Mateus Congo rejeita a ideia de que o financiamento não chega aos produtores e revela que, até 31 de agosto de 2026, foram aprovados 192 projetos e desembolsados 123 na província de Benguela.
O “Fundo de Apoio ao Desenvolvimento Agrário (FADA)” (https://www.fada.gov.ao/) já desembolsou mais de 3,86 mil milhões de kwanzas para financiar projetos agrícolas na província de Benguela, anunciou Mateus Congo, gerente regional Centro da instituição, durante a Feira Internacional de Benguela (FIB 2026).
Em entrevista à Revista Executivo, o responsável rejeitou a ideia de que o crédito disponibilizado pela instituição não chega efetivamente aos produtores.
“A informação segundo a qual o crédito do FADA não chega aos produtores é um falso tema. Temos mais de seis mil projetos aprovados em todo o país e mais de 5.500 projetos já desembolsados”, afirmou.
De acordo com os dados apresentados, até 31 de agosto de 2026, o FADA tinha aprovado 192 projetos na província de Benguela, dos quais 123 já tinham recebido financiamento.
O montante total desembolsado na província atingiu exatamente 3.865.729.534,61 kwanzas.
“Estes números demonstram que o FADA tem estado a financiar a agricultura familiar em Benguela. Naturalmente, precisamos de financiar cada vez mais, porque esta é uma província com enorme potencial agrícola, produtivo, industrial e de transformação”, salientou Mateus Congo.
Projetos estruturantes para a cadeia do tomate
Além do financiamento individual de produtores e cooperativas, o FADA está envolvido em dois projetos considerados estruturantes para o setor produtivo de Benguela.
Um dos projetos está relacionado com a cadeia de valor do tomate e com o fornecimento de matéria-prima à fábrica de processamento de frutas do Dombe Grande. O segundo está ligado ao desenvolvimento de blocos compactos de produção.
O objetivo é criar uma ligação mais eficiente entre a produção agrícola, a transformação industrial e a comercialização, reduzindo perdas e aumentando o valor acrescentado gerado dentro da própria província.
O FADA manifesta-se disponível para financiar iniciativas apresentadas por produtores dos mais de 20 municípios de Benguela e pretende reforçar a articulação com o Governo Provincial, cooperativas, associações e restantes agentes económicos.
Financiamento mais próximo dos produtores
Mateus Congo reconheceu que, durante muito tempo, a atividade do FADA esteve excessivamente concentrada em Luanda. Para ultrapassar essa limitação, o Conselho de Administração iniciou um processo de descentralização dos serviços.
A primeira Agência Regional Centro foi inaugurada no Huambo, em julho de 2025, para acompanhar os produtores do Huambo, Benguela, Bié, Cuanza Sul, Cuando e Cubango.
Em fevereiro de 2026, foi aberta a Agência Regional Norte, na província de Malanje, abrangendo igualmente Cuanza Norte, Uíge e Zaire.
A estrutura-sede acompanha atualmente as províncias de Luanda, Cabinda, Bengo e Icolo e Bengo.
Está também prevista a abertura da Agência Regional Sul, com sede na Huíla e responsabilidade sobre Namibe, Cunene, Cuando e Cubango. Numa fase posterior, deverá entrar em funcionamento a Agência Regional Leste, destinada às províncias da Lunda Sul, Lunda Norte, Moxico e Moxico Leste.
“A ideia é aproximar cada vez mais os nossos serviços dos produtores e garantir que as soluções desta instituição financeira pública não bancária cheguem à agricultura familiar em todas as regiões do país”, explicou.
Oito linhas de financiamento
O FADA dispõe de oito linhas de financiamento, com taxas de juro bonificadas, destinadas a diferentes necessidades da produção agrária.
Entre as soluções apresentadas por Mateus Congo destacam-se:
- Linha de Apoio à Produção, com financiamentos que podem atingir 25 milhões de kwanzas para aquisição de sementes, fertilizantes e outros fatores de produção;
- Linha de Apoio ao Investimento, destinada à compra de tratores, microtratores, motocultivadores e outros equipamentos agrícolas;
- Linha de Apoio às Caixas Comunitárias, que reforça os bancos rurais e facilita o financiamento dos membros das cooperativas e das comunidades;
- Linha de Apoio à Cadeia Logística e Distribuição, orientada para o transporte e escoamento dos produtos;
- Linha de Apoio à Transformação, destinada à criação de valor acrescentado nos locais onde os produtos agrícolas são cultivados;
- Linha de Apoio à Comercialização, que facilita a colocação da produção no mercado;
- Programa Transforma Aqui, concebido para promover o processamento dos produtos agrícolas nos próprios municípios de origem;
- Linha de Apoio à Mulher Rural, criada para responder ao peso determinante das mulheres na agricultura familiar.
Segundo o gerente regional, as mulheres representam mais de 70% da força de trabalho ligada à agricultura familiar, justificando a criação de uma solução financeira especificamente dirigida às suas necessidades.
FIB como ponto de atendimento e aproximação
Na Feira Internacional de Benguela, a equipa do FADA não se limita a divulgar os seus instrumentos financeiros. A instituição está também a receber pedidos de financiamento, esclarecer dúvidas e estabelecer novas parcerias.
“Estamos a responder a pedidos de financiamento aqui mesmo na feira. Queremos que a FIB seja uma montra de oportunidades e uma forma de nos aproximarmos dos produtores de Benguela e de toda a região Centro”, declarou Mateus Congo.
O stand já recebeu produtores provenientes de diferentes províncias, interessados em conhecer os requisitos, modalidades e condições de acesso ao crédito.
Corredor do Lobito representa esperança
Na mensagem dirigida aos jovens angolanos, Mateus Congo apresentou o Corredor do Lobito como uma oportunidade para acelerar a agricultura, a agroindústria e a transformação económica do país.
“O Corredor do Lobito representa esperança para a produção agrícola, para a agroindústria e para o setor produtivo nacional. Os jovens devem aproveitá-lo como um veículo para desenvolvermos cada vez mais Angola e a nossa economia”, afirmou.
O responsável garantiu que o FADA está disponível para apoiar produtores e empreendedores com projetos enquadrados nas cadeias produtivas ligadas ao corredor.
A instituição participa igualmente na iniciativa Agrocorredores, promovida pelo Ministério da Agricultura e Florestas, que procura articular a produção, a logística, a transformação e o acesso aos mercados.
A presença do FADA na FIB 2026 transmite uma mensagem clara aos produtores: existem instrumentos de financiamento disponíveis, mas os projetos devem estar devidamente estruturados, responder às necessidades do mercado e contribuir para uma agricultura mais produtiva, sustentável e geradora de emprego.
Revista Executivo — FIB 2026
Entrevistado: Mateus Congo
Cargo: Gerente Regional Centro
Instituição: Fundo de Apoio ao Desenvolvimento Agrário (FADA)


