Consultora e gestora com larga experiência em indústria, inovação e desenvolvimento empresarial, Filomena Oliveira defende uma economia orientada para a produção, a segurança alimentar e a valorização do talento angolano.
Angola não precisa apenas de atrair investimento. Precisa de garantir que esse investimento cria fábricas, transfere conhecimento, gera emprego e aumenta a capacidade produtiva nacional.
É esta a visão que marca o percurso profissional de Filomena Oliveira, consultora e especialista com experiência nas áreas da indústria, inovação, desenvolvimento empresarial, marketing e políticas económicas.
Ao longo da sua carreira, Filomena Oliveira tem defendido uma ligação mais forte entre os sectores produtivos, a academia, as empresas e o Estado. Para a consultora, a diversificação económica só será sustentável quando resultar numa economia capaz de produzir, transformar e competir.
Industrialização com valor para Angola
“A industrialização não deve significar apenas instalar unidades produtivas. Deve significar criar cadeias de valor em Angola.”
Quando uma matéria-prima é transformada localmente, o país ganha emprego, competências, receitas fiscais, empresas fornecedoras e capacidade para exportar produtos de maior valor acrescentado.
Esta lógica aplica-se à agricultura, pescas, minérios, petróleo, materiais de construção, embalagens, têxteis, serviços tecnológicos e economia criativa.
Filomena Oliveira tem sublinhado que os recursos captados através de parcerias internacionais devem apoiar a instalação e transferência de unidades industriais para o país.
“A meta é clara: investimento externo deve estar ao serviço da produção nacional e da criação de emprego.”
Segurança alimentar começa pela integração produtiva
A segurança alimentar é uma das grandes prioridades de Angola. Mas não se resolve apenas com mais produção agrícola.
É necessário ligar agricultores, cooperativas, indústrias de transformação, transportadores, armazenistas, distribuidores, retalhistas e consumidores. Sem esta integração, perde-se produção, aumentam-se custos e mantém-se a dependência de importações.
Filomena Oliveira tem defendido precisamente a integração entre sectores produtivos como chave para reforçar a segurança alimentar.
O desafio passa por criar uma cadeia completa:
- produzir no campo;
- conservar e transportar;
- transformar em Angola;
- embalar com qualidade;
- distribuir com eficiência;
- colocar no mercado nacional e regional.
“Esta é a forma de transformar agricultura em agro-indústria, agro-indústria em emprego e emprego em desenvolvimento local.”
Inovação e formação: o capital que não se importa
A inovação industrial não depende apenas de máquinas ou tecnologia comprada. Depende das pessoas que sabem operar, adaptar, reparar, criar e melhorar processos.
Por isso, a ligação entre empresas, institutos, universidades e centros de formação é decisiva. A academia deve formar para os desafios reais da economia, enquanto as empresas devem abrir espaço para estágios, investigação aplicada e formação contínua.
A experiência de Filomena Oliveira na promoção do desenvolvimento industrial e da inovação tecnológica reforça esta visão: conhecimento só cria impacto quando chega ao processo produtivo.
Políticas económicas mais próximas das empresas
Uma economia diversificada precisa de políticas que favoreçam quem trabalha, investe e produz.
Para as micro, pequenas e médias empresas, os principais desafios mantêm-se: acesso ao crédito, custos de transporte, energia, burocracia, carga fiscal, dificuldades cambiais e acesso a mercados.
A consultora tem defendido o ajustamento de políticas económicas para criar maior liberdade comercial e incentivo à actividade empresarial.
O Estado deve regular, fiscalizar e proteger o interesse público. Mas deve igualmente simplificar procedimentos e reduzir barreiras que impedem as empresas de crescer.
Uma empresa que sobrevive, reinveste. Uma empresa que reinveste, emprega. Uma empresa que emprega, ajuda a reduzir pobreza e dependência.
Mulheres, liderança e transformação económica
O percurso de Filomena Oliveira demonstra também o papel determinante da liderança feminina em sectores estratégicos da economia angolana.
A sua contribuição foi reconhecida no sector petrolífero, onde defendeu a importância da capacitação técnico-científica e da criação de oportunidades para as novas gerações.
A participação efectiva das mulheres na tomada de decisão, na indústria, na ciência, na gestão e no empreendedorismo não é apenas uma questão de inclusão. É uma vantagem para a economia, porque aumenta a diversidade de competências, de experiências e de soluções.
Uma agenda de acção
A visão de Filomena Oliveira aponta para uma Angola que deixa de exportar apenas recursos e passa a exportar produtos, serviços, conhecimento e valor acrescentado.
Para isso, o país precisa de:
- investimento produtivo;
- indústrias locais competitivas;
- melhor ligação entre agricultura e transformação;
- financiamento para empresas;
- formação técnica;
- inovação;
- logística eficiente;
- políticas públicas estáveis;
- participação activa de jovens e mulheres.
A transformação económica de Angola não será feita por uma única instituição ou sector. Será construída através da cooperação entre Estado, empresas, universidades, investidores e sociedade civil.
“O verdadeiro desenvolvimento começa quando o investimento deixa capacidade instalada, conhecimento e oportunidades para os angolanos.”
Edição João Marcelo de Souza


