O balanço dos sismos gémeos que devastaram a Venezuela ultrapassou as 1.400 vítimas mortais, com as actualizações mais recentes a apontarem para 1.430 mortos
Sobe para 1.430 o número de mortos após terremotos na Venezuela. Entre La Guaira e vários bairros de Caracas, o país enfrenta uma operação de resgate de enorme complexidade, marcada por centenas de réplicas, edifícios colapsados e uma procura incessante por sobreviventes.

Em Caraballeda, uma das zonas mais atingidas de La Guaira, helicópteros norte-americanos transportaram equipas de resgate para uma zona de aterragem improvisada, num sinal da resposta internacional que entretanto se consolidou. Segundo as autoridades, mais de 1.600 socorristas estrangeiros já chegaram ao país, enquanto outros reforços continuam a ser mobilizados para apoiar o trabalho no terreno.
A dimensão humana da tragédia mede-se também nas histórias de quem não desiste de procurar. Alejandro Serrano, engenheiro industrial de 33 anos, percorreu o país em busca da irmã, Ana Serrano, de 24 anos, que vivia no edifício Bahía Mar, em Caraballeda, entretanto destruído. Depois de a procurar num hospital em Caracas e de entregar os seus dados a equipas de resgate da Argentina e de El Salvador, resumiu o desespero de milhares de famílias: “Espero que não a encontrem” nos escombros — porque isso significaria que ainda está viva. “Mas preciso de a encontrar.”

No terreno, moradores relatam uma resposta desigual. Em alguns pontos, máquinas pesadas já operam; noutros, a escassez de meios continua a atrasar o avanço das equipas. Em Los Corales, na pequena área de Valle del Pino, Beisy Rivas, de 60 anos, descreveu um cenário de exaustão e medo: quase todos os vizinhos têm dormido na rua desde a noite dos sismos, com receio dos tremores secundários.

A tragédia venezuelana tornou-se, assim, um teste à capacidade de coordenação entre autoridades, protecção civil e ajuda externa. Entre escombros, voluntários e famílias divididas entre a esperança e o luto, o país vive uma corrida contra o tempo em que cada hora conta — para salvar vidas, para recuperar desaparecidos e para começar a reconstruir o que os sismos destruíram.
Por João Marcelo de Souza
Fonte: Agência Reuters


