Terça-feira, Julho 7, 2026

Polémica em torno de Balogun agita o Mundial após intervenção de Trump junto da FIFA

A campanha dos Estados Unidos no Mundial ganhou, no domingo, uma dimensão inesperada, depois de a FIFA ter suspendido a aplicação da sanção ao avançado Folarin Balogun, permitindo-lhe alinhar frente à Bélgica, na sequência de um pedido pessoal do presidente norte-americano, Donald Trump, ao líder do organismo, Gianni Infantino.

Copa do Mundo FIFA 2026 – Oitavas de final – Estados Unidos x Bósnia e Herzegovina – Estádio da Baía de São Francisco, Santa Clara, Califórnia, EUA – 1º de julho de 2026 Folarin Balogun, dos EUA, reage após receber cartão vermelho REUTERS/Carlos Barria.

A decisão, descrita como inédita, colocou sob fortes holofotes o sistema disciplinar da FIFA e provocou reacções de surpresa e contestação, sobretudo na Bélgica, adversária dos norte-americanos nos oitavos de final. Mais do que um tema desportivo, o episódio rapidamente se transformou numa discussão sobre a relação entre o futebol e o poder político.

Balogun tinha sido expulso após a vitória dos Estados Unidos por 2-0 sobre a Bósnia e Herzegovina, depois de uma intervenção do VAR ter considerado falta a acção do avançado sobre o defesa Tarik Muharemovic. O jogador, de 25 anos, havia ainda sido decisivo no encontro, ao assinar o seu terceiro golo da competição.

Copa do Mundo FIFA 2026 – Oitavas de final – Estados Unidos x Bósnia e Herzegovina – Estádio da Baía de São Francisco, Santa Clara, Califórnia, EUA – 1º de julho de 2026 Folarin Balogun, dos EUA, recebe cartão vermelho do árbitro Raphael Claus REUTERS/Phil Noble.

Segundo a FIFA, a suspensão foi suspensa ao abrigo do artigo 27 do Código Disciplinar, ficando o jogador sob um período probatório de um ano. Isto significa que Balogun poderá participar no jogo seguinte, sem que o cartão vermelho seja formalmente revogado. Contudo, caso volte a cometer uma infração semelhante durante esse período, a sanção poderá ser reactivada.

A decisão gerou várias reacções. Donald Trump celebrou publicamente a medida e afirmou, nas redes sociais, que a FIFA tinha corrigido “uma grande injustiça”. Já a Associação Real Belga de Futebol manifestou-se “surpreendida” com o desfecho e questionou a conformidade da decisão com os regulamentos da competição.

Também em outros quadrantes do futebol surgiram vozes críticas. O presidente da Federação Alemã de Futebol defendeu que a FIFA deve explicar publicamente os contornos do caso, sublinhando que a credibilidade da competição está em causa. O seleccionador dos Estados Unidos, Mauricio Pochettino, considerou, por sua vez, que a sanção aplicada ao jogador era desproporcionada.

A polémica ultrapassou, assim, o plano estritamente desportivo e passou a dominar a discussão em torno do torneio, deixando em aberto dúvidas sobre a consistência das decisões disciplinares da FIFA e sobre o impacto da pressão política em competições de alto nível.

Por João Marcelo de Souza.

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