No AFIS 2026, Efigénia Tonha, Administradora Executiva do Banco Keve, destacou o financiamento às empresas de conteúdo local e a digitalização dos serviços empresariais. Contas correntes caucionadas, factoring e confirming integram uma oferta orientada para responder às necessidades de liquidez das empresas e dar maior autonomia aos clientes.
O Banco Keve está a apostar em soluções de financiamento de curto prazo para apoiar empresas angolanas que prestam serviços aos sectores da mineração e do petróleo e gás.
Em entrevista à margem do Africa Financial Summit — AFIS 2026, em Luanda, Efigénia Tonha, Administradora Executiva da instituição, explicou que o conteúdo local tem ocupado um lugar relevante na actuação do banco nos últimos anos.
A orientação passa por disponibilizar instrumentos que ajudem as empresas a assegurar pagamentos, antecipar recebimentos e responder às necessidades de tesouraria que surgem durante a execução dos seus contratos.
Para o Keve, a participação no encontro constituiu também uma oportunidade para conhecer outras experiências e estabelecer relações que contribuam para melhorar o crédito, os serviços transaccionais e o acompanhamento dos clientes.
Transformar facturas em liquidez
Entre as soluções apresentadas por Efigénia Tonha encontram-se as contas correntes caucionadas, através das quais o banco disponibiliza um limite de crédito para apoiar pagamentos e necessidades pontuais das empresas.
A administradora destacou também o factoring, que permite antecipar o recebimento de facturas emitidas aos clientes.
Na prática, uma empresa que já prestou um serviço ou forneceu um produto pode necessitar de recursos antes da data prevista para receber. A antecipação desses valores ajuda a gerir o intervalo entre a realização da actividade e a entrada do dinheiro.
O confirming surge associado ao pagamento a fornecedores. Na explicação apresentada, o banco pode apoiar a empresa compradora no cumprimento dos pagamentos acordados, recorrendo a financiamento quando existe uma necessidade de liquidez.
A oferta institucional do Keve inclui o Self-Confirming, dirigido a PME e empresas do segmento Corporate com uma rede consolidada de fornecedores domésticos. O produto prevê a cobertura de facturas através de crédito na data de pagamento acordada.
Estas soluções respondem a momentos diferentes da actividade empresarial: assegurar disponibilidade para pagamentos, antecipar receitas ou organizar compromissos com fornecedores.
Para as empresas de conteúdo local, a sua utilidade está ligada à capacidade de manter a operação enquanto executam contratos e aguardam os respectivos recebimentos.
Informação organizada para construir confiança
O Keve tem concentrado a sua actuação nas médias e grandes empresas. Neste segmento, Efigénia Tonha considera que a qualidade da informação apresentada pelos clientes é fundamental para desenvolver a relação bancária.
A responsável destacou a importância da contabilidade organizada, da facturação declarada e das certidões de registo comercial actualizadas.
Segundo explicou, o banco procura assegurar que estes elementos estejam disponíveis desde o processo de abertura de conta. Uma informação mais completa permite conhecer melhor a empresa, compreender a sua actividade e construir confiança para analisar novas operações de crédito.
A organização empresarial ganha, assim, uma função prática no acesso ao financiamento: ajuda a instituição financeira a avaliar a capacidade do cliente e a acompanhar a evolução do negócio.
Na abordagem descrita, a proximidade entre banco e empresa depende também da consistência dos dados que sustentam essa relação.

Operações a partir do escritório
A transformação digital apresentada por Efigénia Tonha inclui serviços para dar maior autonomia aos clientes empresariais.
A administradora referiu o internet banking, através do qual os utilizadores podem realizar operações como pagamentos de impostos, transferências interbancárias, operações para o estrangeiro e aplicações a prazo.
Destacou igualmente um canal Corporate, identificado como C2B, que permite aos clientes efectuar operações internacionais a partir do escritório, utilizando a rede SWIFT.
O objectivo é facilitar a relação operacional com o banco e permitir que as empresas tratem de diferentes necessidades financeiras através dos canais disponibilizados.
A digitalização abrange também o funcionamento interno da instituição
Efigénia Tonha explicou que o Keve tem desenvolvido fluxos de trabalho que permitem às equipas comerciais registar os pedidos dos clientes e acompanhar a sua passagem pelas áreas de compliance, operações e financeira, até à execução.
Na avaliação da administradora, este acompanhamento contribui para aumentar a eficiência dos processos e melhorar a satisfação dos clientes.
A proposta combina, portanto, a autonomia de quem utiliza os serviços com uma maior capacidade interna para seguir o percurso de cada pedido.
Financiar os sectores estratégicos em 2027
Na perspectiva para 2027, Efigénia Tonha afirmou que a estratégia do Keve está definida e mantém o apoio financeiro aos sectores considerados relevantes para o desenvolvimento do país.
Entre as prioridades identificadas encontram-se o agronegócio, a mineração, o petróleo e gás, a indústria transformadora e a logística.
O banco pretende acompanhar estes sectores com soluções que proporcionem rapidez e autonomia aos clientes, ao mesmo tempo que reforça a sua capacidade para estruturar financiamento.
A administradora relacionou esta orientação com a ambição de aumentar a capacidade produtiva nacional, reduzir a dependência das importações e criar condições para uma maior participação de Angola nos mercados de exportação.
Trata-se de uma visão que aproxima a actividade bancária das necessidades de produção e circulação de bens: financiar empresas que produzem, transformam, transportam ou fornecem serviços às principais cadeias económicas.
Estarmos estruturados para conseguir financiar os sectores estratégicos do país
foi a forma como Efigénia Tonha sintetizou essa prioridade.
Um posicionamento centrado nas empresas
O enfoque no segmento empresarial enquadra-se num percurso que recebeu reconhecimento internacional em 2026.Em Julho, o Banco Keve anunciou a distinção da Euromoney como Melhor Banco para Grandes Empresas de Angola 2026.
Na entrevista realizada no AFIS, esse posicionamento foi explicado através de instrumentos concretos: financiamento de tesouraria, antecipação de recebimentos, apoio aos pagamentos e canais digitais para a gestão das operações.
Para uma empresa fornecedora da mineração ou do petróleo e gás, a qualidade dessa relação mede-se no quotidiano: conseguir executar o contrato, cumprir compromissos e acompanhar os movimentos financeiros do negócio.
É nessa ligação entre financiamento e operação que o Keve situa a sua proposta para apoiar o conteúdo local e os sectores produtivos angolanos.
Fonte principal: entrevista gravada com Efigénia Tonha, Administradora Executiva do Banco Keve, à margem do AFIS 2026.


