Bastonário da Ordem dos Economistas de Angola defende uma profissão mais próxima dos desafios nacionais, das universidades, das empresas e das políticas públicas.
A economia angolana exige debate técnico, visão estratégica e soluções que estejam ligadas à realidade das famílias, das empresas e das províncias. É neste enquadramento que a presença de Wilson Neves, Bastonário da Ordem dos Economistas de Angola, no Angola Economic Forum 2026 assume especial relevância.
No AEF, Wilson Neves participou no painel dedicado à relação entre Angola e o Fundo Monetário Internacional, com foco na estabilidade macroeconómica, nas reformas e nos desafios do crescimento. A intervenção insere-se num debate decisivo: como assegurar equilíbrio fiscal e monetário sem travar a produção, o emprego e a diversificação económica?
Uma nova etapa para a Ordem dos Economistas
Eleito Bastonário da Ordem dos Economistas de Angola para o mandato 2026–2030, Wilson Neves representa uma nova fase institucional da classe. A visão assumida é a de uma Ordem mais unida, mais moderna, mais influente e mais próxima dos grandes desafios económicos do país.
Esta ambição vai além da representação profissional. A Ordem pode e deve ser uma plataforma de conhecimento, ética, investigação e intervenção pública, ajudando a elevar a qualidade das decisões económicas em Angola.
Num país com enormes potencialidades, mas também com desafios estruturais profundos, os economistas têm responsabilidade acrescida: interpretar os dados, antecipar riscos, apresentar soluções e participar de forma construtiva na formulação de políticas públicas.
Estabilidade com crescimento e inclusão
O debate sobre a estabilidade macroeconómica não pode ficar limitado a indicadores técnicos. A inflação, a taxa de câmbio, a dívida pública, o crédito e os impostos são assuntos que chegam diariamente às empresas, aos preços dos alimentos, ao transporte, à habitação e à vida das famílias.
Por isso, a estabilidade deve ser entendida como uma ferramenta para gerar confiança e crescimento, e não apenas como um objectivo de gestão financeira.
Angola precisa de contas públicas sustentáveis, de um sistema financeiro sólido e de maior credibilidade junto dos investidores. Mas precisa igualmente de crescimento inclusivo, emprego para a juventude, empresas produtivas e oportunidades em todo o território nacional.
O equilíbrio entre estas duas dimensões — rigor macroeconómico e desenvolvimento social — será uma das grandes tarefas da próxima etapa do país.
Aproximar a academia da economia real
Uma das linhas marcantes do actual mandato de Wilson Neves é o reforço da ligação entre a Ordem dos Economistas e as instituições de ensino superior.
Em 2026, a OEA avançou com protocolos e encontros institucionais com universidades, apostando na formação de quadros, investigação científica, extensão universitária e valorização da profissão. A prioridade é clara: aproximar o conhecimento académico do exercício profissional e das necessidades concretas da economia angolana.
Esta ligação é essencial. As universidades formam os quadros que irão liderar empresas, bancos, administrações públicas e projectos de desenvolvimento. Ao mesmo tempo, a economia real deve alimentar a academia com problemas concretos, casos de estudo e desafios que exijam investigação aplicada.
Sem esta ponte, Angola corre o risco de formar talento sem ligação ao mercado, ou de tomar decisões económicas sem o necessário apoio técnico e científico.
Economistas como voz activa do desenvolvimento
A Ordem dos Economistas pode ter um papel determinante na promoção de uma cultura de análise, transparência e responsabilidade.
A contribuição dos economistas é necessária em áreas como:
- diversificação da economia;
- combate à pobreza;
- emprego e empreendedorismo jovem;
- financiamento à produção;
- formalização da economia;
- desenvolvimento regional;
- qualidade da despesa pública;
- integração económica da África Austral;
- políticas de protecção social;
- avaliação do impacto das reformas.
A economia não deve ser discutida apenas quando surgem dificuldades. Deve ser pensada permanentemente, com dados, cenários, debate aberto e capacidade de antecipação.
Uma mensagem para o AEF e para o país
A presença de Wilson Neves no Angola Economic Forum reforça a importância de colocar os economistas no centro do diálogo nacional. A transformação económica de Angola não dependerá apenas de capital ou de recursos naturais: dependerá da qualidade das escolhas, das instituições e das pessoas que as executam.
O país precisa de uma economia mais diversificada, competitiva e preparada para os desafios regionais e globais. Para isso, precisa também de uma classe de economistas activa, independente, tecnicamente forte e comprometida com o interesse público.
Edição João Marcelo de Souza


