Quarta-feira, Setembro 9, 2026

Bloco 15 celebra 32 anos de operação em Angola com contributo decisivo para o sector petrolífero

Activo operado pela ExxonMobil já produziu mais de 2,7 mil milhões de barris de petróleo e destaca-se pela formação de quadros, transferência de tecnologia e elevada taxa de angolanização

Por Jorgina Manuela
Fotografia: Afonso Francisco

O Bloco 15 assinalou, no dia 31 de Agosto, 32 anos de actividade em Angola, numa trajectória marcada pelo contributo para o aumento da produção petrolífera nacional, a geração de divisas, a formação de quadros e a transferência de tecnologia para o país.

Ao longo de mais de três décadas, o activo consolidou-se como uma referência da indústria petrolífera angolana, não apenas pelos volumes produzidos, mas também pelo impacto na capacitação de profissionais nacionais e no fortalecimento das competências técnicas associadas à exploração e produção de hidrocarbonetos.

A efeméride foi assinalada com uma conversa entre o ministro dos Recursos Minerais, Petróleo e Gás, Diamantino Azevedo, e o director-geral da ExxonMobil Angola, Brian Unietis, centrada no percurso do Bloco 15 e no seu contributo para o desenvolvimento da indústria petrolífera nacional.

O encontro permitiu igualmente abordar os desafios actuais do sector, a continuidade dos investimentos e a importância de assegurar a sustentabilidade dos activos petrolíferos, num contexto de transformação da indústria energética e de crescente exigência quanto à eficiência operacional, à formação de quadros e à participação de empresas e profissionais angolanos.

Angolanização acima da média do sector

Durante o encontro, o titular da pasta dos Recursos Minerais, Petróleo e Gás destacou o papel do Bloco 15 na economia nacional, com particular ênfase para a taxa de angolanização, que se situa nos 95%, acima da média do sector, fixada em 87%.

Para Diamantino Azevedo, este resultado constitui um indicador relevante da participação de quadros angolanos na actividade petrolífera, bem como da capacidade de formação, desenvolvimento e retenção de competências no sector.

A elevada taxa de angolanização reflecte, também, a evolução da participação nacional numa indústria que exige conhecimentos técnicos especializados, experiência operacional e capacidade de resposta perante os desafios associados à exploração e produção de petróleo em águas profundas.

Na ocasião, o ministro defendeu ainda a simplificação dos processos de atribuição de direitos e de pesquisa no sector mineiro. Anunciou, igualmente, que Angola se prepara para integrar o grupo restrito de produtores de nióbio.

O projecto, localizado na província da Huíla e cujo investimento teve início em 2018, deverá ser inaugurado em breve. A iniciativa prevê a criação de cerca de mil empregos directos e 200 indirectos, além da implementação de projectos sociais nas comunidades abrangidas.

Mais de 2,7 mil milhões de barris produzidos

Por sua vez, Brian Unietis afirmou que “os mais de 2,7 mil milhões de barris produzidos pelo Bloco 15 resultam do trabalho, da experiência e da dedicação de várias gerações de profissionais”.

O responsável destacou o diálogo construtivo entre a indústria e o Governo, orientado para a procura de soluções e para a continuidade dos investimentos. Segundo Brian Unietis, esta cooperação é essencial para prolongar a vida produtiva dos activos e preservar o contributo do sector petrolífero para a economia angolana.

A longevidade do Bloco 15 representa, neste sentido, um dos principais elementos da sua relevância estratégica. Para além da produção acumulada, o bloco está associado à consolidação de conhecimentos, à transferência de tecnologia e ao desenvolvimento de capacidades que permanecem no mercado nacional.

O Bloco 15 é operado pela ExxonMobil, em parceria com a Azule Energy, a Equinor e a Sonangol – Exploração e Produção.

Sonangol reforça importância da parceria

Entretanto, o presidente do Conselho de Administração da Sonangol, Pai Querido, destacou a importância da parceria de 32 anos com a ExxonMobil, período durante o qual foram produzidos cerca de 2,7 mil milhões de barris de petróleo.

Segundo o gestor, a Sonangol beneficiou da troca de experiências e do dinamismo da ExxonMobil, esperando continuar a trabalhar em conjunto em projectos como a Bacia do Namibe e o Bloco 15, além de outras áreas de interesse comum.

A parceria foi apresentada como um exemplo de cooperação de longo prazo entre a companhia nacional e um dos principais operadores internacionais presentes em Angola. Para a Sonangol, a continuidade destas relações permite combinar experiência técnica, conhecimento do contexto nacional e capacidade de execução em projectos de elevada complexidade.

Centro de Pesquisa da Sonangol

Sobre o Centro de Pesquisa da Sonangol, Pai Querido afirmou que o projecto se encontra bastante avançado e que os primeiros resultados deverão surgir até ao primeiro trimestre de 2027.

Numa fase inicial, o centro deverá actuar nas áreas de exploração e produção. Posteriormente, a sua actividade deverá abranger outros domínios estratégicos, nomeadamente os minerais críticos, os biocombustíveis e as energias renováveis.

A estrutura deverá apoiar toda a cadeia de valor da Sonangol, contribuindo para o reforço da capacidade nacional de investigação, inovação e desenvolvimento tecnológico. A aposta pretende responder à necessidade de preparar a empresa e o país para uma indústria energética cada vez mais diversificada e orientada para novas soluções.

Pressão sobre a tesouraria da Sonangol

Quanto à situação financeira da Sonangol, o presidente do Conselho de Administração explicou que a empresa enfrenta pressão de tesouraria por ser responsável pela importação de grande parte do combustível consumido em Angola e, posteriormente, comercializar os produtos a preços inferiores aos praticados no mercado internacional.

Apesar deste constrangimento, Pai Querido destacou o peso da Sonangol no sector petrolífero nacional. A empresa participa em 41 concessões, opera 11 blocos e é, segundo o seu presidente, o maior contribuinte financeiro para as operações petrolíferas em Angola.

A posição da Sonangol na cadeia energética nacional confere-lhe uma responsabilidade central no abastecimento do mercado interno, mas também coloca desafios relacionados com o equilíbrio financeiro, a sustentabilidade das operações e a necessidade de garantir maior eficiência ao longo da cadeia de valor.

Refinaria do Lobito avança

Sobre a Refinaria do Lobito, o responsável garantiu que as obras estão a avançar, sublinhando que o projecto está a ser conduzido com fundos próprios da Sonangol.

A construção mantém-se num ritmo que permita reduzir a dependência de Angola da importação de produtos refinados. A entrada em funcionamento da refinaria é considerada estratégica para reforçar a capacidade nacional de processamento, melhorar a segurança do abastecimento e reduzir a exposição do país às oscilações do mercado internacional.

Pai Querido defendeu, por fim, a importância de refinar, dentro do próprio país, o petróleo produzido em Angola. Na sua perspectiva, esta medida contribuirá para a sustentabilidade, a segurança energética e a soberania nacional, sobretudo num contexto internacional em que o acesso regular a combustíveis se tornou cada vez mais estratégico.

A celebração dos 32 anos do Bloco 15 reafirma, assim, a importância de activos petrolíferos de longa duração para a economia angolana. A produção, a formação de quadros, a transferência de tecnologia e a participação nacional continuam a ser elementos determinantes para garantir que o sector contribua de forma mais ampla para o crescimento económico e para o desenvolvimento sustentável do país.

Edição: João Marcelo de Souza

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