Quinta-feira, Novembro 5, 2026

TIAGO CABAÇO QUER COLOCAR ANGOLA ENTRE OS SEUS TRÊS PRINCIPAIS MERCADOS EXTERNOS

Angola e Brasil são prioridades na estratégia de exportação de Tiago Cabaço. Em entrevista à Revista Executivo, na Gala Vínica da Top-Indústria, realizada na noite de 30 de Outubro de 2026, no rooftop do Shopping Fortaleza, em Luanda, o produtor alentejano apresentou as suas ambições comerciais e explicou a ligação entre a qualidade da vinha, a identidade dos vinhos e a gastronomia angolana.

Tiago Cabaço perspectiva que Angola possa tornar-se um dos três principais mercados externos da sua marca num horizonte de quatro a cinco anos. Para esse percurso, aponta vendas na ordem das 100 mil a 120 mil garrafas no país. Na entrevista, expressou também a ambição de triplicar as vendas face ao nível de 2026, apoiando o crescimento num maior acompanhamento do mercado e no reforço da presença junto do consumidor final.

A aposta integra uma estratégia de exportação que destaca Angola e Brasil. O produtor refere investimentos no posicionamento e na activação da marca, procurando aproximar os seus vinhos de públicos que valorizem as suas características. A leitura que faz do consumidor angolano, cada vez mais conhecedor e exigente, sustenta a confiança nesse trabalho.

Um projecto pessoal com raízes em várias gerações

O projecto Tiago Cabaço nasceu em 2004, quando o produtor tinha 22 anos. Na entrevista, apresentou-se como representante da quinta geração do lado paterno e da sexta do lado materno de uma família ligada ao vinho. Criar uma marca própria permitiu-lhe aplicar o conhecimento recebido dos mais velhos e dar expressão à sua forma de entender o Alentejo e os vinhos que queria produzir.

O primeiro passo foi o lançamento do .com, pensado para oferecer uma forte relação entre qualidade e preço e acompanhar o consumo quotidiano de quem já tinha interesse pelo vinho. A gama foi crescendo com referências Vinhas Velhas, brancos, tintos e monovarietais, até chegar aos Blog, apresentados como os topos de gama da casa.

Mais de duas décadas depois, Tiago Cabaço descreve esse percurso como uma construção gradual de marca. O conhecimento familiar permanece como base, acompanhado pela vontade de imprimir um carácter próprio aos vinhos e de os afirmar nos mercados onde a empresa está presente.

A qualidade das uvas e a ligação à gastronomia

A diferenciação começa, na sua perspectiva, na vinha. Os solos, o clima e as características de cada parcela devem encontrar expressão no vinho. O trabalho agrícola centra-se em obter a melhor matéria-prima possível, criando condições para que a adega preserve e valorize o que chega do campo.

Para explicar essa filosofia, Tiago Cabaço recorreu a uma comparação gastronómica: um bom peixe fresco ou uma boa peça de carne precisam de uma preparação que respeite a sua qualidade.

É também à mesa que identifica uma ligação a Angola. O produtor considera que a estrutura e a complexidade dos seus vinhos acompanham bem uma gastronomia marcada por molhos, condimentos e especiarias. Vê nessa afinidade uma das razões para a receptividade encontrada no mercado e uma oportunidade para aprofundar a relação com o consumidor.

Reconhecimento internacional e um público mais exigente

O percurso da marca inclui distinções que Tiago Cabaço recorda como momentos importantes da sua afirmação. Entre elas está o prémio conquistado pelo Blog Bivarietal 2013 nos Decanter World Wine Awards de 2017: Platinum Best in Show, na categoria Best Red Blend, que distingue vinhos tintos de lote. O catálogo da Decanter confirma essa distinção e uma classificação de 95 pontos para o vinho.

Para o produtor, o maior conhecimento do público angolano torna mais fácil explicar o que diferencia os seus vinhos. Recorda que, nas primeiras visitas ao país, esse trabalho exigia um esforço maior de demonstração. Hoje, considera que a evolução das escolhas e da exigência do consumidor favorece a valorização da qualidade e recebe essa mudança com confiança.

Questionado sobre o conselho que daria a um jovem angolano interessado no sector, recomendou atenção à qualidade e à diferenciação, avaliando o preço em função do que cada vinho oferece. A mensagem estende-se a quem compra para consumir ou para guardar: procurar produtos bons, sérios e diferenciados. É nesse posicionamento que Tiago Cabaço pretende apoiar a próxima fase de crescimento em Angola.

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