Quinta-feira, Julho 23, 2026

José de Lima Massano defende transformação dos recursos nacionais em riqueza para acelerar a economia angolana

O ministro de Estado para a Coordenação Económica, José de Lima Massano, defendeu a necessidade de Angola transformar os seus recursos nacionais em valor acrescentado, conhecimento, emprego qualificado e maior prosperidade para os cidadãos, como uma das principais vias para acelerar o crescimento da economia nacional.

Por Jorgina Manuela
Fotos: Afonso Francisco

Ao discursar na 41.ª edição da Feira Internacional de Luanda (FILDA), aberta na terça-feira, 21, sob o lema “Produzir e Inovar Localmente, Vencer Globalmente”, José de Lima Massano sublinhou que o empresariado nacional é chamado a reflectir sobre uma questão decisiva para o futuro económico do país: transformar os recursos disponíveis em riqueza sustentável e competitiva.

Segundo o governante, esta transformação deve estar assente na produção nacional, na incorporação de conhecimento, na inovação e na criação de empregos qualificados, capazes de responder às necessidades do mercado interno e de permitir às empresas angolanas conquistar novos mercados.

“Mais do que substituir importações, produzir localmente significa incorporar conhecimento, gerar valor acrescentado, fortalecer as cadeias nacionais de produção, estimular a inovação e criar condições para que as empresas angolanas conquistem novos mercados”, afirmou.

Inovação como condição para a competitividade

José de Lima Massano salientou que, para o Executivo, a inovação deixou de ser uma opção e passou a constituir uma condição indispensável para aumentar a produtividade, melhorar a qualidade dos bens e serviços e responder às exigências de uma economia global em permanente transformação.

O ministro de Estado destacou também os progressos registados por Angola na consolidação de um ambiente macroeconómico mais estável, considerando este desenvolvimento fundamental para atrair investimento, promover a diversificação económica e reforçar a confiança dos agentes económicos.

“Nos últimos anos, Angola tem vindo a consolidar um ambiente macroeconómico mais estável, desenvolvimento fundamental para atrair investimento, promover a diversificação da economia e reforçar a confiança dos agentes económicos”, afirmou.

Na sua intervenção, o titular da Coordenação Económica enalteceu ainda o fortalecimento gradual da produção nacional e o dinamismo verificado em sectores estratégicos, como a agricultura, a indústria transformadora, a energia, os transportes, as telecomunicações, o turismo e os serviços.

Para o governante, estes sectores desempenham um papel determinante na construção de uma economia mais diversificada, resiliente e capaz de reduzir a dependência das importações, ao mesmo tempo que ampliam as oportunidades de negócio para o empresariado nacional.

Agricultura ganha peso na economia

José de Lima Massano apontou a agricultura como um dos exemplos mais expressivos da transformação em curso na economia angolana. Em apenas uma década, o sector praticamente duplicou o seu peso na formação do Produto Interno Bruto (PIB), reflectindo o impacto das políticas públicas orientadas para o aumento da produção nacional e o reforço da segurança alimentar.

Apesar dos avanços, reconheceu que o caminho continua a ser exigente e requer uma aposta contínua em áreas estruturantes para o desenvolvimento económico.

“Mas sabemos que o caminho ainda é exigente. Isso implica continuar a investir no capital humano, nas infra-estruturas, na logística, na tecnologia e na inovação, bem como melhorar o acesso ao financiamento produtivo, em particular para as pequenas e médias empresas, que constituem a espinha dorsal do nosso tecido empresarial”, realçou.

O ministro de Estado acrescentou que o desenvolvimento económico só cumpre plenamente a sua missão quando se traduz em melhorias concretas na vida das pessoas. Para isso, considerou essencial garantir que o crescimento seja acompanhado pela criação de oportunidades, pelo aumento do rendimento das famílias e pela melhoria das condições sociais.

Crescimento económico e criação de emprego

Massano destacou ainda que, no primeiro trimestre deste ano, a economia angolana registou um crescimento de 5,3%, desempenho que tem vindo a traduzir-se numa maior criação de emprego, particularmente para a juventude.

Entre Janeiro de 2023 e Junho de 2026, foram criados cerca de 774 mil empregos formais, dos quais aproximadamente 95% resultaram da dinâmica do sector privado. Os números, segundo o governante, demonstram a importância das empresas na geração de oportunidades e na consolidação de uma economia mais inclusiva.

O responsável reafirmou, assim, o compromisso do Executivo angolano de continuar a desempenhar o seu papel na criação de um ambiente favorável à actividade empresarial. Entre as prioridades, apontou o aprofundamento das reformas económicas, a preservação da estabilidade macroeconómica e o reforço das condições para a atracção de investimento.

A aposta passa igualmente por estimular o crescimento das empresas nacionais, apoiar as pequenas e médias empresas e promover uma maior articulação entre o Estado, o sector privado e as instituições de ensino e investigação.

Na perspectiva de José de Lima Massano, Angola deve avançar para uma nova etapa de desenvolvimento, em que os recursos naturais e humanos sejam transformados em riqueza, conhecimento e oportunidades. O desafio, sublinhou, consiste em consolidar uma economia produtiva, inovadora e competitiva, capaz de vencer globalmente a partir de uma base nacional sólida.

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