Angoalissar prevê alcançar 100% de produção nacional até 2037
Por Jorgina Manuela
Fotografia: Afonso Francisco
A indústria transformadora nacional assume um papel cada vez mais relevante no processo de diversificação da economia angolana, na promoção da produção interna e na criação de cadeias de valor mais sustentáveis. Esta realidade esteve em evidência durante a 41.ª edição da Feira Internacional de Luanda (FILDA), onde empresas do sector apresentaram soluções e produtos resultantes do aproveitamento de matérias-primas e recursos produzidos no país.
A Angoalissar, uma das empresas presentes no certame, prevê alcançar, até 2037, uma quota de 100% de produção nacional nos produtos que comercializa. Actualmente, cerca de 80% da sua oferta já é produzida em Angola, um indicador que, segundo a empresa, reflecte o compromisso com o crescimento da indústria nacional e com o fortalecimento das relações entre produtores, transformadores e distribuidores.

Alexandra Maciel, líder criativa do Departamento de Marketing da Angoalissar, destacou o papel estratégico das indústrias na transformação de excedentes e subprodutos em novas soluções comerciais, contribuindo para o desenvolvimento de uma economia circular.
“Viemos à FILDA com a nossa produção nacional e estamos orgulhosos porque 80% dos produtos que estamos a comercializar são de produção nacional”, afirmou.
De acordo com a responsável, determinados excedentes resultantes do processo industrial podem ser reaproveitados na produção de outros bens. O óleo, por exemplo, pode ser utilizado na transformação de sabão, enquanto alguns subprodutos da indústria podem ser encaminhados para a produção de artigos de pastelaria e doçaria, como bolachas.
Para Alexandra Maciel, este modelo permite reduzir desperdícios, optimizar recursos e criar novas oportunidades de negócio dentro do próprio mercado nacional. “As nossas indústrias funcionam como uma economia circular”, sublinhou.
Durante a exposição na FILDA, a Angoalissar apresentou quatro das suas unidades industriais, entre as quais a Lactiangol, a Rafinole, recentemente inaugurada, em Fevereiro, dedicada à produção de óleos e margarinas, a Grandes Moagens de Angola, vocacionada para a produção de farinhas e farelo, e a Granofino, fábrica especializada na produção de massas alimentícias.
A responsável explicou que o grupo dispõe ainda de outras unidades, nomeadamente a Dulceria e a Saboria, bem como a Fábrica Patriota, dedicada à produção de arroz e feijão. Estas empresas integram uma cadeia de produção que procura assegurar maior participação da indústria nacional no abastecimento do mercado e diminuir a dependência das importações.
“Temos mais indústrias, como a Dulceria e a Saboria, e ainda a Fábrica Patriota, de arroz e feijão. As nossas indústrias funcionam como uma economia circular”, afirmou.
Aposta nas matérias-primas nacionais

Por sua vez, o Director Comercial da Nutriavele, Geremias de Freitas, salientou que uma parte significativa da matéria-prima utilizada na produção de bens fabricados em Angola é adquirida localmente.
“Os nossos produtos, como a fuba de milho, o feijão pinto, o arroz e o açúcar, nesta primeira tiragem, foram todos adquiridos localmente. Daí o nosso interesse, enquanto empresa, em estabelecer boas parcerias com os produtores nacionais”, frisou.
O responsável considerou que a consolidação destas parcerias é fundamental para garantir maior previsibilidade no fornecimento de matérias-primas, melhorar a capacidade produtiva das empresas e assegurar mercados para os agricultores e produtores locais.
No entanto, apontou alguns dos principais desafios que ainda condicionam o desenvolvimento do empresariado nacional, com destaque para o escoamento dos produtos do campo para os centros urbanos. As dificuldades relacionadas com as vias de acesso, os custos logísticos e a regularidade do abastecimento continuam a representar obstáculos para a integração efectiva entre o sector agrícola e a indústria transformadora.
“Nós somos mais um player no mercado e temos todo o interesse em estabelecer boas parcerias com o ramo agropecuário”, referiu.
Para Geremias de Freitas, a criação de uma ligação mais eficiente entre os produtores rurais, as unidades industriais e os canais de distribuição poderá contribuir para o aumento da produção nacional, a redução dos custos e a melhoria da competitividade dos produtos fabricados em Angola.
Capacidade produtiva e competitividade
O director comercial avançou ainda que a indústria possui uma capacidade de produção superior a seis mil toneladas de massas por hora, enquanto os restantes produtos apresentam uma capacidade aproximada de três mil toneladas por hora.
Estes níveis de produção demonstram o potencial da indústria nacional para responder à procura do mercado interno e, a médio e longo prazo, criar condições para a entrada dos produtos angolanos em mercados regionais. Para os responsáveis, o aumento da capacidade instalada deve ser acompanhado por investimentos contínuos em tecnologia, qualificação profissional, logística e desenvolvimento de fornecedores locais.

A participação na 41.ª edição da FILDA permitiu às empresas não apenas apresentar os seus produtos e dar a conhecer novas marcas ao público, mas também estabelecer contactos estratégicos, identificar oportunidades de negócio e reforçar parcerias com produtores e outros agentes da cadeia de valor.
Para os expositores, a feira representou igualmente uma plataforma para demonstrar o crescimento da produção nacional e reafirmar o compromisso de assegurar que os produtos apresentados e comercializados sejam, progressivamente, fabricados em Angola.
Num contexto em que o país procura acelerar a diversificação económica, a indústria transformadora surge como um dos pilares para a criação de emprego, o fortalecimento do empresariado nacional e a redução da dependência externa. A aposta numa economia circular, assente no aproveitamento dos recursos locais e na cooperação entre os diferentes sectores, poderá contribuir para tornar a produção angolana mais competitiva, sustentável e capaz de responder às exigências do mercado.


