Num encontro frenético, marcado por 18 minutos de compensação e quatro golos anulados, a selecção portuguesa venceu por 2-1, com Cristiano Ronaldo e Gonçalo Ramos a assinarem a reviravolta já na recta final.
Portugal garantiu, esta noite, a passagem aos oitavos-de-final do Mundial, ao derrotar a Croácia por 2-1 num jogo de contornos dramáticos, intenso do primeiro ao último minuto e decidido apenas já em período de compensação.
A formação croata adiantou-se no marcador por intermédio de Ivan Perisic, numa fase em que a equipa portuguesa parecia ainda à procura de ritmo e clarividência ofensiva. No entanto, a resposta lusa não tardou: Cristiano Ronaldo, chamado a assumir a responsabilidade, restabeleceu a igualdade na marca de grande penalidade, reacendendo a esperança portuguesa e empurrando a equipa para uma segunda parte de enorme turbulência.
O encontro ganhou contornos quase surrealistas com um festival de golos anulados. Antes mesmo do desfecho final, três golos tinham já sido invalidados por fora de jogo — dois da Croácia e um de Portugal, apontado por Cristiano Ronaldo num remate de belo efeito. Mais tarde, já nos instantes decisivos, a Croácia chegou a festejar o que seria o empate, mas o lance acabou também por ser anulado após longas intervenções do vídeo-árbitro.

A arbitragem, que inicialmente tinha concedido dez minutos de tempo adicional, acabou por prolongar o jogo até aos 63 minutos da segunda parte, na sequência das sucessivas revisões e interrupções. Foi nesse contexto de tensão máxima que surgiu o golo da vitória portuguesa: Gonçalo Ramos apareceu no momento certo para consumar a reviravolta e selar o triunfo por 2-1.
Martínez mexeu forte, Ronaldo saiu, Ramos decidiu

Perante a desvantagem no marcador, o seleccionador Roberto Martínez reagiu com uma aposta arrojada, promovendo quatro substituições em simultâneo. A equipa ganhou agressividade, passou a atacar com maior insistência e o jogo tornou-se mais aberto, com oportunidades para ambos os lados.
Ainda assim, a grande decisão do treinador surgiu mais tarde, quando optou por retirar Cristiano Ronaldo para reforçar o meio-campo com Rúben Neves. A escolha, naturalmente, não passou despercebida: o capitão deixou o relvado visivelmente surpreendido, mas acabou por acompanhar do banco a jogada que confirmou a vitória portuguesa, protagonizada por Gonçalo Ramos.
Uma segunda parte electrizante
Se a primeira parte tinha sido de controlo e posse para Portugal, mas com pouca eficácia na finalização, o segundo tempo transformou-se numa autêntica montanha-russa emocional. A Croácia entrou mais forte, beneficiou da entrada de Matanovic e conseguiu explorar melhor os espaços, criando vários lances de perigo.
Portugal, por seu lado, foi obrigado a correr atrás do resultado e a viver um jogo em permanente instabilidade defensiva. O empate de Ronaldo, num momento de enorme importância, devolveu equilíbrio à equipa, mas não travou a insistência croata, que continuou a procurar o golo decisivo até ao apito final.
Espanha a seguir
Com esta vitória, Portugal marca encontro com a Espanha, num duelo de grande expectativa que reedita a final da Liga das Nações. Nessa ocasião, as duas selecções tinham empatado 2-2 no tempo regulamentar, com os portugueses a levar a melhor nas grandes penalidades.
O jogo dos oitavos-de-final está agendado para segunda-feira, às 16h, em Dallas. Quem seguir em frente enfrentará o vencedor do confronto entre Estados Unidos e Bélgica.
Um triunfo com assinatura de carácter
Mais do que uma simples vitória, o resultado frente à Croácia deixou uma mensagem clara: Portugal tem capacidade para sofrer, resistir e decidir nos momentos de maior pressão. Num jogo caótico, de emoção permanente e com forte carga psicológica, a selecção portuguesa encontrou em Cristiano Ronaldo e Gonçalo Ramos as figuras que desbloquearam uma noite inesquecível e colocaram a equipa entre as melhores do torneio.
Por João Marcelo de Souza


