Província apresenta o seu potencial agrícola, mineiro e turístico e reforça aposta na atracção de investimento
Por Jorgina Manuela
A província da Huíla participa como mascote na 41.ª edição da Feira Internacional de Angola (FILDA), apresentando uma mostra abrangente da sua diversidade económica e das oportunidades de negócio existentes no território. Agricultura, pecuária, mineração, turismo, cultura e gastronomia constituem os principais sectores destacados pela delegação huilana, que pretende atrair investimento, estabelecer parcerias estratégicas e reforçar a presença da província no mercado nacional e internacional.
A participação da Huíla na maior bolsa de negócios do país enquadra-se numa estratégia de promoção das potencialidades económicas da província e de criação de novas oportunidades para os empresários locais. O objectivo é dar maior visibilidade à produção huilana, aproximar empresas de potenciais investidores e estimular a criação de projectos capazes de gerar emprego, aumentar a produção e contribuir para a diversificação da economia nacional.

Em declarações à margem do certame, o Director do Gabinete Provincial da Agricultura, Pecuária e Pescas da Huíla, Pedro Muanda, afirmou que a província levou à FILDA “o que de melhor possui”, evidenciando o seu potencial produtivo, a riqueza dos seus recursos naturais e a capacidade dos operadores económicos locais.
“Trouxemos à FILDA o que de melhor a Huíla tem para oferecer. Queremos mostrar a nossa capacidade produtiva, os recursos disponíveis e as oportunidades que existem para os investidores interessados em trabalhar connosco”, afirmou o responsável.
Riqueza mineira e oportunidades de investimento
Segundo Pedro Muanda, o espaço expositivo da Huíla apresenta cerca de 23 tipos de minérios existentes na província, entre os quais o ferro, o cobre, o cobalto, o nióbio e o ouro. A exposição pretende demonstrar a riqueza do subsolo huilano e chamar a atenção para as oportunidades de investimento no sector mineiro.
A presença destes recursos naturais abre perspectivas para o desenvolvimento de projectos de prospecção, exploração e transformação local, contribuindo para a criação de cadeias de valor e para o aumento da participação da província na economia nacional. Para os responsáveis da delegação, a aposta deve passar não apenas pela extracção de matérias-primas, mas também pela instalação de unidades de processamento e pela capacitação da mão de obra local.
A Huíla procura, assim, posicionar-se como um destino atractivo para investimentos estruturantes, capazes de dinamizar o sector mineiro, promover a industrialização e criar novas oportunidades para as empresas nacionais.
Turismo, cultura e gastronomia em destaque
Além dos recursos minerais, a delegação huilana promove os principais atractivos turísticos da província, entre os quais a Serra da Leba, a Tundavala, a Cascata da Huíla e o Cristo Rei. Estes locais constituem alguns dos mais importantes cartões-postais de Angola e representam um activo estratégico para o desenvolvimento do turismo interno e internacional.
A província apresenta igualmente as suas manifestações culturais e a gastronomia local, procurando valorizar a identidade huilana e demonstrar o potencial da economia criativa. A combinação entre paisagens naturais, património cultural e produção agro-alimentar oferece condições para o desenvolvimento de roteiros turísticos integrados e de novas oportunidades para os operadores do sector.
A participação na FILDA permite também aproximar produtores, empresários e potenciais parceiros interessados em investir na hotelaria, restauração, turismo de natureza, transporte e promoção cultural.
Agricultura como principal motor da economia provincial
Pedro Muanda destacou igualmente a agricultura como o principal motor da economia da Huíla. A província produz uma vasta gama de bens agrícolas consumidos em diferentes regiões de Angola, beneficiando dos seus solos férteis, da disponibilidade de recursos hídricos e de condições climáticas favoráveis.
“No nosso espaço está representado praticamente tudo o que a província produz, desde cereais, tubérculos, leguminosas e frutas. O morango, por exemplo, continua a ser um dos cartões-postais da produção agrícola da Huíla”, salientou.
A diversidade da produção agrícola constitui uma das principais vantagens competitivas da província. Para além do abastecimento do mercado nacional, existe potencial para o desenvolvimento da agro-indústria, da transformação de produtos, da conservação e da distribuição, sectores considerados fundamentais para reduzir perdas pós-colheita e aumentar o rendimento dos produtores.
A delegação defende que a atracção de investimento para a agricultura deve estar associada à modernização das técnicas de produção, à melhoria das infra-estruturas de apoio e ao acesso a mercados. Neste domínio, a FILDA representa uma oportunidade para apresentar projectos e estabelecer contactos com empresas interessadas em participar no crescimento da cadeia agro-alimentar.
Interesse empresarial reforça perspectivas de negócio
Durante a FILDA, a província tem registado uma forte procura por parte de empresários nacionais e estrangeiros interessados em estabelecer parcerias com empresas locais. A movimentação no espaço da Huíla demonstra o interesse crescente pelos produtos, recursos e oportunidades de investimento existentes na província.
“Estamos a ter uma adesão muito positiva. Há várias empresas interessadas em investir na Huíla e em desenvolver negócios com operadores económicos da província. Estamos abertos ao investimento e acreditamos que a Huíla sairá fortalecida desta participação”, afirmou Pedro Muanda.
A expectativa é que os contactos realizados durante o certame resultem em acordos comerciais, projectos de investimento e novas parcerias institucionais. Para os empresários huilanos, a presença na FILDA constitui uma plataforma privilegiada para apresentar produtos, conquistar clientes e ampliar a rede de negócios.
Compotas valorizam a produção nacional
Entre as empresas presentes no espaço da Huíla está a unidade liderada por Margarida Figueiredo, considerada uma das maiores produtoras de compotas do país. A empresária destacou a importância da participação na FILDA para a divulgação do seu trabalho e para o reconhecimento da produção nacional.

“Esta participação na FILDA tem sido muito importante. É uma mais-valia ver o nosso trabalho reconhecido na produção de compotas a nível nacional. Também permite mostrar os desafios que estão por detrás de cada produto e de cada etapa do processo de produção”, afirmou.
Margarida Figueiredo explicou que a empresa trabalha exclusivamente com matéria-prima nacional, com excepção das embalagens. Segundo a empresária, esta opção representa um desafio, mas também constitui uma forma de valorizar os produtores locais e contribuir para o desenvolvimento da economia nacional.
“Trabalhamos apenas com matéria-prima nacional, com excepção das embalagens. É um desafio, mas estou satisfeita porque o nosso trabalho está finalmente a ganhar visibilidade e a ser reconhecido”, disse.
Durante o ano de 2025, a empresa produziu cerca de 133 mil unidades de compotas, um volume que, de acordo com a responsável, demonstra a dimensão e a capacidade produtiva da unidade.
Emprego e valorização da mão de obra local
A empresa também se dedica ao processamento de mel proveniente do Moxico e levou à FILDA diversos produtos, entre os quais mel, compotas produzidas a partir de frutas nacionais e favos de mel. A exposição procura mostrar aos visitantes a origem dos produtos e explicar o processo de produção.

“Processamos também mel proveniente do Moxico e estamos a expor vários produtos, como o mel, compotas de diferentes frutas nacionais e o favo de mel. Queremos mostrar aos visitantes de onde vem o mel e como é produzido. São produtos nacionais, feitos com mão de obra local, sendo que 90% dos nossos trabalhadores são mulheres”, afirmou Margarida Figueiredo.
A aposta na mão de obra nacional e na participação feminina constitui um dos elementos de maior relevância do projecto. Para além de promover o empreendedorismo, a empresa contribui para a criação de emprego e para o reforço da participação das mulheres na actividade produtiva.
A experiência da produtora demonstra igualmente o potencial existente na transformação de frutas, no processamento de produtos agro-pecuários e na criação de marcas nacionais com capacidade para conquistar espaço nas prateleiras do mercado angolano.
Estratégia de captação de investimento
A participação das empresas da Huíla na FILDA integra-se numa estratégia mais ampla de promoção das potencialidades económicas da província e de atracção e captação de investimentos capazes de dinamizar a produção, criar empregos e contribuir para o crescimento sustentável da economia nacional.
Ao assumir o estatuto de mascote da 41.ª edição da FILDA, a Huíla ganha uma oportunidade de reforçar a sua imagem como província produtora, empreendedora e aberta ao investimento. A presença no certame permite divulgar os seus activos, apresentar projectos concretos e aproximar os agentes económicos das oportunidades existentes nos sectores agrícola, mineiro, turístico e agro-industrial.
Com uma economia diversificada, recursos naturais relevantes e um crescente número de empresas interessadas em expandir a produção, a Huíla procura transformar a visibilidade alcançada na FILDA em resultados concretos. A província pretende sair do certame com mais parcerias, novos investimentos e uma posição reforçada no processo de diversificação económica de Angola.


