Quinta-feira, Julho 23, 2026

FILDA: Câmara do Comércio de Gás, Petróleo e Minérios promove 1.ª Cimeira dedicada à indústria extractiva

Por Jorgina Manuela

A Câmara do Comércio e Indústria de Gás, Petróleo e Minérios de Angola promoveu a 1.ª Cimeira da Indústria Extractiva, integrada na programação da 41.ª edição da Feira Internacional de Angola (FILDA). A iniciativa teve como principal objectivo reforçar o diálogo entre os diferentes intervenientes do sector e contribuir para o fortalecimento da indústria extractiva nacional.

A presidente da Câmara do Comércio e Indústria de Gás, Petróleo e Minérios de Angola, Isabel Fonseca, considerou positiva a realização da cimeira, destacando a importância da FILDA enquanto espaço privilegiado para a discussão de matérias estratégicas e para a promoção de oportunidades de negócio no país.

Segundo a responsável, o Corredor do Lobito representa uma oportunidade relevante para Angola se afirmar como uma potência regional, ao facilitar o escoamento de mercadorias provenientes da Zâmbia e da República Democrática do Congo, sobretudo no âmbito da indústria extractiva.

Isabel Fonseca explicou que representantes da agência de facilitação do transporte terrestre dos três países apresentaram, durante a cimeira, as oportunidades associadas ao corredor, salientando que o seu impacto ultrapassa o sector mineiro.

“O Corredor do Lobito não beneficia apenas o sector extractivo. Estamos a falar de oportunidades nos domínios da logística, agricultura, turismo, formação e desenvolvimento económico integrado”, frisou.

A presidente da Câmara reiterou que a instituição se associou à FILDA por reconhecer a importância do maior certame económico do país como plataforma para promover debates estratégicos sobre os principais sectores da economia angolana.

“Trouxemos três painéis temáticos que abordaram questões fundamentais para o desenvolvimento do país: energia, com enfoque no petróleo, gás e energias renováveis; mineração; e um terceiro painel dedicado ao financiamento dos investimentos, reunindo representantes da banca, dos seguros, das tecnologias e da conectividade das operações”, explicou.

Na sua avaliação, a integração da cimeira na programação da FILDA permitiu criar uma plataforma de diálogo entre instituições públicas, operadores do sector privado e empresas de conteúdo local. O encontro serviu igualmente para aproximar investidores, prestadores de serviços e entidades responsáveis pela definição das políticas públicas para a indústria extractiva.

“Conseguimos reunir agências governamentais, operadores da indústria e empresas nacionais que prestam serviços de suporte às operações de petróleo, gás e mineração. Foi uma oportunidade para apresentar uma visão abrangente sobre o estado actual e as perspectivas do sector extractivo em Angola”, destacou Isabel Fonseca.

Investimento e diversificação económica

O Administrador Executivo da Agência de Investimento Privado e Promoção das Exportações (AIPEX), Jerónimo Pogonlolo, sublinhou que já existe uma manifestação de interesse por parte de operadores nacionais e estrangeiros em investir em Angola, particularmente nos sectores ligados à energia e aos recursos minerais.

Segundo o responsável, o petróleo continua a desempenhar um papel central na economia angolana, mas deve ser utilizado como instrumento para impulsionar a diversificação económica e promover o crescimento de outros sectores produtivos.

“O petróleo é e continua a ser uma das nossas maiores commodities. O que o Governo de Angola tem vindo a fazer é aproveitar este recurso para promover a diversificação da economia e elevar outros sectores a um nível de maior relevância”, afirmou.

Jerónimo Pogonlolo explicou ainda que as operações de exploração e produção nos sectores petrolífero e mineiro exigem investimentos elevados e envolvem, em muitos casos, empresas internacionais com elevada capacidade técnica e financeira.

“Estamos a falar de operadores de alto nível e de empresas internacionais. A presença de empresas angolanas na exploração ainda é relativamente limitada. No entanto, no sector da prestação de serviços, já contamos com várias empresas nacionais a apoiar as operações”, esclareceu.

O administrador executivo da AIPEX referiu que a Sonangol constitui uma das principais empresas angolanas com actividade directa no sector, embora tenha reconhecido que a entrada de mais operadores nacionais na exploração continua condicionada pelo elevado volume de capital exigido, pela complexidade tecnológica e pelos riscos associados aos projectos.

FILDA como plataforma de negócios

Em relação à participação na FILDA, Jerónimo Pogonlolo salientou que a expectativa da AIPEX é que o encontro contribua para a concretização de negócios entre investidores e operadores nacionais e estrangeiros.

O responsável defendeu que a feira deve continuar a afirmar-se como uma plataforma de ligação entre empresas, instituições públicas e investidores, permitindo a criação de parcerias sustentáveis e o desenvolvimento de projectos com impacto na economia nacional.

“Esperamos que os investidores e operadores nacionais e estrangeiros realizem negócios e encontrem uma plataforma que possam utilizar para dar continuidade às suas actividades, tanto no mercado nacional como no exterior”, afirmou.

A realização da 1.ª Cimeira da Indústria Extractiva reforça, assim, a necessidade de uma maior articulação entre o Estado, o sector privado, a banca, as seguradoras, as empresas tecnológicas e os operadores de petróleo, gás e mineração. Para os participantes, esta cooperação é essencial para aumentar a participação do empresariado angolano, estimular o conteúdo local e transformar os recursos naturais em oportunidades concretas de emprego, investimento e crescimento económico.

Integrada na 41.ª edição da FILDA, a iniciativa evidenciou o papel estratégico da indústria extractiva no processo de diversificação da economia angolana e na afirmação do país como um importante eixo regional de produção, transporte e prestação de serviços.

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