Guilherme Bavilacqua, CEO da BDM Engenharia e Tecnologia, defende que Angola deve ligar estradas, portos, caminhos de ferro e plataformas logísticas num sistema previsível, tecnologicamente avançado e capaz de atrair investimento, financiamento e negócios para os mercados regionais e internacionais.
No Angola Hub Transporte & Logística Summit 2026, a BDM Engenharia e Tecnologia apresentou uma visão clara: a modernização das infra-estruturas não pode ser tratada como um conjunto de obras isoladas. Para Guilherme Bavilacqua, CEO da empresa, o verdadeiro desafio é construir corredores logísticos integrados, capazes de ligar os produtores aos consumidores, reduzir custos, elevar a eficiência operacional e abrir Angola ao comércio regional e global.
“A manutenção, modernização e ampliação da malha rodoviária e ferroviária continuam a ser prioridades”, afirma.
Mas a equação é mais ampla: exige integração entre os vários modais de transporte, regulação eficaz, segurança operacional e uma aposta permanente na capacitação do capital humano. Sem estes pilares, a diversificação económica e o desenvolvimento social do país ficam condicionados.
A engenharia entra, assim, como instrumento estratégico de competitividade. Estradas, ferrovias, portos, aeroportos e plataformas logísticas devem funcionar como uma cadeia contínua, reduzindo tempos de trânsito, perdas e incerteza para empresas nacionais, exportadores e investidores. Quanto mais previsível for a circulação de mercadorias, mais forte será a capacidade de Angola captar parceiros estratégicos, financiamento internacional e investimento privado.
A BDM tem procurado responder a este desafio com tecnologia aplicada a todo o ciclo de vida dos projectos. A empresa investe na formação técnica dos seus quadros e utiliza drones, lasers e equipamentos de investigação para analisar o subsolo, detectar falhas geológicas, avaliar pavimentos e identificar possíveis vazamentos em linhas de águas subterrâneas. Mantém igualmente um laboratório destinado a ensaios e controlo de qualidade dos materiais usados na construção.
Na fase de concepção, a empresa recorre à metodologia BIM — Building Information Modeling, articulada com Inteligência Artificial. Esta abordagem permite criar modelos digitais que acompanham o projecto desde o estudo e planeamento até à construção, entrega, operação e manutenção da infra-estrutura. Na prática, significa antecipar riscos, melhorar a gestão de informação, controlar custos e prazos e tomar decisões com maior rigor técnico.
A sustentabilidade é outra dimensão central. A BDM promove o uso de materiais reciclados, estruturas pré-moldadas, painéis solares, equipamentos de automação e sensores de Internet das Coisas.
“O objectivo é claro: infra-estruturas mais eficientes do ponto de vista energético, mais conectadas e menos dispendiosas ao longo da sua vida útil.”
A carteira de actuação evidencia a presença da empresa em projectos estruturantes. No sector rodoviário, a BDM participa na reabilitação e construção de vias como a EN 140, EN 105 e EN 180. A sua experiência estende-se aos modais portuário, ferroviário, aeroportuário e logístico, com intervenções ligadas ao Porto do Lobito, Terminal Oceânico da Barra do Dande, Terminal Ferroviário da Caála, Aeroportos de M’Banza Kongo e Cabinda, além de diversas plataformas logísticas.
Para Bavilacqua, os futuros sistemas BRT poderão também alterar profundamente a mobilidade urbana de Luanda, ao criar soluções de transporte colectivo mais organizadas, rápidas e eficientes. O ponto comum entre todas estas iniciativas é a necessidade de planeamento integrado: o crescimento económico não será sustentável se a produção agrícola, industrial e mineira continuar distante dos portos, aeroportos e mercados de destino.
A mensagem aos investidores é directa. Angola tem necessidade de capital, mas também de projectos tecnicamente sólidos, com estudos robustos, fiscalização competente, mecanismos regulatórios claros e capacidade de execução local. É nesta combinação que se reduzem riscos e se tornam viáveis parcerias público-privadas, linhas de financiamento e investimentos de longo prazo.
Com 21 anos de actividade, a BDM coloca a engenharia nacional no centro desta ambição. Mais de 85% dos seus colaboradores são angolanos, resultado de uma aposta contínua em formação, transferência de conhecimento, workshops e treino prático. A empresa afirma já ter formado líderes e técnicos nacionais em todos os níveis da organização.
É uma visão alinhada com o propósito do Angola Hub Transporte & Logística Summit 2026: transformar conectividade em negócios concretos. Ao capacitar quadros, aplicar inovação e desenhar infra-estruturas com visão de longo prazo, a BDM contribui para que Angola não seja apenas território de passagem, mas uma plataforma de produção, exportação , investimento e integração regional.
Edição João Marcelo de Souza


