Quinta-feira, Novembro 5, 2026

QUINTA MONTEIRO DE MATOS APOSTA NA FORMAÇÃO E NA QUALIDADE PARA CRESCER EM ANGOLA

Na Gala Vínica da Top-Indústria, realizada na noite de 30 de Outubro de 2026, no rooftop do Shopping Fortaleza, em Luanda, Nuno Matos apresentou a estratégia da produtora do Tejo para o mercado angolano. A marca Reserva do Paul procura afirmar-se junto de um consumidor mais informado, combinando qualidade, diferentes gamas de preço e proximidade comercial.

A afirmação de Nuno Matos traduz a leitura que a Quinta Monteiro de Matos faz de um mercado onde a diversidade da oferta obriga os produtores a explicar melhor o que os distingue. Em entrevista à Revista Executivo, durante a Gala Vínica da Top-Indústria, o responsável defendeu uma presença regular em Angola, apoiada na formação e no trabalho com o parceiro local.

A produtora portuguesa já coloca os seus vinhos em diferentes canais do mercado angolano. Segundo Nuno Matos, a presença abrange a distribuição alimentar, o comércio informal e a restauração. Essa diversidade acompanha uma oferta que inclui referências mais económicas e vinhos destinados a segmentos de maior poder de compra, entre reservas e grandes reservas.

Três gerações e uma aposta na relação entre qualidade e preço

A história da Quinta Monteiro de Matos atravessa três gerações. Nuno Matos situa a origem do projecto na iniciativa do avô, há mais de cinquenta anos, quando procurou terrenos que permitissem produzir vinhos de qualidade. A escolha recaiu em São Vicente do Paul, no concelho de Santarém, na região vitivinícola do Tejo.

Ao crescimento inicial da vinha seguiu-se uma mudança na forma de comercializar. Com a segunda geração, ganhou expressão a criação de marcas próprias e a ambição de levar os vinhos a outros mercados. A terceira geração procura dar continuidade a esse percurso, colocando a melhoria da qualidade no centro das decisões.

Nuno Matos reconhece que a agricultura introduz diferenças entre colheitas e que o vinho não se repete mecanicamente de um ano para o outro. O objectivo, explica, consiste em preservar o nível alcançado e melhorar sempre que as condições o permitam. Na marca Reserva do Paul, essa preocupação combina-se com a procura de preços que aproximem o produto de um público mais amplo.

O reconhecimento internacional é um dos argumentos que o produtor associa a esse posicionamento. O Reserva do Paul Selection 2021 recebeu 90 pontos e a distinção Best Buy da Wine Enthusiast, numa avaliação publicada em 2023. A distinção dá um exemplo concreto da relação entre qualidade e preço defendida na entrevista.

Formar quem vende e aproximar o produtor de quem compra

Em Angola, o trabalho comercial desenvolve-se com um parceiro local na importação e distribuição. À produtora cabe também trazer conhecimento sobre os vinhos: explicar a sua origem, as técnicas utilizadas e as características que ajudam a compreender cada referência. Essa formação dirige-se tanto aos profissionais que vendem como aos consumidores.

Nuno Matos afirma deslocar-se ao país uma a duas vezes por ano para acompanhar e consolidar esse trabalho. A presença permite apoiar as equipas comerciais e responder directamente a quem procura conhecer o produto. Neste contexto, a Gala Vínica proporcionou um contacto entre o produtor e o público que complementa a presença dos vinhos nos pontos de venda.

A avaliação do mercado é marcada pela atenção ao poder de compra. O responsável identifica procura por vinhos económicos, a par de um segmento disponível para referências de valor superior. Reconhece também a concorrência e descreve o consumidor angolano como cada vez mais informado e exigente. A resposta da empresa passa por trabalhar diferentes gamas, mantendo a qualidade como critério comum.

Consolidar Angola e acompanhar os mercados de exportação

Para os próximos três a cinco anos, Nuno Matos aponta o reforço do posicionamento nos segmentos superiores, sobretudo através da restauração. A intenção é aumentar a presença em restaurantes cujas cartas e clientes se adequem a esses vinhos. Em paralelo, a produtora pretende desenvolver as referências mais económicas na distribuição alimentar e no comércio informal.

A estratégia angolana integra um negócio fortemente orientado para o exterior. Na entrevista, Nuno Matos afirmou que cerca de 90% das vendas se destinam a mercados fora de Portugal e referiu uma presença em quinze países. A prioridade que descreve é consolidar os mercados onde a empresa já opera e aproveitar novas oportunidades de forma gradual.

Afirmou, ao explicar a necessidade de acompanhar os mercados depois da entrada inicial. Para Angola, essa continuidade traduz-se em visitas regulares, apoio a quem comercializa os vinhos e desenvolvimento dos canais de venda. É nesse trabalho que a Quinta Monteiro de Matos procura sustentar o reconhecimento da Reserva do Paul junto do consumidor.

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