A indústria têxtil de Benguela apresenta na FIB 2026 uma cadeia produtiva que abrange todo o processo, do algodão ao produto final. Vidal Bazanini anuncia um futuro showroom em Luanda e manifesta abertura para desenvolver tecidos em colaboração com estilistas nacionais.
A TEXTAF participa pelo terceiro ano consecutivo na Feira Internacional de Benguela (FIB), afirmando-se como uma indústria nacional vocacionada para a produção de artigos de cama, mesa e banho, tecidos para confeções e, mais recentemente, materiais destinados ao fabrico de uniformes.
Em entrevista à Revista Executivo, Vidal Bazanini, diretor-geral da TEXTAF, explicou que a presença na FIB 2026 combina objetivos comerciais e institucionais.
“A empresa foi reativada recentemente. A nossa participação permite mostrar ao público e aos potenciais clientes os produtos que fabricamos, a capacidade da empresa e a força da nossa marca”, afirmou.
Do algodão ao produto final
Uma das principais vantagens competitivas da TEXTAF é a sua estrutura industrial verticalizada, que permite acompanhar todas as fases da produção têxtil, desde o processamento do algodão até à confeção do produto acabado.
A empresa comercializa fios destinados a malharias e tecelagens, tecidos tingidos em rolos de 100 metros para confeções e diversos produtos finais, incluindo roupa de cama, toalhas com diferentes gramagens, cobertores e almofadas em vários tamanhos.
“Somos uma indústria totalmente verticalizada. Trabalhamos desde o algodão até ao produto final”, salientou Vidal Bazanini.
Entre os produtos com maior procura encontra-se o tecido Ombaka, um percal penteado, produzido em algodão, com mais de 200 fios. Segundo o diretor-geral, esta base é particularmente procurada pelo setor hoteleiro para a produção de roupa de cama.
Na linha de banho, destaca-se a Toalha Clássica, com uma gramagem de 500 gramas, caracterizada pelo toque agradável, capacidade de absorção e durabilidade.
Para uniformes, a empresa disponibiliza sarja de 200 gramas, valorizada pela resistência às lavagens e estabilidade. A TEXTAF produz igualmente tecido Ripstop, com gramagens entre 220 e 240 gramas, utilizado sobretudo em fardas e uniformes que exigem maior resistência.
Produto nacional competitivo face às importações
Vidal Bazanini considera que a produção local já consegue competir diretamente com os tecidos importados, tanto na qualidade como no preço.
“Hoje, o metro quadrado do nosso tecido de algodão é mais barato do que determinados tecidos mistos com poliéster comercializados no mercado. Oferecemos maior qualidade, uma gramagem superior e um produto mais pesado por um custo competitivo”, declarou.
Para o responsável, comprar produtos fabricados em Angola permite completar o ciclo da economia nacional, reduzir a saída de divisas, gerar empregos e valorizar a produção interna.
“Quando conseguimos produzir e vender localmente, fechamos o círculo da economia. Isso é positivo para todos”, sublinhou.
Treze bases para responder ao mercado da moda
A TEXTAF começou por trabalhar com três bases de tecidos, mas ampliou progressivamente a sua oferta. Atualmente, possui 13 bases diferentes, todas produzidas em algodão.
O portefólio inclui tecidos que reproduzem um toque semelhante ao da seda, bases para uniformes e materiais destinados à confeção de artigos de cama, mesa e banho. Estes tecidos podem também ser utilizados no vestuário e noutras criações que valorizem o algodão.
Esta diversificação abre oportunidades de colaboração com estilistas, designers, alfaiates e marcas de moda angolanas que pretendam desenvolver produtos nacionais com potencial para alcançar mercados internacionais.
Contudo, Vidal Bazanini recorda que a produção industrial exige uma escala mínima. A empresa está disponível para analisar novas bases, cores e desenhos, desde que os projetos apresentem procura suficiente para justificar a produção.
“Podemos desenvolver qualquer base de tecido em algodão, com diferentes gramagens. Temos flexibilidade, desde que exista um consumo mínimo que permita produzir à escala industrial”, explicou.
Showroom e depósito previstos para Luanda
Para facilitar o acesso dos pequenos criadores, alfaiates e empresas de confeção aos tecidos da TEXTAF, a indústria está a preparar a instalação de um showroom e depósito em Luanda, considerado o maior centro de consumo do país.
A iniciativa deverá permitir a disponibilização de quantidades menores, respondendo a uma das principais limitações sentidas por clientes que não necessitam de adquirir grandes volumes diretamente à fábrica.
A TEXTAF pretende também estabelecer acordos com grandes distribuidores que operam no comércio a retalho.
“Como fábrica, produzimos em grande quantidade e comercializamos rolos. O depósito em Luanda e a colaboração com distribuidores deverão melhorar a acessibilidade aos nossos tecidos”, explicou o diretor-geral.
A estratégia apresentada na FIB 2026 posiciona a TEXTAF como uma potencial parceira da hotelaria, das confeções, das instituições que utilizam uniformes e da crescente indústria criativa angolana, contribuindo para transformar o algodão em emprego, valor acrescentado e marcas nacionais capazes de competir dentro e fora do país.
Revista Executivo — FIB 2026
Entrevistado: Vidal Bazanini
Cargo: Diretor-Geral
Empresa: TEXTAF
Edição: João Marcelo de Souza
Versão em Inglês
TEXTAF Boosts Domestic Production and Prepares to Strengthen Ties with Angolan Designers
At FIB 2026, Benguela’s textile industry is showcasing a production chain that covers the entire process, from cotton to the final product. Vidal Bazanini announces plans for a future showroom in Luanda and expresses openness to developing fabrics in collaboration with national fashion designers.
TEXTAF is participating for the third consecutive year in the Benguela International Fair (FIB), establishing itself as a domestic industry focused on the production of bed, table, and bath linens, fabrics for apparel, and, more recently, materials for the manufacture of uniforms.
In an interview with Executivo Magazine, Vidal Bazanini, TEXTAF’s general manager, explained that the company’s presence at FIB 2026 combines commercial and institutional objectives.
“The company was recently reactivated. Our participation allows us to showcase to the public and potential customers the products we manufacture, the company’s capabilities, and the strength of our brand,” he stated.
From Cotton to the Final Product
One of TEXTAF’s main competitive advantages is its vertically integrated industrial structure, which allows the company to oversee all stages of textile production, from cotton processing to the manufacture of the finished product.
The company sells yarns for knitting and weaving mills, dyed fabrics in 100-meter rolls for apparel, and various finished products, including bedding, towels of different weights, blankets, and pillows in various sizes.
“We are a fully vertically integrated manufacturer. We handle everything from cotton to the finished product,” emphasized Vidal Bazanini.
Among the products in highest demand is the Ombaka fabric, a combed percale made of cotton with a thread count of over 200. According to the general manager, this fabric is particularly sought after by the hospitality industry for the production of bedding.
In the bath line, the Classic Towel stands out, with a weight of 500 grams, characterized by its soft feel, absorbency, and durability.
For uniforms, the company offers 200-gram twill, valued for its resistance to washing and stability. TEXTAF also produces ripstop fabric, with weights ranging from 220 to 240 grams, used primarily in uniforms that require greater durability.
Domestic Product Competitive with Imports
Vidal Bazanini believes that local production can already compete directly with imported fabrics, both in terms of quality and price.
“Today, a square meter of our cotton fabric is cheaper than certain polyester-blend fabrics available on the market. We offer higher quality, a higher weight, and a heavier product at a competitive cost,” he stated.
According to him, purchasing products manufactured in Angola helps complete the national economic cycle, reduce foreign exchange outflows, create jobs, and boost domestic production.
“When we are able to produce and sell locally, we close the economic cycle. This is positive for everyone,” he emphasized.
Thirteen fabric bases to meet the fashion market’s needs
TEXTAF began by working with three fabric bases but has gradually expanded its offerings. Currently, it has 13 different bases, all made of cotton.
The portfolio includes fabrics with a silk-like feel, base fabrics for uniforms, and materials for bedding, table linens, and bath textiles. These fabrics can also be used in apparel and other creations that highlight the qualities of cotton.
This diversification opens up opportunities for collaboration with Angolan fashion designers, tailors, and fashion brands seeking to develop domestic products with the potential to reach international markets.
However, Vidal Bazanini notes that industrial production requires a minimum scale. The company is open to evaluating new fabric bases, colors, and designs, provided that the projects demonstrate sufficient demand to justify production.
“We can develop any cotton fabric base, in different weights. We have the flexibility, as long as there is a minimum volume of demand that allows for industrial-scale production,” he explained.
Showroom and Warehouse Planned for Luanda
To make TEXTAF’s fabrics more accessible to small designers, tailors, and garment manufacturers, the company is preparing to open a showroom and warehouse in Luanda, considered the country’s largest consumer hub.
This initiative should make smaller quantities available, addressing one of the main limitations faced by customers who do not need to purchase large volumes directly from the factory.
TEXTAF also intends to establish agreements with major distributors operating in the retail sector.
“As a factory, we produce in large quantities and sell by the roll. The warehouse in Luanda and our collaboration with distributors should improve access to our fabrics,” explained the general manager.


