Mauro Rogério, Administrador Executivo do Bank BIC Namibia, defende que o financiamento deve acompanhar projectos viáveis, apoiar a produção e contribuir para a diversificação económica. No AFIS 2026, o gestor destacou a especialização no agronegócio, a literacia financeira e as oportunidades de aproximação entre os mercados angolano e namibiano.
O nosso negócio é gerir o risco.
A afirmação de Mauro Rogério resume a posição apresentada pelo responsável do BIC sobre o papel da banca no financiamento da economia: analisar os projectos, compreender a sua actividade e identificar condições que permitam à empresa crescer e cumprir os compromissos financeiros assumidos.
Em entrevista à margem do Africa Financial Summit — AFIS 2026, em Luanda, o Administrador Executivo do Bank BIC Namibia abordou o apoio à produção em Angola, a inclusão financeira e a actividade da instituição na Namíbia. A sua participação no encontro foi também anunciada pelos canais oficiais do banco namibiano.
Para o gestor, a presença no AFIS permite conhecer soluções desenvolvidas noutros mercados africanos, estabelecer relações entre instituições e encontrar formas de facilitar o comércio dentro do continente.
Crédito para empresas que produzem.
Mauro Rogério considera o crédito um instrumento de transformação económica e defende uma relação próxima entre os bancos e as empresas ligadas à produção nacional.
Segundo explicou, o trabalho começa pelo conhecimento da actividade: compreender o negócio, identificar os seus desafios e avaliar a sustentabilidade do projecto que procura financiamento.
O objectivo apresentado é apoiar iniciativas com capacidade para produzir localmente, gerar rendimento e assegurar a continuidade da empresa.
O gestor rejeitou a ideia de que o desenvolvimento económico exige que a banca abandone a análise do risco. Na sua perspectiva, conhecer e gerir esse risco é precisamente o que permite financiar a actividade produtiva com maior consistência.
A capacidade de reembolso foi apontada como uma condição essencial. Um projecto financiado precisa de conseguir cumprir as suas obrigações e continuar a operar, preservando a sua própria sustentabilidade.
Especialização para compreender o agronegócio.
Como exemplo dessa abordagem, Mauro Rogério destacou o BIC Agro, estrutura especializada no acompanhamento de projectos agrícolas.
O responsável considera que o conhecimento sectorial permite avaliar melhor as propostas e compreender os factores que podem favorecer ou comprometer a sua execução.
A existência de uma área dedicada ao agronegócio encontra correspondência na oferta institucional do Banco BIC em Angola, que apresenta o BIC Agro como uma componente do apoio à produção nacional.
Na entrevista, Mauro Rogério dirigiu um convite aos empresários que consideram difícil o acesso ao financiamento: apresentar os seus projectos para análise e discussão com o banco.
A disponibilidade manifestada está associada à avaliação de viabilidade. O gestor afirmou que a instituição procura conhecer propostas sustentáveis e dar uma resposta sobre as condições necessárias ao seu financiamento.
A análise pode ajudar a melhorar o projecto.
Mauro Rogério atribui também à relação bancária uma função de orientação empresarial.
Quando uma proposta ainda não reúne condições para avançar, explicou, o banco procura indicar os aspectos que precisam de ser ajustados para melhorar a sua viabilidade.
Essa orientação pode envolver a forma como o projecto está organizado ou estruturado financeiramente. A intenção apresentada é permitir que o empresário compreenda os pontos identificados na análise e trabalhe sobre eles.
Para o responsável, esta intervenção integra o esforço de educação financeira desenvolvido pela instituição.
A mesma preocupação aplica-se ao crédito ao consumo. Mauro Rogério reconheceu a importância deste segmento e afirmou que o financiamento deve ser acompanhado de literacia financeira, ajudando os clientes a compreender os seus compromissos e a evitar um endividamento excessivo.
A abordagem descrita relaciona, assim, o acesso ao crédito com a capacidade de o utilizar e reembolsar de forma sustentável.
Inclusão financeira através de produtos e proximidade.
No domínio da inclusão financeira, o gestor referiu produtos como a conta Bankita, os cartões e a presença territorial da rede de agências em Angola.
A conta Bankita integra efectivamente a oferta do Banco BIC para particulares, associada ao acesso a serviços bancários básicos.
Mauro Rogério salientou ainda a importância de chegar a localidades onde a oferta de serviços financeiros é mais limitada.
Na sua avaliação, a proximidade física continua a ser relevante para integrar pessoas no sistema bancário e criar uma relação com os serviços disponíveis.
O financiamento das empresas foi também relacionado com esta dimensão social. Ao apoiar negócios capazes de manter ou ampliar a actividade, o banco procura contribuir para a criação de emprego e acompanhar as necessidades financeiras dos respectivos trabalhadores.
A ligação com a Namíbia
A actividade do Bank BIC Namibia ocupou uma parte específica da entrevista.
Segundo Mauro Rogério, a instituição conta com dez anos de operações e cinco agências, desenvolvendo uma oferta dirigida a particulares e empresas.
Para o público angolano, o responsável destacou a possibilidade de abertura de contas para não residentes, nomeadamente para cidadãos que se deslocam regularmente à Namíbia. A existência de soluções para este segmento é também apresentada na informação pública do banco.
O gestor referiu igualmente possibilidades de financiamento à habitação para clientes não residentes, no quadro da avaliação das respectivas operações.
Esta oferta foi enquadrada na intenção de facilitar o acesso a serviços financeiros e apoiar a aquisição de activos.
Para pessoas e empresas com relações regulares entre os dois países, uma relação bancária local pode facilitar a gestão das necessidades financeiras associadas a essas deslocações e actividades.
A presença regional foi, aliás, um dos motivos apresentados para a participação no AFIS: conhecer parceiros, acompanhar outras experiências e fomentar as trocas comerciais africanas.
O horizonte de 2030
Questionado sobre o legado que o BIC pretende construir até 2030, Mauro Rogério apontou a diversificação económica como uma prioridade.
Queremos ser um pilar na diversificação da economia
Afirmou. O resultado que ambiciona ver é concreto: empresários ligados à agricultura e à indústria com negócios consolidados, capazes de reconhecer o apoio do banco no seu percurso de crescimento.
Nesta visão, o contributo da instituição deverá tornar-se visível nas empresas que conseguem produzir, ampliar a actividade e manter os seus compromissos financeiros.
A orientação apresentada combina especialização sectorial, análise de viabilidade e acompanhamento dos empresários. Para Mauro Rogério, é através dessas relações que o crédito pode contribuir para transformar projectos em actividade produtiva duradoura.Fonte principal: entrevista gravada com Mauro Rogério, Administrador Executivo do Bank BIC Namibia, à margem do AFIS 2026.


