Terça-feira, Julho 28, 2026

Expositores apostam no “Feito em Angola” na 41.ª edição da FILDA

Maior valorização da produção nacional e reforço da indústria transformadora marcam presença das empresas na Feira Internacional de Luanda

Por Jorgina Manuela

A valorização da produção nacional, o incentivo ao consumo de produtos fabricados em Angola e o reforço da indústria transformadora estiveram entre os principais destaques da 41.ª edição da Feira Internacional de Luanda (FILDA). Ao longo do certame, diversos expositores apresentaram soluções e produtos nacionais, demonstrando o potencial do país para reduzir a dependência das importações e fortalecer a economia interna.

Entre as empresas presentes esteve a Fozkudia, que aposta na transformação do tomate produzido localmente. Segundo Maria Mendes, gerente da empresa, Angola dispõe já de capacidade para produzir massa de tomate e tomate pelado, criando novas oportunidades para a indústria nacional e para os produtores agrícolas.

“Queremos dar a conhecer ao público a importância de não desperdiçar o tomate. Actualmente, já é possível transformá-lo em massa de tomate, sem necessidade de recorrer à importação. Desta forma, contribuímos para reduzir a entrada de produtos estrangeiros e valorizamos a produção nacional”, afirmou.

A responsável sublinhou ainda que a Fozkudia produz massas de tomate no mercado angolano há três anos, evidenciando o potencial do país para desenvolver uma cadeia de valor ligada à agricultura e à indústria alimentar.

Para Maria André, a aposta no consumo nacional é essencial para consolidar o crescimento das empresas angolanas. A responsável defendeu igualmente a necessidade de os consumidores valorizarem os produtos com o selo “Feito em Angola”, considerando que a preferência por bens produzidos localmente contribui para a criação de emprego, o aumento da produção e a diversificação da economia.

RIA Investment Angola apresenta novos produtos

Mariquinha Júlio, Asistente de Marketing da RIA Investment Angola em entrevista para a Revista Executivo.

A RIA Investment Angola participou pela segunda vez na FILDA, com o objectivo de reforçar a proximidade com os consumidores, apresentar as suas marcas e divulgar novos produtos fabricados no país.

“Estamos aqui com um objectivo muito importante: dar a conhecer a nossa empresa e não apenas as nossas marcas”, explicou Mariquinhas Júlio, assistente de marketing da RIA Investment Angola.

Com mais de 100 anos de presença no mercado africano, a empresa apresentou, nesta edição da FILDA, uma variedade de produtos, entre os quais maionese, ketchup, fermento e massas de tomate. A RIA destacou igualmente os projectos relacionados com a produção de amido de milho e bicarbonato de sódio, bem como outros derivados do tomate e produtos de fabrico nacional.

A empresa dispõe de um centro de distribuição e de uma unidade de produção localizada no Pólo Industrial. Com mais de 500 trabalhadores, mais de 100 produtos e 17 marcas, a RIA Investment Angola considera a sua participação na FILDA uma oportunidade estratégica para recolher opiniões dos consumidores, estabelecer contactos empresariais e identificar novas oportunidades de expansão.

“Estamos a realizar degustações de atum e do nosso café Goldentoro. Temos também um projecto para lançar o café noutros formatos, incluindo o 3 em 1, o formato clássico e o descafeinado. Dispomos de produtos nacionais e importados, mas o sal, a maionese, o fermento e o ketchup apresentados nesta feira são produzidos em Angola”, adiantou Mariquinhas Júlio.

A presença da empresa reflecte a evolução do sector alimentar nacional e a crescente aposta na produção local, com investimentos orientados para a substituição de importações e para a criação de uma oferta mais diversificada no mercado angolano.

ST.George aposta na indústria alimentar

Nelsa André, gestora de marketing da ST.George em entrevista para a Revista Executivo

Por sua vez, Nelsa André, gestora de marketing da ST.George, considera que a produção nacional constitui um dos principais factores de desenvolvimento económico e social de Angola.

A empresa, que actua no segmento da produção de esparguete, farinha de trigo e bolachas, está presente no mercado nacional desde 2018. Com uma estrutura produtiva já consolidada, a ST.George pretende continuar a ampliar a sua capacidade e a responder às necessidades das famílias angolanas.

“A nossa expectativa é grande, porque os nossos produtos são muito consumidos. Queremos continuar a produzir e a entregar os nossos produtos às famílias angolanas”, referiu.

A responsável acrescentou que a aposta na indústria transformadora permite criar valor dentro do país, estimular o emprego e garantir maior estabilidade no abastecimento do mercado. Para os expositores, iniciativas como a FILDA são fundamentais para aproximar produtores, distribuidores, investidores e consumidores.

Produção nacional como prioridade estratégica

As declarações dos expositores confirmam uma tendência cada vez mais evidente no sector empresarial angolano: a necessidade de transformar a produção nacional numa prioridade estratégica. A aposta em unidades industriais, no aproveitamento das matérias-primas locais e na criação de cadeias de valor integradas é vista como um caminho para diversificar a economia e reduzir a dependência das importações.

A 41.ª edição da FILDA serviu, assim, não apenas como espaço de exposição comercial, mas também como plataforma de negócios, inovação e promoção do investimento. Para as empresas participantes, o evento permitiu apresentar produtos, testar a aceitação do mercado e reforçar a confiança dos consumidores na capacidade produtiva de Angola.

Num contexto em que o país procura fortalecer o sector privado e estimular a industrialização, o movimento “Feito em Angola” assume uma importância crescente. A sua consolidação dependerá, contudo, da qualidade dos produtos, da competitividade dos preços, da capacidade de distribuição e do compromisso contínuo das empresas com a inovação.

Os expositores defendem que o desenvolvimento da indústria transformadora deve ser acompanhado por políticas de incentivo, formação profissional e maior ligação entre o sector agrícola e o industrial. Só assim, dizem, será possível garantir uma produção nacional sustentável, competitiva e capaz de responder às exigências do mercado angolano e, no futuro, dos mercados regionais.

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