Quinta-feira, Setembro 10, 2026

Brimont aposta na engenharia e na industrialização para reduzir importações

A empresa angolana apresentou na Angola Oil & Gas 2026 serviços de monitorização de corrosão, injecção de químicos e inspecção submarina com mini-ROVs. Para o director Artur Chalila, o crescimento do conteúdo local depende da capacidade tecnológica, da industrialização e da formação de jovens quadros.

A participação da Brimont na Angola Oil & Gas 2026 representa uma oportunidade para demonstrar ao mercado as competências desenvolvidas pela empresa e reforçar a confiança dos clientes nas soluções produzidas em Angola.

Em entrevista à Revista Executivo, o director da Brimont, Artur Chalila, destacou a importância do evento como plataforma de exposição da marca, aproximação às operadoras e apresentação das capacidades dos quadros angolanos.

“É uma plataforma importante para a exposição da nossa marca e das nossas competências, permitindo que os clientes nos conheçam e tenham confiança para trabalhar connosco”, afirmou.

Engenharia como prioridade

Embora a Brimont tenha actividades ligadas à produção de químicos e ao fabrico de fardamento de trabalho, a participação na edição de 2026 está particularmente concentrada na divulgação dos serviços de engenharia.

A empresa apresentou três segmentos principais: monitorização de corrosão, injecção de químicos e inspecção submarina realizada com recurso a mini-ROVs — veículos operados remotamente que permitem observar e avaliar infra-estruturas subaquáticas.

Estas soluções estão directamente relacionadas com a segurança, a integridade e a eficiência das operações petrolíferas. Ao disponibilizá-las através de profissionais nacionais, a Brimont pretende demonstrar que as empresas angolanas podem responder a necessidades técnicas cada vez mais complexas.

Segundo Artur Chalila, os serviços apresentados reflectem as competências dos quadros angolanos e a sua capacidade para desenvolver soluções adequadas às exigências do mercado.

Industrializar para competir

Para os próximos cinco a dez anos, a industrialização continuará a ser uma das grandes prioridades estratégicas da Brimont.

“Sem industrialização é muito difícil competir neste mercado, porque dependemos muito das importações”, observou o director.

A redução da dependência externa poderá melhorar a disponibilidade de produtos e serviços, diminuir a exposição das empresas às perturbações internacionais e fortalecer a cadeia nacional de fornecimento.

Artur Chalila considera que o sector petrolífero continuará a gerar oportunidades nos próximos anos, mas defende que as empresas de conteúdo local precisam de avançar para um novo nível, oferecendo respostas tecnológicas consistentes e competitivas.

Uma maior participação das empresas nacionais na cadeia de valor do petróleo e gás terá, segundo o responsável, impacto directo na economia e na sociedade, através da criação de empregos, integração de jovens profissionais e contratação de fornecedores angolanos.

Cerca de 12 jovens por ano

A Brimont é constituída maioritariamente por jovens quadros angolanos e mantém programas de estágio e desenvolvimento profissional para recém-licenciados.

De acordo com Artur Chalila, a empresa recebe anualmente cerca de 12 candidatos para períodos de estágio. Os participantes que apresentam resultados positivos podem ser integrados no quadro efectivo da organização.

Um departamento interno acompanha os jovens e orienta a sua inserção nas áreas técnicas e nos serviços onde a empresa identifica necessidades.

“Só vamos construir este país com quadros angolanos. Queremos continuar a fazer parte da formação dos jovens do futuro”, sublinhou.

Conhecimento produzido dentro das empresas

A Brimont manifestou igualmente disponibilidade para estabelecer uma parceria institucional com a Revista Executivo, destinada à divulgação de artigos científicos, técnicos e empresariais produzidos por investigadores, académicos e jovens profissionais angolanos.

Para a empresa, os artigos de opinião e os conteúdos tecnológicos podem dar visibilidade às competências dos jovens e criar novas oportunidades para a circulação do conhecimento produzido internamente.

Aos jovens que pretendem construir uma carreira ou criar uma empresa no sector petrolífero, Artur Chalila deixou uma mensagem centrada na persistência.

“Entrar no sector não é fácil. É preciso ter um horizonte claro, um objectivo definido e, sobretudo, resiliência.”

Edição: João Marcelo de Souza

Versão em inglês

BRIMONT FOCUSES ON ENGINEERING AND INDUSTRIALIZATION TO REDUCE IMPORTS

The Angolan company showcased corrosion monitoring, chemical injection, and underwater inspection services using mini-ROVs at Angola Oil & Gas 2026. According to Director Artur Chalila, growth in local content depends on technological capacity, industrialization, and the training of young professionals.

Brimont’s participation in Angola Oil & Gas 2026 represents an opportunity to demonstrate to the market the capabilities developed by the company and to strengthen customer confidence in solutions produced in Angola.

In an interview with Executivo Magazine, Brimont Director Artur Chalila highlighted the importance of the event as a platform for brand exposure, building relationships with operators, and showcasing the capabilities of Angolan staff.

“It is an important platform for showcasing our brand and our expertise, allowing customers to get to know us and feel confident about working with us,” he said.

Engineering as a Priority

Although Brimont is involved in chemical production and the manufacture of work uniforms, its participation in the 2026 edition is particularly focused on promoting its engineering services.

The company presented three main segments: corrosion monitoring, chemical injection, and underwater inspection using mini-ROVs—remotely operated vehicles that allow for the observation and assessment of underwater infrastructure.

These solutions are directly related to the safety, integrity, and efficiency of oil operations. By providing them through local professionals, Brimont aims to demonstrate that Angolan companies can meet increasingly complex technical needs.

According to Artur Chalila, the services presented reflect the skills of Angolan staff and their ability to develop solutions tailored to market demands.

Industrialization to Compete

For the next five to ten years, industrialization will remain one of Brimont’s top strategic priorities.

“Without industrialization, it is very difficult to compete in this market, because we rely heavily on imports,” noted the director.

Reducing external dependence could improve the availability of products and services, reduce companies’ exposure to international disruptions, and strengthen the national supply chain.

Artur Chalila believes that the oil sector will continue to generate opportunities in the coming years, but argues that local companies need to advance to a new level by offering consistent and competitive technological solutions.

Greater participation by domestic companies in the oil and gas value chain will, according to the director, have a direct impact on the economy and society through job creation, the integration of young professionals, and the hiring of Angolan suppliers.

About 12 young people per year

Brimont is composed mainly of young Angolan professionals and maintains internship and professional development programs for recent graduates.

According to Artur Chalila, the company accepts about 12 candidates annually for internships. Participants who perform well may be hired as permanent employees of the organization.

An internal department mentors these young professionals and guides their integration into technical areas and departments where the company identifies needs.

“We will only build this country with Angolan professionals. We want to continue playing a role in training the young people of the future,” he emphasized.

Knowledge generated within companies

Brimont also expressed its willingness to establish an institutional partnership with Executivo Magazine, aimed at publishing scientific, technical, and business articles produced by Angolan researchers, academics, and young professionals.

For the company, opinion pieces and technological content can highlight the skills of young people and create new opportunities for the dissemination of knowledge produced internally.

To young people who wish to build a career or start a business in the oil sector, Artur Chalila offered a message centered on persistence.

“Breaking into the sector isn’t easy. You need to have a clear vision, a defined goal, and, above all, resilience.”

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