Na Gala Vínica da Top-Indústria, realizada na noite de 30 de Outubro de 2026, no rooftop do Shopping Fortaleza, em Luanda, José Castro apresentou novas referências da marca Pavão e a estratégia da Vercoope para o mercado angolano. O director de Marketing e Exportação identifica maior interesse pelos vinhos brancos e quer ampliar a presença da marca nos pontos de venda e nas cartas dos restaurantes.
A Vercoope está a alargar a oferta da marca Pavão em Angola com a introdução de Pavão Sangria e Pavão Maracujá. As novidades foram apresentadas por José Castro durante a Gala Vínica da Top-Indústria, parceira que representa a empresa portuguesa no país. Na entrevista à Revista Executivo, o responsável associou os lançamentos a uma estratégia que combina a tradição da Região dos Vinhos Verdes com a atenção às preferências do consumidor.
José Castro enquadra as duas referências numa linha de inovação fora da Denominação de Origem Vinho Verde. A oferta apresentada pela empresa inclui também produtos de perfil mais clássico, entre os quais Pavão Branco, Grande Escolha, Alvarinho e Rosé. O objectivo é responder a diferentes gostos e ocasiões de consumo, preservando a consistência da qualidade como elemento de identificação da marca.
Uma marca com duas décadas de presença em Angola
Segundo o director de Marketing e Exportação, a marca Pavão foi introduzida em Angola há cerca de vinte anos. A sua representação está actualmente entregue à Top-Indústria, cujo trabalho de divulgação José Castro descreve como atento e consistente. A relação com o parceiro local ocupa um lugar central nos planos de crescimento da Vercoope no país.
A origem da empresa remonta a 1964. A Vercoope nasceu como união de adegas cooperativas da Região dos Vinhos Verdes e reúne sete cooperativas: Amarante, Braga, Famalicão, Felgueiras, Guimarães, Paredes e Vale de Cambra. A estrutura foi criada para engarrafar, comercializar e distribuir os vinhos dos viticultores associados, dando-lhes dimensão para chegar aos mercados nacional e internacional.
José Castro sublinha a ligação ao saber da região, ao território e às práticas transmitidas entre gerações. Esse património convive com técnicas modernas e com o desenvolvimento de novos produtos. Na sua perspectiva, a tradição fornece uma identidade que deve acompanhar a evolução da oferta e a forma como a marca se apresenta aos consumidores.
Vinhos brancos ganham espaço nas preferências dos consumidores
A leitura que o responsável faz do mercado angolano aponta para uma diversificação das escolhas. Recorda uma procura historicamente mais concentrada nos tintos e na notoriedade das marcas e identifica agora maior interesse pela região de origem e pelo tipo de vinho. Nesse movimento, considera que os brancos estão a ganhar expressão, enquanto o rosé ainda tem um percurso de afirmação pela frente.
José Castro atribui às consumidoras angolanas um papel relevante na divulgação e na procura pelos vinhos brancos. Essa leitura reforça a importância que dá a acompanhar as preferências do público e a perceber como evoluem as ocasiões de consumo.
Os nossos vinhos são muito orientados para o gosto do consumidor
Afirmou. Para o director, respeitar as técnicas e as regras de produção deve acompanhar a capacidade de proporcionar uma experiência que seja recordada. Na entrevista, evocou o convívio com amigos e a paisagem da Baía de Luanda como exemplos do contexto em que essa relação com a marca pode ser construída.
Crescer na distribuição e nas cartas dos restaurantes
Para os próximos três a cinco anos, a prioridade em Angola é ampliar a disponibilidade dos produtos em parceria com o importador. José Castro quer ver os vinhos da empresa num maior número de prateleiras de supermercados, lojas do comércio informal e cartas de restaurantes. A ambição é facilitar o acesso à marca nos diferentes canais em que o consumidor a poderá procurar.
Questionado sobre o conselho que daria a um jovem interessado no negócio do vinho, destacou a necessidade de pensar no consumidor. Recomendou estudar, acompanhar tendências, procurar informação junto dos produtores e recorrer a literatura especializada e outros conteúdos sobre o sector. Defendeu também o contacto directo com o mercado: falar com as pessoas e perceber o que procuram nas lojas e nos restaurantes.
A gastronomia surge igualmente como parte dessa aprendizagem e da experiência de consumo. José Castro encerrou a entrevista com um apelo à moderação e ao equilíbrio, associando o vinho à mesa, ao convívio familiar e aos amigos. Para a Vercoope, conhecer esses momentos de consumo ajuda a orientar tanto a inovação dos produtos como o trabalho comercial em Angola.


