O ministro dos Recursos Minerais, Petróleo e Gás, Diamantino Azevedo, defendeu a necessidade de reforçar a inovação, a eficiência e a participação feminina no sector petrolífero angolano, considerando estes factores essenciais para garantir a competitividade e a sustentabilidade da indústria.
O governante afirmou igualmente que Angola continua a figurar entre os países africanos com os preços dos combustíveis mais baixos, ocupando a oitava posição a nível mundial.
Por Jorgina Manuela
Fotografia: Afonso Francisco
Durante a sua intervenção no fórum “O Contributo Feminino para o Sector Oil & Gas em Angola: Liderança, Inovação e Transformação Sustentável”, realizado na quinta-feira, 6 de Agosto, Diamantino Azevedo destacou que o sector petrolífero atravessa uma fase de profunda transformação.
Segundo o ministro, os actuais desafios da indústria exigem uma aposta contínua no conhecimento, na inovação, na eficiência operacional e numa liderança capaz de antecipar mudanças e responder às exigências do mercado internacional.
“A subvenção, com o aumento do preço no mercado internacional, atingiu níveis exorbitantes”, afirmou.
Diamantino Azevedo explicou que o crescimento e a sustentabilidade do sector dependem do aproveitamento do talento de homens e mulheres, com base no mérito, na competência e na igualdade de oportunidades. Sublinhou que a participação feminina na indústria petrolífera tem vindo a crescer, com mulheres a desempenharem funções técnicas, de gestão e de liderança.
Para o governante, esta evolução contribui directamente para o fortalecimento da competitividade das empresas, para a modernização da indústria e para a criação de um ambiente profissional mais diversificado e inclusivo.
Liderança e inovação como pilares estratégicos
Na sua intervenção, o ministro salientou que liderar significa assumir responsabilidades, tomar decisões e promover resultados sustentáveis. Acrescentou que a inovação não deve ser entendida apenas como o desenvolvimento de novas tecnologias, mas também como a capacidade de melhorar processos, optimizar recursos e encontrar soluções mais eficientes para os desafios do sector.
A inovação, segundo Diamantino Azevedo, deve igualmente estar associada à promoção da sustentabilidade económica, ambiental e social. Neste sentido, considerou fundamental que as empresas adoptem práticas capazes de conciliar o crescimento da actividade petrolífera com a protecção ambiental e o desenvolvimento equilibrado do país.
O ministro enalteceu ainda o papel dos fóruns e das organizações dedicados à valorização das mulheres, por contribuírem para a criação de oportunidades de capacitação, visibilidade e crescimento profissional.
Apelou ao compromisso conjunto das empresas, instituições públicas, universidades e líderes empresariais na construção de um ambiente baseado na igualdade de oportunidades. Defendeu, em particular, a necessidade de incentivar mais jovens angolanas a escolherem carreiras ligadas à engenharia, à geologia, à energia, à gestão e às demais áreas estratégicas do sector petrolífero.
Estabilidade regulatória é essencial para atrair investimento

Por sua vez, Ana Miala, engenheira petrolífera, abordou os principais desafios que condicionam o desenvolvimento da indústria nacional. A especialista defendeu a manutenção de um ambiente jurídico, fiscal e regulatório estável, previsível e competitivo, como condição essencial para a atracção de novos investimentos.
De acordo com Ana Miala, os projectos petrolíferos apresentam ciclos de desenvolvimento prolongados, o que significa que muitas das decisões tomadas no presente produzirão efeitos apenas a médio e longo prazo. Por essa razão, considerou necessário adoptar uma visão estratégica e consistente para garantir a continuidade dos investimentos e a sustentabilidade da produção nacional.
A responsável destacou que uma parte significativa da produção de petróleo em Angola provém de campos maduros, sujeitos ao declínio natural. Esta realidade levou à criação de incentivos destinados a aumentar a produção incremental e a tornar os investimentos no sector mais atractivos.
Ana Miala defendeu igualmente a intensificação da exploração de novas áreas e o reforço das reservas nacionais, medidas que considerou determinantes para assegurar a sustentabilidade da produção futura e reduzir os riscos associados ao declínio dos campos actualmente em operação.
Gás natural como recurso estratégico
A engenheira petrolífera salientou ainda a crescente importância do gás natural na estratégia energética e económica de Angola. Segundo explicou, o gás passou a ser encarado como um recurso estratégico para impulsionar a produção de energia, apoiar a industrialização e estimular o desenvolvimento económico do país.
A valorização deste recurso poderá contribuir para a diversificação da matriz energética, para o aumento da oferta de electricidade e para a criação de novas oportunidades de negócio e emprego. Poderá igualmente reforçar a capacidade de Angola atrair investimentos para projectos industriais associados à cadeia de valor do gás.

No encerramento da sua intervenção, Ana Miala deixou uma mensagem de incentivo à liderança feminina, defendendo que a formação, a dedicação e a competência constituem os principais factores para alcançar o sucesso profissional.
A especialista considerou que a maternidade e a condição feminina não devem constituir obstáculos à progressão na carreira. Encorajou, por isso, mais mulheres a assumirem posições de liderança no sector petrolífero e em diferentes áreas da economia nacional.
A mensagem deixada no fórum foi clara: o futuro da indústria petrolífera angolana dependerá não apenas da capacidade de explorar os seus recursos, mas também de investir nas pessoas, promover a inovação e garantir que homens e mulheres tenham condições iguais para contribuir para o desenvolvimento do país.


