Domingo, Setembro 20, 2026

Bom Charme: “O turismo no Namibe é uma bênção”

Joaquim Santiago defende que o potencial natural da província deve ser acompanhado por serviços qualificados, apoio institucional e uma visão empresarial orientada para o retorno sustentável

O Namibe reúne alguns dos mais extraordinários recursos naturais de Angola. O deserto, as dunas, a costa atlântica, as praias, a fauna, a flora e uma identidade cultural profundamente marcada pela relação entre o homem e o território conferem à província uma posição privilegiada no mapa turístico nacional e internacional.

Para Joaquim Santiago, diretor do Bom Charme, essa riqueza representa uma oportunidade estratégica para a diversificação económica da província e para a criação de emprego, mas só poderá traduzir-se em desenvolvimento efetivo se for acompanhada por uma oferta turística organizada, profissional e capaz de responder às exigências de um mercado cada vez mais competitivo.

“O turismo no Namibe é uma bênção”, afirma o responsável. A expressão traduz não apenas o valor da paisagem, mas também a dimensão da responsabilidade que recai sobre empresários, instituições públicas e comunidades locais. Na sua perspetiva, a natureza criou as condições para atrair visitantes; cabe agora aos diferentes intervenientes transformar essa vantagem natural numa experiência completa, segura, confortável e memorável.

Da beleza natural à experiência turística

O Namibe possui atributos que dispensam apresentações. A singularidade do deserto junto ao mar, a imponência das dunas, a extensão da costa e a diversidade dos seus cenários naturais constituem uma base sólida para o desenvolvimento de produtos ligados ao turismo de natureza, aventura, lazer e cultura.

No entanto, Joaquim Santiago considera que o potencial turístico não deve ser analisado apenas pela existência de paisagens ou pela construção de unidades hoteleiras. Um destino turístico afirma-se quando consegue integrar vários serviços e proporcionar ao visitante uma experiência coerente desde a chegada até ao regresso.

“Não se faz turismo só construindo infraestruturas”, sublinha.

A afirmação coloca em evidência uma das principais questões do desenvolvimento turístico em Angola: a necessidade de ultrapassar uma visão limitada, centrada exclusivamente na construção de equipamentos. Para que um investimento produza valor, é necessário garantir acessos adequados, informação, atendimento profissional, restauração de qualidade, alojamento, segurança, limpeza, animação turística e capacidade de resposta às diferentes necessidades dos visitantes.

Mais do que atrair turistas, é fundamental criar condições para que permaneçam mais tempo na província, consumam produtos e serviços locais e regressem no futuro. O aumento da duração média da estadia e da taxa de retorno dos visitantes deve, por isso, constituir uma prioridade para os operadores e para as entidades responsáveis pela promoção do destino.

Uma cadeia de valor que precisa de maior articulação

Na visão do diretor do Bom Charme, o turismo deve ser encarado como uma cadeia de valor, na qual cada elemento influencia o desempenho dos restantes. Um hotel ou uma unidade de restauração pode prestar um serviço de qualidade, mas encontrará limitações se o visitante enfrentar dificuldades de acesso, falta de informação, insuficiência de transportes ou ausência de atividades complementares.

A consolidação do Namibe enquanto destino turístico exige, por isso, uma articulação mais efetiva entre o sector público, os investidores privados, os operadores turísticos, as empresas de transporte, os agentes culturais, as comunidades e os prestadores de serviços.

Esta articulação deverá refletir-se em áreas concretas, como:

  • melhoria das vias de acesso aos principais pontos turísticos;
  • promoção nacional e internacional do destino Namibe;
  • qualificação permanente das equipas;
  • reforço da oferta de alojamento e restauração;
  • criação de roteiros turísticos integrados;
  • valorização da cultura e dos produtos locais;
  • desenvolvimento de atividades de natureza, aventura e lazer;
  • melhoria da sinalização e da informação turística;
  • implementação de padrões consistentes de segurança e atendimento.

Para Joaquim Santiago, o visitante contemporâneo procura mais do que uma paisagem bonita. Procura confiança, organização, autenticidade e qualidade. A decisão de viajar é influenciada pela facilidade de acesso, pela reputação do destino, pela capacidade de encontrar informação e pela garantia de que os serviços correspondem às expectativas criadas.

É nesse ponto que a profissionalização do sector assume uma importância decisiva. A hospitalidade não deve depender apenas da boa vontade individual, mas de processos, formação, acompanhamento e padrões de serviço capazes de garantir consistência.

Investir com visão de médio e longo prazo

O responsável reconhece que o turismo continua a enfrentar desafios significativos. Entre eles estão a necessidade de maior qualificação profissional, a pressão sobre os custos operacionais, a melhoria das infraestruturas e a necessidade de criar condições mais favoráveis para os investimentos.

Ainda assim, considera que os operadores que mantêm o compromisso com a actividade e uma visão de futuro desempenham um papel essencial na consolidação do mercado. O turismo, explica, não é um negócio de resultados imediatos. Exige persistência, capacidade de adaptação e uma leitura estratégica do território.

Os investimentos realizados no sector podem produzir resultados mais expressivos no médio e longo prazo, sobretudo quando são acompanhados por políticas públicas coerentes e por uma promoção regular do destino. Para o empresário, o apoio das instituições ligadas ao turismo é, neste processo, determinante.

Esse apoio não deve limitar-se à divulgação. Deve incluir a criação de um ambiente de negócios mais previsível, o acompanhamento dos operadores, a simplificação de procedimentos, a melhoria das condições de acesso aos locais turísticos e a definição de estratégias comuns para o posicionamento da província.

A existência de um património natural extraordinário é uma vantagem competitiva, mas não é suficiente, por si só, para garantir o crescimento do sector. O verdadeiro valor económico surge quando essa vantagem é transformada em produtos, serviços, experiências e oportunidades de negócio.

O papel do Bom Charme

O Bom Charme integra esta dinâmica através de uma estrutura de serviços alargada e de uma operação que envolve cerca de 60 trabalhadores directos e 15 colaboradores. A empresa procura responder às necessidades dos seus clientes dentro dos procedimentos definidos pela legislação laboral, assumindo também uma responsabilidade relevante na criação e manutenção de postos de trabalho.

A dimensão da equipa demonstra que o turismo tem um impacto que vai muito além do atendimento ao visitante. Cada unidade turística movimenta uma rede de profissionais e fornecedores, desde trabalhadores da hotelaria e restauração a empresas de transporte, manutenção, fornecimento de bens e serviços, produção local e actividades de animação.

Este efeito multiplicador é particularmente importante numa província como o Namibe, onde o desenvolvimento de actividades económicas diversificadas pode contribuir para reduzir a dependência de sectores tradicionais e gerar novas oportunidades para os jovens e para as empresas locais.

Para os empresários, a aposta no turismo deve ser acompanhada por uma preocupação permanente com a qualidade. Isso implica investir nas pessoas, melhorar os processos internos, compreender as expectativas dos clientes e construir uma relação de confiança com o mercado.

Num ambiente em que a reputação de um destino é rapidamente influenciada pelas experiências partilhadas pelos visitantes, cada contacto com o cliente pode contribuir para fortalecer ou enfraquecer a imagem da província. A qualidade do serviço torna-se, assim, uma ferramenta de competitividade e de promoção territorial.

Um destino com capacidade para crescer

O Namibe está a reforçar a sua projeção como destino de natureza, aventura e cultura. A combinação entre deserto, mar, paisagens únicas e património cultural oferece condições para a criação de uma proposta turística diferenciada dentro de Angola.

Contudo, essa afirmação dependerá da capacidade de transformar os recursos existentes numa estratégia integrada. O desafio não consiste apenas em atrair visitantes, mas em construir um ecossistema turístico sustentável, capaz de beneficiar as empresas, as comunidades e a economia provincial.

Na perspetiva de Joaquim Santiago, o caminho passa por uma cooperação mais estreita entre os vários actores do sector e por uma visão que combine ambição empresarial, responsabilidade institucional e valorização do território.

A mensagem do diretor do Bom Charme é clara: o potencial existe e é extraordinário. O Namibe possui uma riqueza natural capaz de despertar o interesse de visitantes de Angola e do exterior. Mas, para que essa riqueza se transforme numa economia turística forte, será necessário garantir serviços qualificados, infraestruturas funcionais, promoção estratégica e uma experiência à altura da singularidade da província.

O turismo no Namibe é, de facto, uma bênção. A próxima etapa consiste em assegurar que essa bênção seja convertida em valor económico, emprego, investimento e desenvolvimento sustentável para toda a região.

Edição João Marcelo de Souza

Versão traduzida para o inglês

Bom Charme: “Tourism in Namibe is a blessing”

Joaquim Santiago argues that the province’s natural potential must be supported by qualified services, institutional backing and a business vision focused on sustainable returns

Namibe is home to some of Angola’s most extraordinary natural resources. Its desert, dunes, Atlantic coastline, beaches, wildlife, flora and cultural identity, deeply shaped by the relationship between people and the territory, give the province a privileged position on the national and international tourism map.

For Joaquim Santiago, director of Bom Charme, this wealth represents a strategic opportunity to diversify the province’s economy and create jobs. However, he believes that it can only translate into effective development if it is supported by an organised, professional tourism offering capable of meeting the demands of an increasingly competitive market.

“Tourism in Namibe is a blessing,” says the executive. The expression reflects not only the value of the landscape, but also the responsibility shared by business leaders, public institutions and local communities. In his view, nature has created the conditions to attract visitors; it is now up to the various stakeholders to transform this natural advantage into a complete, safe, comfortable and memorable experience.

From natural beauty to a tourism experience

Namibe possesses attributes that require little introduction. The uniqueness of its desert meeting the sea, the imposing dunes, the extensive coastline and the diversity of its natural landscapes provide a solid foundation for developing products linked to nature, adventure, leisure and cultural tourism.

However, Joaquim Santiago believes that the province’s tourism potential should not be assessed solely on the basis of its landscapes or the construction of hotel facilities. A tourism destination becomes established when it is able to integrate different services and provide visitors with a coherent experience from arrival to departure.

“You do not create tourism simply by building infrastructure,” he stresses.

This statement highlights one of the main issues facing tourism development in Angola: the need to move beyond a limited vision focused exclusively on construction. For an investment to generate value, it is essential to ensure suitable access, information, professional service, quality restaurants, accommodation, security, cleanliness, tourism activities and the ability to respond to visitors’ different needs.

In addition to attracting tourists, it is essential to create the conditions for them to stay longer in the province, consume local products and services, and return in the future. Increasing the average length of stay and the visitor return rate should therefore be a priority for operators and for the entities responsible for promoting the destination.

A value chain requiring greater coordination

In the view of the Bom Charme director, tourism must be understood as a value chain in which each element influences the performance of the others. A hotel or restaurant may provide a high-quality service, but it will face limitations if visitors encounter difficulties with access, a lack of information, insufficient transport or an absence of complementary activities.

Establishing Namibe as a tourism destination therefore requires more effective coordination between the public sector, private investors, tourism operators, transport companies, cultural stakeholders, local communities and service providers.

This coordination should be reflected in specific areas, including:

  • improving roads and access routes to the main tourist attractions;
  • promoting the Namibe destination nationally and internationally;
  • providing continuous training for teams;
  • strengthening the accommodation and restaurant offer;
  • creating integrated tourism itineraries;
  • valuing local culture and products;
  • developing nature, adventure and leisure activities;
  • improving signage and tourism information;
  • implementing consistent standards of safety and customer service.

For Joaquim Santiago, today’s visitor seeks more than a beautiful landscape. They seek confidence, organisation, authenticity and quality. The decision to travel is influenced by the ease of access, the reputation of the destination, the availability of information and the assurance that services will match expectations.

This is where the professionalisation of the sector becomes crucial. Hospitality should not depend solely on individual goodwill, but on processes, training, monitoring and service standards capable of ensuring consistency.

Investing with a medium- and long-term vision

The executive recognises that tourism continues to face significant challenges. These include the need for greater professional qualification, pressure on operating costs, improvements to infrastructure and the creation of more favourable conditions for investment.

Nevertheless, he believes that operators who remain committed to the sector and maintain a long-term vision play an essential role in consolidating the market. Tourism, he explains, is not a business that produces immediate results. It requires persistence, adaptability and a strategic understanding of the territory.

Investments in the sector may generate more significant results over the medium and long term, particularly when supported by coherent public policies and regular promotion of the destination. For the entrepreneur, the support of tourism-related institutions is decisive in this process.

Such support should not be limited to promotion. It should also include the creation of a more predictable business environment, assistance for operators, the simplification of procedures, improved access to tourist sites and the definition of common strategies for positioning the province.

The existence of an extraordinary natural heritage is a competitive advantage, but it is not, in itself, sufficient to guarantee the growth of the sector. Genuine economic value emerges when that advantage is transformed into products, services, experiences and business opportunities.

The role of Bom Charme

Bom Charme is part of this development through an extensive service structure and an operation involving approximately 60 direct employees and 15 collaborators. The company seeks to respond to its clients’ needs in accordance with the procedures established under labour legislation, while also assuming an important responsibility for creating and maintaining jobs.

The size of its workforce demonstrates that tourism has an impact that goes far beyond visitor reception. Each tourism facility mobilises a network of professionals and suppliers, from hospitality and restaurant workers to transport companies, maintenance providers, suppliers of goods and services, local producers and tourism activity operators.

This multiplier effect is particularly important in a province such as Namibe, where the development of diversified economic activities can help reduce dependence on traditional sectors and generate new opportunities for young people and local businesses.

For business leaders, investment in tourism must be accompanied by a permanent commitment to quality. This involves investing in people, improving internal processes, understanding customer expectations and building a relationship of trust with the market.

In an environment where a destination’s reputation can be rapidly shaped by the experiences shared by visitors, every interaction with a customer can either strengthen or weaken the image of the province. Service quality therefore becomes a tool for competitiveness and territorial promotion.

A destination with room to grow

Namibe is strengthening its profile as a destination for nature, adventure and cultural tourism. The combination of desert, sea, unique landscapes and cultural heritage offers the conditions to create a distinctive tourism proposition within Angola.

However, this consolidation will depend on the ability to transform existing resources into an integrated strategy. The challenge is not only to attract visitors, but also to build a sustainable tourism ecosystem capable of benefiting businesses, communities and the provincial economy.

From Joaquim Santiago’s perspective, the way forward involves closer cooperation among the sector’s different stakeholders and a vision that combines business ambition, institutional responsibility and the appreciation of the territory.

The message from the Bom Charme director is clear: the potential exists and it is extraordinary. Namibe possesses a natural wealth capable of attracting visitors from Angola and abroad. Yet, for this wealth to become a strong tourism economy, it will be necessary to guarantee qualified services, functional infrastructure, strategic promotion and an experience worthy of the province’s uniqueness.

Tourism in Namibe is, indeed, a blessing. The next step is to ensure that this blessing is converted into economic value, employment, investment and sustainable development for the entire region.

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