletiva de imprensa. Foto: WABC – Reuters

“Nós construímos a indústria petrolífera da Venezuela com talento, empenho e capacidade americanos, e o regime socialista roubou-a de nós. Uma enorme infra-estrutura petrolífera foi tomada como se fôssemos crianças”, acrescentou.

Questionado sobre se o Congresso dos Estados Unidos tinha sido previamente informado sobre a operação, como determina a Constituição norte-americana, Trump afirmou que o secretário de Estado apenas comunicou com membros do Congresso após a acção, alegando que, caso contrário, “a informação teria sido divulgada”, acrescentando que “há sempre fugas de informação no Congresso”.

Relativamente ao destino de Nicolás Maduro, Trump afirmou que o Presidente venezuelano “será levado para Nova Iorque num futuro próximo”, sem avançar uma data concreta. Acrescentou ainda que caberá à Justiça norte-americana decidir onde Maduro ficará detido enquanto aguarda julgamento nos Estados Unidos.

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