Sábado, Setembro 26, 2026

Filomena Oliveira: industrializar Angola é ligar investimento, produção e conhecimento

Consultora e gestora com larga experiência em indústria, inovação e desenvolvimento empresarial, Filomena Oliveira defende uma economia orientada para a produção, a segurança alimentar e a valorização do talento angolano.

Angola não precisa apenas de atrair investimento. Precisa de garantir que esse investimento cria fábricas, transfere conhecimento, gera emprego e aumenta a capacidade produtiva nacional.

É esta a visão que marca o percurso profissional de Filomena Oliveira, consultora e especialista com experiência nas áreas da indústria, inovação, desenvolvimento empresarial, marketing e políticas económicas.

Ao longo da sua carreira, Filomena Oliveira tem defendido uma ligação mais forte entre os sectores produtivos, a academia, as empresas e o Estado. Para a consultora, a diversificação económica só será sustentável quando resultar numa economia capaz de produzir, transformar e competir.

Industrialização com valor para Angola

“A industrialização não deve significar apenas instalar unidades produtivas. Deve significar criar cadeias de valor em Angola.”

Quando uma matéria-prima é transformada localmente, o país ganha emprego, competências, receitas fiscais, empresas fornecedoras e capacidade para exportar produtos de maior valor acrescentado.

Esta lógica aplica-se à agricultura, pescas, minérios, petróleo, materiais de construção, embalagens, têxteis, serviços tecnológicos e economia criativa.

Filomena Oliveira tem sublinhado que os recursos captados através de parcerias internacionais devem apoiar a instalação e transferência de unidades industriais para o país.

“A meta é clara: investimento externo deve estar ao serviço da produção nacional e da criação de emprego.”

Segurança alimentar começa pela integração produtiva

A segurança alimentar é uma das grandes prioridades de Angola. Mas não se resolve apenas com mais produção agrícola.

É necessário ligar agricultores, cooperativas, indústrias de transformação, transportadores, armazenistas, distribuidores, retalhistas e consumidores. Sem esta integração, perde-se produção, aumentam-se custos e mantém-se a dependência de importações.

Filomena Oliveira tem defendido precisamente a integração entre sectores produtivos como chave para reforçar a segurança alimentar.

O desafio passa por criar uma cadeia completa:

  • produzir no campo;
  • conservar e transportar;
  • transformar em Angola;
  • embalar com qualidade;
  • distribuir com eficiência;
  • colocar no mercado nacional e regional.

“Esta é a forma de transformar agricultura em agro-indústria, agro-indústria em emprego e emprego em desenvolvimento local.”

Inovação e formação: o capital que não se importa

A inovação industrial não depende apenas de máquinas ou tecnologia comprada. Depende das pessoas que sabem operar, adaptar, reparar, criar e melhorar processos.

Por isso, a ligação entre empresas, institutos, universidades e centros de formação é decisiva. A academia deve formar para os desafios reais da economia, enquanto as empresas devem abrir espaço para estágios, investigação aplicada e formação contínua.

A experiência de Filomena Oliveira na promoção do desenvolvimento industrial e da inovação tecnológica reforça esta visão: conhecimento só cria impacto quando chega ao processo produtivo.

Políticas económicas mais próximas das empresas

Uma economia diversificada precisa de políticas que favoreçam quem trabalha, investe e produz.

Para as micro, pequenas e médias empresas, os principais desafios mantêm-se: acesso ao crédito, custos de transporte, energia, burocracia, carga fiscal, dificuldades cambiais e acesso a mercados.

A consultora tem defendido o ajustamento de políticas económicas para criar maior liberdade comercial e incentivo à actividade empresarial.

O Estado deve regular, fiscalizar e proteger o interesse público. Mas deve igualmente simplificar procedimentos e reduzir barreiras que impedem as empresas de crescer.

Uma empresa que sobrevive, reinveste. Uma empresa que reinveste, emprega. Uma empresa que emprega, ajuda a reduzir pobreza e dependência.

Mulheres, liderança e transformação económica

O percurso de Filomena Oliveira demonstra também o papel determinante da liderança feminina em sectores estratégicos da economia angolana.

A sua contribuição foi reconhecida no sector petrolífero, onde defendeu a importância da capacitação técnico-científica e da criação de oportunidades para as novas gerações.

A participação efectiva das mulheres na tomada de decisão, na indústria, na ciência, na gestão e no empreendedorismo não é apenas uma questão de inclusão. É uma vantagem para a economia, porque aumenta a diversidade de competências, de experiências e de soluções.

Uma agenda de acção

A visão de Filomena Oliveira aponta para uma Angola que deixa de exportar apenas recursos e passa a exportar produtos, serviços, conhecimento e valor acrescentado.

Para isso, o país precisa de:

  • investimento produtivo;
  • indústrias locais competitivas;
  • melhor ligação entre agricultura e transformação;
  • financiamento para empresas;
  • formação técnica;
  • inovação;
  • logística eficiente;
  • políticas públicas estáveis;
  • participação activa de jovens e mulheres.

A transformação económica de Angola não será feita por uma única instituição ou sector. Será construída através da cooperação entre Estado, empresas, universidades, investidores e sociedade civil.

“O verdadeiro desenvolvimento começa quando o investimento deixa capacidade instalada, conhecimento e oportunidades para os angolanos.”

Edição João Marcelo de Souza

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