A reunião do Conselho de Paz “é um passo importante” para lançar as bases de um futuro pacífico e duradouro em Gaza, considerou hoje a ONU, reforçando que o enclave continua sob ataque israelita.
Fonte: M. Mundo
Numa reunião de nível ministerial do Conselho de Segurança da ONU, em Nova Iorque, na véspera do encontro do Conselho de Paz, em Washington, a subsecretária-geral da ONU para Assuntos Políticos e de Consolidação da Paz apelou a esforços coletivos para consolidar o cessar-fogo em Gaza e aliviar o sofrimento da população palestiniana.

“Este é um momento crucial no Médio Oriente. Após anos de conflito devastador e de imenso sofrimento humano, existe uma abertura que poderá permitir à região seguir uma direção diferente. Mas esta abertura não é garantida nem indefinida”, afirmou Rosemary DiCarlo.
As decisões tomadas nas próximas semanas vão determinar se essa mesma abertura será sustentada, avisou DiCarlo.
“Precisamos de progressos concretos no sentido da estabilização e da recuperação, em consonância com o direito internacional, para lançar as bases de uma paz duradoura. A reunião do Conselho de Paz em Washington, amanhã [quinta-feira], é um passo importante”, sublinhou.
O Conselho de Paz, organismo composto por líderes mundiais e criado pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, arranca com a promessa de reconstruir a Faixa de Gaza.
A ONU não terá representação na primeira reunião do Conselho de Paz de Trump para Gaza, confirmou o porta-voz da organização, embora salientando que o coordenador de ajuda humanitária das Nações Unidas, Tom Fletcher, foi convidado.
Rosemary DiCarlo defendeu a necessidade da implementação da segunda fase do cessar-fogo em Gaza e de se avançar nos esforços para uma solução negociada de dois Estados.
A representante da ONU admitiu que foram alcançados “progressos encorajadores” desde a entrada em vigor do cessar-fogo, em outubro passado. No entanto, lamentou que a maioria da população de Gaza continue deslocada e a suportar condições de vida extremamente difíceis.
“Apesar do cessar-fogo, Gaza ainda não está em paz. Nas últimas semanas, os militares israelitas intensificaram os ataques em Gaza, atingindo zonas densamente povoadas e matando dezenas de palestinianos, incluindo muitas crianças e mulheres”, observou.
Também na Cisjordânia ocupada, a situação está a deteriorar-se rapidamente, disse, referindo o uso de força e incursões israelitas generalizadas.
“Neste momento frágil para a região, não nos podemos dar ao luxo de adotar medidas tímidas. O Plano Abrangente liderado pelos EUA deve ser implementado na íntegra, juntamente com ações urgentes para reduzir a escalada e inverter a perigosa trajetória na Cisjordânia ocupada”, insistiu a subsecretária-geral.
A reunião de quinta-feira contará com a participação de governantes de mais de 30 países, como Israel, Argentina, Arábia Saudita e Egito.

