Sábado, Julho 11, 2026

PCA da Global Services Corporation defende maior aposta no conteúdo local

Edson Cachivela sublinha que a aprendizagem contínua, a capacitação técnica e o reforço da confiança nas empresas angolanas são determinantes para o crescimento da produção nacional e do conteúdo local.

Por Manuela Maneza

Edson Cachivela, presidente do conselho de administração da Global Services Corporation, defendeu esta quarta-feira, dia 8, em Luanda, uma maior valorização e um investimento mais consistente no conteúdo local, durante o acto de abertura da 5.ª edição da Mesa Redonda com CEO, que decorreu entre os dias 7 e 8, sob o lema: “O papel da banca e outros agentes do sistema financeiro na mobilização de financiamento para a indústria e para o conteúdo local em Angola”.

O evento reuniu importantes intervenientes dos vários sectores, com especial destaque para o sector financeiro, a indústria e o conteúdo local, proporcionando um espaço qualificado para a troca de ideias, análise de desafios e reflexão sobre soluções concretas que contribuam para o fortalecimento da economia angolana.

“Defendemos a aprendizagem contínua, porque, através dos especialistas envolvidos, é possível ter organizações em Angola capazes de melhorar e engrandecer a produção local e o conteúdo local”, afirmou Edson Cachivela.

O responsável sublinhou ainda que o encontro teve como objectivo criar um ambiente qualificado para que os intervenientes pudessem levantar questões, partilhar contributos e identificar caminhos que resultem em acções concretas nas empresas, tanto do sector do petróleo como da indústria e da própria banca. Para o PCA da Global Services Corporation, a articulação entre estes sectores é essencial para dinamizar o financiamento, acelerar o desenvolvimento produtivo e dar maior robustez ao tecido empresarial nacional.

Edson Cachivela destacou igualmente que Angola continua a ser um país repleto de oportunidades para quem já está implantado, para quem pretende investir e para aqueles que ainda ponderam fazê-lo. Salientou também que a população angolana é maioritariamente jovem — cerca de 80% —, o que, na sua visão, reforça o potencial do país e de África como espaços estratégicos para o investimento, a inovação e a criação de valor.

“Onde estamos, em Angola, as organizações encontram-se ainda em fases iniciais de consolidação. Não têm problemas; têm, isso sim, desafios muito próprios, como acontece em qualquer outra economia e em qualquer outro processo de desenvolvimento. É por isso que continuamos a incentivar o investimento em Angola”, referiu.

O dirigente reconheceu ainda a capacidade da juventude angolana e destacou o facto de liderar uma organização 100% angolana, sem recurso a mão-de-obra estrangeira dentro da estrutura da empresa. Na sua perspectiva, este é um sinal claro de confiança nas competências nacionais e na capacidade que os angolanos têm para construir soluções sustentáveis, competitivas e alinhadas com as exigências do mercado.

“Com todos os desafios necessários, temos capacidade e nós, os angolanos, continuaremos a apostar no nosso país para que a vida de todos seja melhor, para nós e para aqueles que amam a pátria”, referiu.

Por sua vez, o antigo primeiro-ministro de Portugal, Pedro Passos Coelho, garantiu que não há financiamento sem boas políticas e que, no caso de Angola, o caminho deve passar, acima de tudo, pela continuidade das políticas acertadas que têm vindo a ser implementadas.

“A economia angolana está hoje bastante mais diversificada, e isso tem resultado de uma confiança crescente que é depositada no sector petrolífero angolano”, adiantou.

Passos Coelho sublinhou ainda que o grande desafio está em conseguir acrescentar valor e aumentar a produtividade neste sector, de forma a que continue a dar um contributo mais significativo para o Produto Interno Bruto, para o emprego, para salários mais competitivos e para melhores receitas fiscais do Estado. Na sua leitura, essas receitas devem depois ser canalizadas para áreas estruturantes como a educação, a saúde e as infra-estruturas básicas de desenvolvimento, sem as quais o conteúdo local não poderá evoluir de forma sustentável.

“Se queremos que, em Angola, as receitas fiscais não dependam tanto da exportação do petróleo e possam estar mais associadas a outros sectores diversificados da economia e ao conteúdo local, então é preciso libertar os meios necessários para o financiamento da economia, para que esse desenvolvimento possa ocorrer. E isso só acontecerá se existir confiança, se as políticas mantiverem a sua credibilidade e se as instituições internacionais continuarem a fazer uma leitura positiva do caminho que tem vindo a ser realizado”, afirmou.

A Global Services Corporation reafirma, assim, o seu compromisso com o desenvolvimento de Angola, apostando no fortalecimento do ecossistema empresarial angolano, com especial enfoque nos sectores do petróleo e da indústria, bem como na valorização do capital humano e na promoção efectiva do conteúdo local.

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