Domingo, Setembro 20, 2026

QUINTALÃO DO MANÉ: NAMIBE, UM DESTINO QUE SE ESCOLHE

Especial Namibe | Revista Executivo

Gastronomia, hospitalidade e melhores acessos podem reforçar a atractividade do Namibe. A chegada de turistas por comboio abre novas oportunidades para a restauração, a hotelaria e os serviços locais.

O Namibe está a receber mais turistas nacionais e estrangeiros. É esta a percepção de Mané, proprietário do restaurante Quintalão do Mané, que, em entrevista à Revista Executivo, destaca a evolução do sector e o potencial associado à melhoria dos transportes.

Numa observação acrescentada após a entrevista, o empresário sublinha uma particularidade: ao Namibe vem quem escolhe cá vir. Na sua perspectiva, enquanto Benguela beneficia da passagem de viajantes que a atravessam a caminho de vários destinos, o Namibe é procurado pela sua própria excelência. A visita nasce de uma vontade concreta de conhecer as suas paisagens, os seus sabores e a sua hospitalidade.

Essa capacidade de atrair por mérito próprio torna especialmente importante facilitar a viagem.

Questionado sobre uma futura ligação ferroviária entre Angola e a Namíbia e a chegada de turistas de comboio ao Namibe, Mané é directo: “Seria excelente.” A possibilidade permitiria dar a conhecer a região a mais pessoas e estimular a actividade económica.

A preferência pelo comboio, em alternativa ao carro próprio ou à caravana, tem também uma dimensão comercial. Quem chega sem viatura e sem alojamento móvel poderá recorrer mais a hotéis, restaurantes, transferes, guias e excursões. Para concretizar esse potencial, será essencial articular o transporte ferroviário com uma oferta organizada à chegada e programas que incentivem estadias mais prolongadas.

No restaurante, essa colaboração já faz parte do quotidiano. A casa trabalha com operadores do Namibe, de Luanda e do exterior, recebendo, entre outros, clientes encaminhados por empresas que organizam passeios no deserto.

Uma refeição passa, assim, a integrar uma experiência mais ampla. Sobre a possibilidade de combinar o deserto e o mar do Namibe com a montanha do Lubango, os safaris na região de Menongue e a passagem por Ondjiva, o entrevistado afirma que já existem guias a realizar esses percursos e profissionais preparados para acompanhar os visitantes.

A acessibilidade continua, porém, a exigir atenção. Ao referir-se aos voos da TAAG entre Luanda e o Namibe, defende preços mais acessíveis, maior frequência e mais regularidade, apontando os cancelamentos como uma dificuldade para quem pretende visitar a província. A melhoria das estradas é outra prioridade que considera decisiva.

À mesa, o mar constitui um dos principais argumentos do Quintalão do Mané. Entre os produtos destacados estão o mero, a cherna, o caranguejo do Namibe, o choco e o polvo — uma diversidade que o empresário associa à identidade gastronómica local.

O convite assenta numa proposta simples: cozinha tradicional, qualidade e bom atendimento. “Nós mantemos a qualidade, tentamos ter uma cozinha o mais tradicional possível”, afirma. É também pelos sabores que se procura dar aos visitantes uma razão para escolher o Namibe — e para regressar.

Edição João Marcelo de Souza

QUINTALÃO DO MANÉ: NAMIBE, A DESTINATION OF CHOICE

Namibe Special | Executivo Magazine

Cuisine, hospitality, and improved access could boost Namibe’s appeal. The arrival of tourists by train opens up new opportunities for restaurants, hotels, and local services.

Namibe is welcoming more domestic and international tourists. This is the view of Mané, owner of the Quintalão do Mané restaurant, who, in an interview with Executivo Magazine, highlights the sector’s growth and the potential associated with improved transportation.

In a comment added after the interview, the businessman underscores a distinctive feature: people come to Namibe because they choose to come here. In his view, while Benguela benefits from travelers passing through on their way to various destinations, Namibe is sought out for its own merits. Visits stem from a genuine desire to experience its landscapes, its flavors, and its hospitality.

This ability to attract visitors on its own merits makes it especially important to facilitate travel.

When asked about a future rail link between Angola and Namibia and the arrival of tourists by train in Namibe, Mané is straightforward: “That would be excellent.” Such a connection would allow more people to discover the region and stimulate economic activity.

The preference for the train, as an alternative to a private car or RV, also has a commercial dimension. Those who arrive without a vehicle or mobile accommodation will be more likely to use hotels, restaurants, transfers, guides, and excursions. To realize this potential, it will be essential to coordinate rail transportation with organized services upon arrival and programs that encourage longer stays.

At the restaurant, this collaboration is already part of daily life. The establishment works with tour operators from Namibe, Luanda, and abroad, welcoming, among others, guests referred by companies that organize desert tours.

A meal thus becomes part of a broader experience. Regarding the possibility of combining the desert and the sea of Namibe with the mountains of Lubango, safaris in the Menongue region, and a stop in Ondjiva, the interviewee states that there are already guides leading these itineraries and professionals prepared to accompany visitors.

Accessibility, however, continues to require attention. When referring to TAAG flights between Luanda and Namibe, he advocates for more affordable prices, greater frequency, and more regular service, pointing to cancellations as a challenge for those wishing to visit the province. Improving the roads is another priority he considers crucial.

At the table, the sea is one of the main draws of Quintalão do Mané. Among the featured dishes are grouper, wreckfish, Namibe crab, cuttlefish, and octopus—a diversity that the business owner associates with the local culinary identity.

The appeal rests on a simple proposition: traditional cuisine, quality, and good service. “We maintain quality and strive to keep our cuisine as traditional as possible,” he says. It is also through these flavors that the restaurant seeks to give visitors a reason to choose Namibe—and to return.

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