O reforço do financiamento à biodiversidade, o maior envolvimento do sector privado e o aumento da capacidade técnica do país foram apontados como prioridades para que Angola cumpra as metas nacionais e os compromissos internacionais na área ambiental.
Por Jorgina Manuela
As declarações foram feitas por Aristófanes Pontes, analista de finanças de biodiversidade, está quarta-feira, 01, durante IV conferência sobre Sustentabilidade na Banca, subordinado ao tema ” Financiamento Sustentável em Angola: Da Estratégia à Implementação com Impacto Inclusivo”.
Segundo o especialista, o país deverá alinhar os seus planos e objetivos de conservação com as prioridades nacionais e internacionais para facilitar o acesso aos mecanismos de financiamento disponíveis. Defendeu ainda que o Estado, sozinho, não conseguirá atingir as metas estabelecidas, sendo essencial mobilizar o sector privado e os fundos existentes no mercado nacional.
Pontes revelou que uma avaliação realizada aos últimos dez anos demonstra que os investimentos em biodiversidade e conservação foram reduzidos e dependem, maioritariamente, do Orçamento Geral do Estado (OGE). Acrescentou que os projetos executados no sector são financiados, sobretudo, por recursos internacionais, enquanto a contribuição do sector privado continua limitada.
Embora admita que as necessidades possam variar entre 200 milhões, 500 milhões de dólares, Pontes avançou que, numa estimativa mais ampla para o período 2027-2030, o país poderá necessitar de pelo menos 200 mil milhões de dólares para assegurar uma biodiversidade saudável.
No plano internacional, lembrou que são necessários 700 mil milhões de dólares por ano até 2030 para financiar ações de proteção da biodiversidade em todo o mundo, sublinhando que este valor contempla apenas este segmento da sustentabilidade ambiental.
O representante do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) defendeu ainda a criação de rubricas específicas para a biodiversidade no OGE, o que permitirá identificar com maior rigor quanto o país investe no sector e acompanhar também os gastos provenientes do sector privado e de outras fontes de financiamento.
Para o Presidente da Associação Angolana de Bancos (ABANC), Mário Nascimento, defendeu a criação de um enquadramento regulatório e fiscal capaz de impulsionar o financiamento sustentável em Angola, considerando que a mobilização de capital para projetos verdes e azuis depende da actuação coordenada entre o sector financeiro, o Banco Nacional de Angola (BNA) e o Executivo.
Avançando que embora os bancos já financiem projetos com impacto ambiental e social positivo, a expansão deste mercado exige um ambiente regulatório mais robusto e incentivos que tornem estes investimentos mais atrativos.
“O sector financeiro tem desenvolvido iniciativas nesta matéria, mas é fundamental que exista um enquadramento por parte do Banco Nacional de Angola e um quadro fiscal que estabeleça incentivos e benefícios para este tipo de financiamento”, frisou.
Mário Nascimento reconheceu que a crescente digitalização dos serviços financeiros aumenta naturalmente a exposição a ataques informáticos, mas garantiu que os bancos têm reforçado os investimentos em cibersegurança.
“O aumento dos canais digitais faz com que as tentativas de ataques sejam permanentes. O importante é que as instituições têm investido fortemente na proteção das suas infraestruturas tecnológicas”, afirmou.
Apesar da frequência das tentativas de intrusão, o sector bancário nacional não registou, nos últimos meses, incidentes relevantes com impacto nas operações ou nos dados dos clientes.
“Os ataques são tentados diariamente. A questão não é a sua existência, mas sim o seu sucesso. Não temos conhecimento de ataques bem-sucedidos com impacto significativo no sistema bancário nos últimos meses”, concluiu.


