A República Democrática do Congo confirmou, este sábado, a passagem aos oitavos de final do Mundial 2026 com uma vitória de 3-1 sobre o Uzbequistão, numa reviravolta que reforça o peso histórico da sua participação e projeta a seleção africana para um teste de exigência máxima frente à Inglaterra na próxima fase do mata-mata.
Após 52 anos de ausência da fase final de um Campeonato do Mundo, a RD Congo entrou em campo com a consciência de que uma vitória bastava para selar a qualificação. Ainda assim, o início não poderia ter sido mais complicado: o capitão uzbeque, Eldor Shomurodov, abriu o marcador aos 10 minutos, colocando pressão adicional sobre uma equipa que já sentia o peso da ocasião.
Reviravolta com assinatura de Yoane Wissa

Apesar do golo sofrido cedo, a seleção congolesa manteve-se competitiva e foi crescendo ao longo do encontro. A resposta surgiu na segunda parte, quando Yoane Wissa converteu uma grande penalidade a meio do segundo tempo, restabelecendo a igualdade e devolvendo confiança à equipa.
O momento decisivo chegaria perto do fim. O suplente Fiston Mayele marcou aos 78 minutos, com um toque subtil que deixou o guarda-redes sem reação, consumando a reviravolta. Já em período de compensação, Wissa voltou a aparecer em grande plano ao assinar o terceiro golo, fechando uma exibição de enorme impacto individual e coletivo.
Um apuramento com peso simbólico
O triunfo permitiu à RD Congo terminar com quatro pontos e garantir um dos lugares reservados aos melhores terceiros classificados, suficiente para seguir em frente na competição. Para o Uzbequistão, a estreia no Mundial terminou de forma amarga, sem pontos e sem golos marcados, apesar da boa entrada no jogo.
Mais do que a vitória em si, o resultado representa um marco para o futebol congolês. O regresso ao palco maior do futebol mundial, após mais de cinco décadas de espera, dá novo impulso a uma seleção que soube resistir à pressão e transformar um cenário adverso numa noite memorável.
Inglaterra à espera nos oitavos de final
Na próxima eliminatória, a RD Congo vai defrontar a Inglaterra, num embate que promete colocar à prova a maturidade competitiva da equipa africana. O desafio será de outra escala: frente a um adversário com maior profundidade, experiência internacional e forte tradição em fases a eliminar, os congoleses terão de manter a mesma organização, intensidade e eficácia demonstradas na recuperação frente ao Uzbequistão.
O confronto com os ingleses surge, assim, como um verdadeiro teste de afirmação. Se o jogo contra o Uzbequistão provou a capacidade da RD Congo para reagir sob pressão, o próximo encontro medirá a sua capacidade de competir com uma das seleções historicamente mais fortes do futebol europeu.
Uma história ainda em construção

A vitória por 3-1 não vale apenas a passagem de fase: confirma que a RD Congo chega ao mata-mata com ambição, personalidade e um avançado em grande forma, Yoane Wissa, decisivo nos momentos mais importantes. Frente à Inglaterra, a seleção africana sabe que parte de uma posição de outsider, mas já demonstrou que não veio ao Mundial 2026 apenas para marcar presença.
A caminhada continua e, depois desta reviravolta, a RD Congo já mostrou que está preparada para discutir o inesperado.
Por João Marcelo de Souza


