Encontro entre a Câmara de Comércio e Indústria de Gás, Petróleo e Mineiros de Angola e o Sichuan Institute of Geological Survey abriu caminho para novos acordos nas áreas de mineração, tecnologia, financiamento e formação de quadros.
REVISTA EXECUTIVO | DIPLOMACIA
Angola procura reforçar a cooperação internacional no sector mineiro, com particular atenção às terras raras e ao cobre. Durante um encontro bilateral realizado esta terça-feira, 22, em Luanda, entre representantes da Câmara de Comércio e Indústria de Gás, Petróleo e Mineiros de Angola (CCIGPMA) e uma delegação do Sichuan Institute of Geological Survey, da China.
A missão chinesa foi liderada pelo director-geral e secretário do Comité do Partido da instituição, Jiang Jun. O encontro teve como foco a criação de novas parcerias nas áreas de investigação geológica, exploração e produção mineira, transferência de tecnologia, financiamento e formação de profissionais angolanos.
O Sichuan Institute of Geological Survey é uma instituição de referência internacional com décadas de liderança em investigação geofísica, geoquímica, mapeamento regional avançado e inovação tecnológica em mineração verde. A sua vasta competência técnica em sondagem profunda e avaliação exaustiva de recursos minerais traz para Angola um selo de rigor científico inigualável, catalisando a modernização do subsetor mineiro nacional através de sinergias institucionais de alto impacto.
Durante as reuniões foram lançadas as bases para a celebração de acordos entre instituições académicas, sociedades mineiras e parceiros internacionais. Entre as entidades envolvidas está a Universidade Agostinho Neto.
Os instrumentos de cooperação em preparação deverão abranger três áreas principais: financiamento e compra da produção mineral, prestação de serviços geológicos e de produção, e formação de estudantes e profissionais.
No domínio comercial, estão previstas parcerias financeiras e acordos de off-take, mecanismo que permite assegurar previamente a compra de parte da produção mineral. A medida poderá contribuir para criar maior previsibilidade para os projectos e facilitar o acesso ao mercado internacional.
Na vertente técnica, a cooperação deverá incluir transferência de conhecimento em exploração mineral, cartografia geológica de precisão e aplicação de tecnologias destinadas a tornar os processos mineiros mais eficientes e ambientalmente sustentáveis.
A formação de quadros surge igualmente como uma das prioridades, através de programas de capacitação, intercâmbio científico e especialização técnica destinados a estudantes e profissionais angolanos.
Entre os projectos de referência está o Projecto de Terras Raras de Longonjo, no Huambo, desenvolvido pela Ozango Minerais S.A., com participação do Fundo Soberano de Angola e da Pensana PLC. O projecto está associado a um depósito de minerais críticos e metais magnéticos, cuja ligação ao Corredor do Lobito constitui um elemento relevante para o escoamento da futura produção.
Outro dado citado no âmbito da expansão do sector é a Mina Tetelo, associada à exploração de cobre. Segundo os apresentados durante o processo de cooperação, a operação já terá ultrapassado 725 mil toneladas de minério lavrado, com projecções de cerca de 11 mil toneladas de cobre contido.
A meta apresentada para o projecto prevê alcançar uma capacidade de 13.200 toneladas de minério por dia e criar até 3.600 postos de trabalho locais até 2030.
Para além do aumento da produção mineral, a cooperação pretende aproximar a actividade mineira da investigação científica e da formação de recursos humanos.
A expectativa é que a expansão dos projectos de terras raras e cobre contribua para aumentar a procura por geólogos, engenheiros de minas, técnicos de laboratório, especialistas ambientais e outros profissionais especializados.
Com o avanço dos projectos de terras raras e cobre, a capacidade de assegurar tecnologia, financiamento, formação especializada, infra-estruturas e acesso aos mercados internacionais será determinante para o impacto económico do sector.
O encontro representa, assim, mais um passo na aproximação entre Angola e a China no domínio dos recursos minerais, numa altura em que minerais como o cobre e as terras raras assumem importância crescente para várias cadeias industriais e tecnológicas globais.
Por Jorgina Manuela
Edição: João Marcelo de Souza


