Quinta-feira, Julho 23, 2026

41.ª edição da FILDA destaca produção nacional e aposta na inovação para conquistar mercados globais

Sob o lema “Produzir e Inovar Localmente, Vencer Globalmente”, a maior feira de negócios de Angola reforça o compromisso com a diversificação económica, a competitividade empresarial e a integração do país nas cadeias africanas e internacionais de valor.

Por Jorgina Manuela

O ministro do Comércio e Indústria, Rui Mingueis de Oliveira, reafirmou o compromisso do Governo angolano com a diversificação da economia e o fortalecimento da produção nacional, destacando que o crescimento do sector produtivo depende tanto do empenho dos empresários nacionais como da capacidade de atrair e potenciar o investimento estrangeiro no país.

A afirmação foi feita durante o acto de abertura da 41.ª edição da Feira Internacional de Angola (FILDA), realizada esta terça-feira, dia 21, num momento em que o Executivo pretende acelerar a transformação da economia e criar melhores condições para o desenvolvimento do sector privado.

Na ocasião, o governante sublinhou que o desafio de Angola vai além do aumento da produção. Segundo Rui Mingueis de Oliveira, o país precisa igualmente de reforçar a inovação, melhorar a qualidade dos produtos e serviços nacionais e desenvolver uma maior capacidade de adaptação às profundas transformações da economia global.

“Precisamos de acompanhar o ritmo dos tempos e preparar-nos para vencer os desafios que se colocam ao país. Isso só será possível se formos capazes de inovar”, afirmou.

Para o ministro, a inovação deve estar no centro das estratégias das empresas angolanas, sobretudo num contexto marcado pelo aumento da concorrência, pela digitalização dos negócios e pela exigência crescente dos consumidores. A modernização dos processos produtivos, a aposta na qualificação dos quadros e o acesso a novas tecnologias foram apontados como factores determinantes para elevar a competitividade nacional.

Competitividade para além do mercado interno

O responsável destacou que a escolha do lema “Produzir e Inovar Localmente, Vencer Globalmente” traduz a ambição de Angola em tornar a sua classe empresarial mais forte, preparada e competitiva, tanto no mercado interno como nos mercados internacionais.

“O mundo está aberto, as economias competem entre si e os nossos empresários têm de vencer em Angola, mas também conquistar espaço nos mercados internacionais”, frisou.

A mensagem dirigida ao empresariado nacional assume particular relevância num período em que Angola procura reduzir a dependência das importações, estimular a produção interna e criar uma base industrial capaz de responder às necessidades do mercado nacional e, simultaneamente, gerar excedentes para exportação.

Neste sentido, a FILDA mantém-se como uma plataforma estratégica para a promoção de negócios, a apresentação de produtos e serviços e a aproximação entre empresas, investidores, instituições públicas e parceiros internacionais. O certame constitui também uma oportunidade para identificar novas soluções, estabelecer alianças comerciais e abrir portas a projectos de investimento em sectores considerados prioritários para o crescimento económico.

O titular da pasta do Comércio e Indústria salientou que a FILDA continua a ser um instrumento importante para promover um desenvolvimento económico inclusivo e equilibrado em todo o território nacional. A feira, acrescentou, deve reflectir a diversidade produtiva das províncias e contribuir para uma maior integração das economias locais nos circuitos nacionais de distribuição e comercialização.

Huíla apresenta potencial económico

Neste contexto, Rui Mingueis de Oliveira enalteceu a participação da província da Huíla como convidada da presente edição, agradecendo ao respectivo governador por aceitar o desafio de apresentar o potencial económico da região na maior bolsa de negócios do país.

A presença da Huíla permite dar maior visibilidade às oportunidades existentes na província, particularmente nos sectores da agricultura, agro-indústria, pecuária, mineração, comércio, turismo e prestação de serviços. Para os responsáveis do sector empresarial, a participação constitui uma ocasião para promover produtos locais, atrair investimentos e estabelecer novas parcerias com empresas nacionais e estrangeiras.

A valorização das potencialidades provinciais é considerada essencial para garantir um crescimento mais equilibrado e reduzir as assimetrias regionais. A aposta em cadeias de produção locais poderá contribuir para a criação de emprego, o aumento do rendimento das famílias e o fortalecimento das pequenas e médias empresas.

Angola pretende assumir papel de liderança em África

O governante considerou ainda que Angola reúne condições para assumir um papel de destaque no desenvolvimento económico do continente africano, graças ao potencial do sector empresarial nacional e à sua localização estratégica.

“Os nossos micro, pequenos, médios e grandes empresários têm vontade de transformar o país e contribuir para o desenvolvimento da região e do continente africano”, afirmou.

A ambição passa por transformar as empresas angolanas em agentes activos do crescimento económico, capazes de produzir com qualidade, cumprir padrões internacionais e participar em cadeias regionais de fornecimento. Para esse efeito, será fundamental melhorar o ambiente de negócios, facilitar o acesso ao financiamento e reforçar a articulação entre o Estado, o sector privado e as instituições de ensino e investigação.

O ministro reiterou igualmente que Angola está preparada para aproveitar as oportunidades criadas pela Zona de Comércio Livre Continental Africana (ZCLCA), defendendo que o país poderá desempenhar um papel relevante no processo de integração económica do continente.

“Angola está pronta para aceitar esse desafio e será um importante protagonista no desenvolvimento da Zona de Comércio Livre Continental Africana”, declarou.

A ZCLCA representa uma oportunidade para ampliar o mercado das empresas angolanas, diversificar as exportações e estimular a produção de bens com maior valor acrescentado. Contudo, o aproveitamento efectivo desse espaço dependerá da capacidade das empresas nacionais para responder aos requisitos de qualidade, competitividade, logística e regularidade no fornecimento.

Convex Mirabilis pretende reposicionar Angola no circuito das grandes exposições

Um dos momentos marcantes da cerimónia foi a apresentação do projecto Convex Mirabilis, um futuro Centro de Convenções e Exposições Permanentes que o Executivo pretende construir nos próximos anos.

De acordo com Rui Mingueis de Oliveira, o novo complexo terá como objectivo transformar Angola numa referência africana para a realização de feiras, exposições, congressos e grandes eventos de negócios. O projecto deverá disponibilizar uma infra-estrutura moderna e adequada à realização de iniciativas empresariais de dimensão nacional, continental e internacional.

O centro pretende oferecer um espaço onde empresas angolanas e de outros países africanos possam apresentar os seus produtos, estabelecer parcerias, promover investimentos e integrar cadeias globais de produção, transformação e comercialização.

A criação de uma infra-estrutura desta natureza poderá contribuir para dinamizar o turismo de negócios, fortalecer o sector dos serviços e aumentar a visibilidade de Angola como destino para eventos empresariais. Para o tecido empresarial, o Convex Mirabilis poderá representar uma nova porta de entrada para investidores e parceiros interessados nas oportunidades existentes no país e na região.

“A nossa ambição é fazer de Angola a casa das grandes exposições comerciais de África, um espaço onde os países do continente possam mostrar o seu potencial e onde os empresários angolanos possam apresentar ao mundo aquilo que são capazes de produzir”, concluiu.

Com a 41.ª edição da FILDA, Angola reafirma, assim, a intenção de consolidar um sector empresarial mais dinâmico, inovador e orientado para os mercados internacionais. Sob o lema “Produzir e Inovar Localmente, Vencer Globalmente”, o certame procura traduzir uma visão de futuro assente na produção nacional, na cooperação empresarial e na capacidade de transformar oportunidades em resultados concretos para a economia do país.

- Advertisement -spot_img
- Advertisement -Buitanda

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Leia mais

Recente