Terça-feira, Julho 21, 2026

Terminal Portuário da Barra do Dande mobiliza investimento de 450 milhões de dólares

Infraestrutura será construída em três fases e poderá iniciar operações após a conclusão da primeira etapa, assegurando o escoamento da produção da Zona Franca

Por Jorgina Manuela
Fotografia: Afonso Francisco

A Sociedade de Desenvolvimento da Barra do Dande, S.A. (SDBD) assinou um Protocolo de Investimento para a subconcessão e construção do Terminal Portuário da Zona Franca de Desenvolvimento Integrado da Barra do Dande, um empreendimento avaliado em 450 milhões de dólares.

O projecto representa uma das principais apostas estratégicas para o reforço da capacidade logística, industrial e comercial de Angola, ao criar condições para o escoamento da produção nacional e para a atracção de novos investimentos privados.

Segundo o presidente do Conselho de Administração da Sociedade de Desenvolvimento da Barra do Dande, Roque de Lima Saraiva, a estratégia de execução permitirá que a infraestrutura entre em funcionamento ainda durante a fase inicial, assegurando, desde logo, o escoamento da produção da Zona Franca.

O Terminal Portuário será desenvolvido em três fases, estando a conclusão integral do projecto prevista para o período entre 2029 e 2030. A primeira fase deverá ser executada no prazo estimado de 24 meses.

“Vamos assegurar o desenvolvimento dessas três fases, mas faremos isso por etapas. Iniciaremos com a primeira fase, cuja duração estimada é de 24 meses, seguindo-se a segunda e a terceira, para garantir que, até 2029 ou 2030, o terminal esteja totalmente concluído”, afirmou Roque de Lima Saraiva.

Apesar da execução faseada, o responsável explicou que o empreendimento foi concebido com flexibilidade operacional, permitindo que o terminal comece a funcionar logo após a conclusão da primeira etapa.

“Com a primeira fase concluída, o terminal poderá iniciar as operações e garantir a exportação dos produtos produzidos na Zona Franca”, destacou.

Financiamento integralmente privado

O presidente do Conselho de Administração da SDBD esclareceu que o empreendimento será financiado integralmente pelo sector privado, através da participação de parceiros estratégicos.

“Trata-se de um investimento totalmente privado. A estratégia de desenvolvimento prevê a participação de parceiros estratégicos, que irão assegurar o financiamento do projecto”, explicou.

A opção por um modelo de financiamento privado é apresentada como um elemento central para acelerar a implementação da infraestrutura e garantir maior eficiência na mobilização de recursos, na construção e na futura exploração do terminal.

Com a entrada em funcionamento do empreendimento, a Zona Franca da Barra do Dande deverá reforçar a sua capacidade de ligação aos mercados nacionais e internacionais, criando melhores condições para as empresas instaladas na região e para a expansão das exportações angolanas.

Zona Franca deverá criar 21 mil empregos

A Sociedade de Desenvolvimento da Barra do Dande prevê que a Zona Franca venha a criar cerca de 21 mil postos de trabalho qualificados, à medida que forem implementados os diferentes projectos industriais, logísticos e de apoio.

De acordo com Roque de Lima Saraiva, o projecto já começou a gerar emprego, contabilizando actualmente mais de três mil postos de trabalho, graças às primeiras unidades industriais em funcionamento.

“A intenção é que estes novos investimentos continuem a impulsionar a criação de emprego qualificado, permitindo alcançar a meta de 21 mil postos de trabalho”, referiu.

A criação de emprego, sobretudo nos segmentos técnico, industrial, logístico e de gestão, constitui uma das principais expectativas associadas ao desenvolvimento da Zona Franca. A par da geração de oportunidades profissionais, o projecto deverá contribuir para a formação de quadros nacionais e para o desenvolvimento de uma cadeia de fornecedores locais.

Um ecossistema industrial e logístico integrado

Além do terminal portuário, a Zona Franca da Barra do Dande acolhe vários projectos estruturantes, concebidos para formar um ecossistema industrial e logístico integrado.

Entre as iniciativas em curso destacam-se o Parque Industrial, já inaugurado, e o Parque Industrial Cima Norte, que reúne mais de dez unidades fabris. Estão igualmente previstas a construção de uma refinaria de óleo alimentar, da Plataforma Logística da Barra do Dande, da Reserva Nacional de Cereais e do projecto Dande Park One, destinado a integrar diversas unidades industriais.

A articulação entre estas infraestruturas deverá permitir reduzir custos logísticos, melhorar a eficiência das operações e aumentar a competitividade das empresas instaladas na Zona Franca. O terminal portuário terá, neste contexto, um papel determinante na movimentação de matérias-primas, equipamentos e produtos acabados.

Projecto estratégico para o desenvolvimento nacional

O secretário de Estado para o Sector da Viação Civil, Marítima e Portuária, Adilson Catala, sublinhou que a assinatura do protocolo é de elevada relevância para o desenvolvimento socioeconómico do país.

Segundo o governante, a iniciativa permitirá que dois parceiros privados desenvolvam projectos estruturantes no âmbito da Zona Franca de Desenvolvimento Integrado da Barra do Dande, uma iniciativa considerada estratégica pelo Executivo angolano.

“Este projecto visa atrair investimentos privados, e esta assinatura concretiza essa atracção para dois componentes importantes do ecossistema da Zona Franca: o terminal portuário e as infraestruturas básicas do projecto”, afirmou.

Adilson Catala reiterou que os projectos têm como foco principal alcançar os objectivos do Executivo relacionados com a atracção de investimento, a geração de emprego e a promoção do desenvolvimento económico do país.

Para o responsável, a implementação destas infraestruturas deverá reforçar a capacidade de Angola para acolher investimentos industriais de maior dimensão, promover a diversificação da economia e reduzir a dependência das importações em sectores estratégicos.

A assinatura do instrumento assinala, assim, o início da concretização de uma das principais infraestruturas da Zona Franca da Barra do Dande. Com um investimento estimado em 450 milhões de dólares e uma execução prevista em três fases, o Terminal Portuário posiciona-se como um activo estratégico para o fortalecimento da capacidade logística e industrial de Angola.

Quando estiver plenamente concluído, o terminal deverá desempenhar um papel essencial na dinamização da actividade económica, na facilitação das exportações e na consolidação da Barra do Dande como uma plataforma de referência para a indústria, a logística e o comércio regional.

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