O Governo angolano está a reforçar as medidas de combate às alterações climáticas, com destaque para a redução das emissões de metano, um dos gases com maior impacto no aquecimento global.
Por Manuela Maneza
A garantia foi dada pela ministra do Ambiente, Ana Paula de Carvalho dos Santos, durante o Workshop Regional sobre Mitigação das Emissões de Metano no Setor do Petróleo e Gás, esta segunda-feira, 8, no qual destacou os avanços do país na implementação da Estratégia Nacional para as Alterações Climáticas 2022–2035.
Segundo a governante, Angola ratificou a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas e definiu uma estratégia que contempla ações de mitigação e adaptação. As medidas de mitigação visam prevenir ou reduzir os impactos das alterações climáticas, enquanto as ações de adaptação procuram responder aos efeitos que já se fazem sentir.

A redução das emissões de metano envolve vários setores governamentais, incluindo Ambiente, Agricultura, Energia e Recursos Minerais, Petróleo e Gás. No setor dos resíduos, considerado uma das principais fontes de emissão deste gás, o Executivo tem apostado na construção de aterros sanitários e na melhoria da gestão dos resíduos sólidos e líquidos.
A titular da pasta reconheceu, contudo, que os avanços ainda são insuficientes face às necessidades do país. “Temos alguns aterros sanitários em execução, mas ainda de forma tímida para o número de províncias existentes”, afirmou.
Entre os projetos em curso, destacou a conclusão do aterro sanitário do Huambo, cujas obras deverão ser retomadas brevemente, bem como iniciativas no Namibe e um novo projeto destinado a servir as províncias de Luanda, Icolo e Bengo e Bengo.
A governante sublinhou que Luanda continua a ser a província com maior produção de resíduos, devido à elevada densidade populacional e à intensa atividade económica.
De acordo com a responsável, a produção de resíduos na capital ultrapassa meio quilograma por pessoa por dia, o que aumenta a preocupação com as emissões de metano geradas tanto pelos resíduos sólidos como pelas águas residuais.
Sobre o aterro dos Mulenvos, em Luanda, a ministra esclareceu que a infraestrutura não será encerrada de imediato. Apesar de a sua vida útil estar próxima do limite, a sua descontinuação dependerá da entrada em funcionamento de novas unidades de tratamento e deposição de resíduos.
“Não podemos encerrar o aterro sem que existam alternativas operacionais, sob pena de assistirmos ao surgimento de novas lixeiras descontroladas”, alertou.
Nesse sentido, defendeu uma ação coordenada entre o Governo Provincial de Luanda e as autoridades centrais para melhorar as condições da área, criar novas células de deposição de resíduos e implementar zonas de triagem, permitindo que apenas os resíduos sem possibilidade de reaproveitamento sejam encaminhados para o aterro.
A dirigente enfatizou que os aterros sanitários devem receber apenas os resíduos que já não podem ser reutilizados, reciclados ou reaproveitados.
“O aterro deve funcionar como um último destino, uma espécie de cemitério dos resíduos, para aquilo que já não tem qualquer possibilidade de valorização”, explicou.
Durante o workshop dedicado ao tema, a ministra alertou para os riscos associados ao metano, que, embora permaneça menos tempo na atmosfera do que o dióxido de carbono, possui um potencial de aquecimento global significativamente mais elevado.
“Falamos muito do dióxido de carbono, mas o metano também contribui fortemente para o efeito de estufa e os seus impactos podem ser ainda mais severos”, afirmou.
A governante defendeu igualmente a necessidade de mobilizar financiamento internacional para apoiar os projetos ambientais do país, sublinhando que muitas soluções técnicas já estão identificadas, mas continuam dependentes de recursos financeiros para a sua implementação.
Com a definição de metas nacionais para a redução do metano, Angola pretende alinhar-se com as melhores práticas internacionais e acelerar a transição para uma economia mais sustentável e resiliente às alterações climáticas.


