Domingo, Junho 28, 2026

Venezuela: o resgate corre contra o tempo após os sismos que deixaram o país em ruínas

O balanço dos sismos gémeos que devastaram a Venezuela ultrapassou as 1.400 vítimas mortais, com as actualizações mais recentes a apontarem para 1.430 mortos  

Sobe para 1.430 o número de mortos após terremotos na Venezuela. Entre La Guaira e vários bairros de Caracas, o país enfrenta uma operação de resgate de enorme complexidade, marcada por centenas de réplicas, edifícios colapsados e uma procura incessante por sobreviventes.

Membros do Regimento Francês de Treinamento e Intervenção em Segurança Civil (UIISC 7) analisam um prédio danificado em seu acampamento base no complexo Karting La Guaira em Caraballeda, estado de La Guaira, Venezuela, em 27 de junho de 2026, enquanto auxiliam em operações de resgate após terremotos. MIGUEL MEDINA/Pool via REUTERS

Em Caraballeda, uma das zonas mais atingidas de La Guaira, helicópteros norte-americanos transportaram equipas de resgate para uma zona de aterragem improvisada, num sinal da resposta internacional que entretanto se consolidou. Segundo as autoridades, mais de 1.600 socorristas estrangeiros já chegaram ao país, enquanto outros reforços continuam a ser mobilizados para apoiar o trabalho no terreno.

A dimensão humana da tragédia mede-se também nas histórias de quem não desiste de procurar. Alejandro Serrano, engenheiro industrial de 33 anos, percorreu o país em busca da irmã, Ana Serrano, de 24 anos, que vivia no edifício Bahía Mar, em Caraballeda, entretanto destruído. Depois de a procurar num hospital em Caracas e de entregar os seus dados a equipas de resgate da Argentina e de El Salvador, resumiu o desespero de milhares de famílias: “Espero que não a encontrem” nos escombros — porque isso significaria que ainda está viva. “Mas preciso de a encontrar.”

Um membro da equipe de resgate de El Salvador segura um cachorro enquanto a busca por sobreviventes continua após um terremoto, em La Guaira, Venezuela, 26 de junho de 2026. REUTERS/Leonardo Fernandez Viloria 

No terreno, moradores relatam uma resposta desigual. Em alguns pontos, máquinas pesadas já operam; noutros, a escassez de meios continua a atrasar o avanço das equipas. Em Los Corales, na pequena área de Valle del Pino, Beisy Rivas, de 60 anos, descreveu um cenário de exaustão e medo: quase todos os vizinhos têm dormido na rua desde a noite dos sismos, com receio dos tremores secundários.

Voluntários organizam bens doados em um centro de coleta para pessoas afetadas pelos terremotos que atingiram o país, em Caracas, Venezuela, em 26 de junho de 2026. REUTERS/Fausto Torrealba

A tragédia venezuelana tornou-se, assim, um teste à capacidade de coordenação entre autoridades, protecção civil e ajuda externa. Entre escombros, voluntários e famílias divididas entre a esperança e o luto, o país vive uma corrida contra o tempo em que cada hora conta — para salvar vidas, para recuperar desaparecidos e para começar a reconstruir o que os sismos destruíram.

Por João Marcelo de Souza
Fonte: Agência Reuters

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