Terça-feira, Setembro 29, 2026

CFM: quando a ferrovia aproxima pessoas e abre caminhos para o desenvolvimento

Yuri Futy destaca o impacto da mobilidade no quotidiano e o potencial do Corredor do Namibe

Para quem precisa de chegar ao trabalho, à escola ou ao mercado, a distância não se mede apenas em quilómetros: mede-se também em tempo, custo e acesso a oportunidades. É a partir desta dimensão humana da mobilidade que Yuri Futy, Director de Comunicação do Caminho de Ferro de Moçâmedes (CFM), aborda o papel da ferrovia no Sul de Angola.

No Angola Hub Summit Podcast, Futy chamou a atenção para a importância do comboio na vida quotidiana das populações. O CFM transporta estudantes, trabalhadores, comerciantes, empresários e famílias. A sua operação ajuda a ligar pessoas às actividades de que dependem e, ao mesmo tempo, mantém em movimento o comércio e a economia local.

Esta função social acompanha uma ambição económica de maior escala. O CFM liga as províncias do Namibe, da Huíla e do Cubango, numa linha com cerca de 747 quilómetros. Além do transporte de passageiros, movimenta mercadorias e correio, integrando uma das principais infra-estruturas logísticas do Sul do país.

A ligação entre mobilidade local e desenvolvimento regional torna-se especialmente clara quando se olha para o Corredor do Namibe. A ferrovia pode apoiar o escoamento de produtos, aproximar zonas de produção dos mercados e reforçar a articulação entre o caminho-de-ferro, o porto e os restantes meios de transporte. Para que este potencial se concretize, são necessários investimento, capacidade operacional e integração entre infra-estruturas.

O CFM prevê elevar o volume de carga transportada para cinco milhões de toneladas em 2027, face a cerca de um milhão actualmente. Segundo Yuri Futy, a estratégia passa por introduzir mais locomotivas, vagões e carruagens, reforçando a capacidade e a competitividade da empresa. No primeiro semestre de 2026, o CFM transportou 450 mil passageiros; a informação divulgada pela empresa indica ainda o movimento mensal, a partir de Menongue, de cargas como granito, ferro-gusa, combustíveis e gás.

A visão de conectividade inclui também ligações futuras com os países vizinhos. A expansão da rede ferroviária para Leste e Sul, com possíveis conexões à Zâmbia e à Namíbia, é apontada como uma oportunidade para ampliar os fluxos comerciais e fortalecer a integração regional. Essa ambição depende de planeamento e investimento de longo prazo, mas mostra como uma linha ferroviária pode servir de base para uma rede económica mais ampla.

O desenvolvimento da ferrovia exige igualmente investimento nas pessoas. O CFM anunciou a formação de trabalhadores no Cuando, em áreas profissionais ligadas às necessidades da operação ferroviária, como condução de locomotivas, electricidade e mecânica. A qualificação dos quadros é parte importante da capacidade de manter, expandir e operar a infra-estrutura com segurança.

Ao participar no Angola Hub Transporte & Logística Summit 2026, o CFM integra uma conversa sobre conectividade, investimento e integração regional. Sob o tema “Conectando Mercados, Pessoas e Oportunidades”, a cimeira reúne diferentes actores do sector para discutir o futuro dos transportes e da logística em África.

A perspectiva de Yuri Futy reforça uma ideia central para esse debate: a ferrovia só cumpre plenamente o seu papel quando os resultados se fazem sentir tanto na vida das populações como na capacidade de desenvolver negócios e ligar mercados. No Sul de Angola, o Corredor do Namibe reúne esse duplo potencial — servir quem viaja hoje e criar condições para uma economia regional mais conectada.

Edição João Marcelo de Souza

- Advertisement -spot_img
- Advertisement -Buitanda

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Leia mais

Recente