Domingo, Junho 28, 2026

Moçambique inaugura Sistema Integrado de Comunicações de Emergência

O Sistema Integrado de Comunicações de Emergência foi concebido para garantir a continuidade das comunicações, mesmo em cenários adversos. A afirmação foi feita pelo Ministro das Comunicações e Transformação Digital de Moçambique.

O Ministro das Comunicações e Transformação Digital de Moçambique, Américo Muchanga, procedeu, esta terça-feira, à inauguração dos Centros de Comunicações de Emergência e do Sistema Integrado de Comunicações de Emergência, uma iniciativa liderada pela Autoridade Reguladora das Comunicações de Moçambique (INCM), destinada a reforçar a capacidade nacional de resposta a calamidades naturais e outras situações de emergência.

Na ocasião, Américo Muchanga afirmou que a inauguração representa muito mais do que a entrega de uma infra-estrutura tecnológica, constituindo um passo decisivo para o reforço da capacidade do país na gestão de desastres e na protecção das populações vulneráveis.

“Este sistema representa um compromisso firme do Governo de Moçambique com a protecção da vida humana, a salvaguarda de bens e o fortalecimento da resiliência nacional face aos desafios impostos pelas mudanças climáticas”, destacou.

O governante recordou que Moçambique continua entre os países mais afectados por fenómenos climáticos extremos, salientando os impactos devastadores dos ciclones Idai e Kenneth, em 2019, bem como de eventos mais recentes, como os ciclones Gombe e Freddy e a tempestade tropical Filipo.

Segundo explicou, o Sistema Integrado de Comunicações de Emergência foi concebido para assegurar a continuidade das comunicações, mesmo em cenários adversos, garantindo a coordenação entre as instituições envolvidas na gestão de crises.

A solução integra tecnologia satelital e uma unidade móvel de emergência, permitindo ao país manter capacidade de comunicação em qualquer ponto do território nacional, incluindo zonas remotas ou severamente afectadas por desastres naturais.

Com equipamentos estrategicamente posicionados em Maputo, Caia e Nacala, o sistema dispõe ainda de mecanismos avançados de monitorização e gestão, possibilitando a visualização de informação em tempo real e facilitando a articulação entre os diferentes níveis de decisão.

“Esta capacidade permitirá reforçar a coordenação institucional e reduzir significativamente os tempos de resposta em situações críticas”, sublinhou o ministro.

Américo Muchanga salientou igualmente o papel desempenhado pelas instituições nacionais envolvidas no projecto, nomeadamente o INCM, o Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD) e o Centro Nacional Operativo de Emergência (CENOE).

“Este projecto demonstra que uma gestão eficaz de emergências depende de uma forte articulação institucional e de sistemas modernos de comunicação capazes de garantir a circulação rápida e segura da informação”, afirmou.

Por sua vez, a Presidente do INGD, Luísa Meque, considerou que a entrada em funcionamento do sistema simboliza um compromisso colectivo com a protecção das comunidades mais expostas aos riscos climáticos.

A dirigente recordou que Moçambique é um dos países mais vulneráveis aos efeitos das mudanças climáticas, enfrentando regularmente cheias, secas, ciclones e tempestades tropicais, circunstâncias que exigem uma cooperação permanente entre instituições nacionais e parceiros internacionais.

Destacou ainda que a colaboração entre o INGD, o INCM e outras entidades permitiu reforçar os sistemas de alerta precoce e melhorar a disseminação de mensagens de prevenção junto das populações.

Como exemplo, referiu que, durante a época chuvosa de 2025/2026, foram enviados mais de 300 milhões de SMS de alerta, permitindo que milhões de moçambicanos recebessem informações atempadas sobre riscos iminentes e adoptassem medidas de protecção adequadas.

Luísa Meque reconheceu igualmente o apoio prestado pelo INCM na criação e modernização das salas de controlo e gestão de emergências, instrumentos considerados fundamentais para melhorar a coordenação das operações de resposta.

Apesar dos progressos alcançados, defendeu a necessidade de continuar a investir nas estruturas locais de gestão do risco de desastres, no reforço das capacidades comunitárias e na expansão dos sistemas de aviso prévio.

“O nosso objectivo é garantir que todas as pessoas, independentemente da sua localização, tenham acesso à informação de alerta precoce e possam agir atempadamente para proteger as suas vidas e os seus bens”, concluiu.

Segundo dados citados pela Forbes, o projecto foi implementado no âmbito do Programa de Aceleração Digital de Moçambique (PADIM), com o apoio financeiro do Banco Mundial. A inauguração dos Centros de Comunicações de Emergência representa um marco importante nos esforços do país para modernizar a gestão de calamidades, reforçando a preparação, a coordenação institucional e a capacidade de resposta perante eventos climáticos cada vez mais frequentes e severos.

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