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Erivalda Kiesse, da área Comercial da DHL, defende que Angola tem posição, mercado e juventude para se afirmar como plataforma regional de distribuição. O passo decisivo passa por melhor preparação exportadora, menos burocracia e mais capacidade técnica.

A exportação começa muito antes de uma mercadoria entrar num avião, navio ou camião. Começa na documentação correcta, na capacidade de cumprir requisitos legais, na embalagem, na previsibilidade de entrega e na confiança que a empresa consegue transmitir ao comprador internacional.

Este foi um dos pontos centrais da intervenção de Erivalda Kiesse, da área Comercial da DHL, no Angola Hub Transporte & Logística Summit 2026. Para a responsável, as dificuldades de exportação não se resumem a um único obstáculo. Resultam da forma como muitas empresas se preparam — ou ainda não se preparam — para colocar os seus produtos legalmente nos mercados externos.

A burocracia e os processos documentais continuam a ser um desafio. Mas representam também uma oportunidade para operadores logísticos, entidades públicas, bancos, seguradoras, câmaras de comércio e empresas de consultoria criarem soluções mais simples para as PME angolanas.

Da visibilidade regional à escala internacional

Erivalda Kiesse sublinha que as empresas nacionais precisam de ganhar presença, participar em feiras de negócio e tornar-se visíveis fora de Angola. A primeira escala deve ser regional, através da SADC, antes de avançar para mercados mais distantes.

A lógica é forte: “uma empresa que aprende a vender, distribuir e cumprir exigências na região ganha experiência, referências e confiança para chegar à África Austral, à Europa, à Ásia ou às Américas.”

Para a Revista Executivo, esta é uma agenda de parceria. A logística deve trabalhar ao lado da promoção comercial e do financiamento à exportação. Uma PME não precisa apenas de uma rota de transporte; precisa de compradores, certificação, apoio bancário, seguro de carga, informação de mercado e um parceiro que assegure que o produto chega ao destino com qualidade e dentro do prazo.

Angola como plataforma regional

Angola tem localização estratégica, costa atlântica, recursos, mercado e uma população jovem. Na visão de Erivalda Kiesse, o país dispõe de condições naturais para se tornar numa base regional de distribuição. O que falta é transformar esse potencial num plano estruturado, com infraestruturas e capacidade técnica à altura.

Isso implica ligar portos, aeroportos, armazéns, fronteiras, plataformas digitais e corredores rodoviários e ferroviários. Implica igualmente facilitar procedimentos, preparar recursos humanos e dar previsibilidade aos investidores.

A aposta numa logística moderna não serve apenas uma indústria. Serve a agroindústria que precisa de escoar alimentos, a saúde que depende de mercadorias sensíveis, o comércio electrónico, a mineração, a manufatura e o comércio em geral. Quando a cadeia logística melhora, toda a economia ganha escala.

Logística é competitividade

A DHL está em Angola há mais de duas décadas, segundo Erivalda Kiesse, e tem procurado adaptar os seus serviços às necessidades dos clientes e dos diferentes sectores. A empresa posiciona-se como facilitadora de transporte, armazenamento, despacho e entrega de carga, incluindo operações de menor porte através da DHL Express.

A mensagem para os jovens e novos empreendedores é de proximidade. O acesso a mercados internacionais já não é exclusivo das grandes empresas. Pequenos negócios, marcas digitais, criadores, comerciantes e produtores podem usar a logística para vender, importar materiais, testar mercados e construir relações comerciais além-fronteiras.

O desafio é transformar essa possibilidade em preparação real: empresas formalizadas, produtos competitivos, documentação em ordem, presença em feiras e redes de parceiros que permitam crescer.

Investir em logística é investir em todos os sectores

No Angola Hub Transporte & Logística Summit 2026, a intervenção da DHL reforçou uma ideia decisiva: logística não é apenas transporte; é uma infraestrutura de competitividade nacional.

A modernização do sector permite que um produtor de mandioca, uma empresa de medicamentos, uma marca de comércio electrónico, uma fábrica e uma operação mineira trabalhem com mais segurança, menor desperdício e melhores condições de acesso ao mercado.

Para Angola, o caminho está claro: simplificar, capacitar, ligar empresas a parceiros estratégicos e criar condições para que o país exporte mais, atraia investimento e se afirme como plataforma regional de comércio e distribuição.

Entrevistada: Erivalda Kiesse
Empresa: DHL
Cargo: Comercial

Edição João Marcelo de Souza

Tradução para o inglês

DHL: Logistics That Can Take Angolan SMEs Further

Erivalda Kiesse, from DHL’s Sales Department, argues that Angola has the strategic position, market, and young population to establish itself as a regional distribution hub. The key to success lies in better preparation for exports, less bureaucracy, and greater technical capacity.

Exporting begins long before goods are loaded onto a plane, ship, or truck. It starts with proper documentation, the ability to meet legal requirements, packaging, delivery reliability, and the confidence the company can instill in international buyers.

This was one of the central points of the presentation by Erivalda Kiesse, from DHL’s Commercial Division, at the Angola Hub Transportation & Logistics Summit 2026. According to her, the challenges of exporting are not limited to a single obstacle. They stem from the way many companies prepare—or have yet to prepare—to legally place their products in foreign markets.

Bureaucracy and documentation processes remain a challenge. But they also represent an opportunity for logistics operators, public entities, banks, insurance companies, chambers of commerce, and consulting firms to create simpler solutions for Angolan SMEs.

From Regional Visibility to the International Stage

Erivalda Kiesse emphasizes that domestic companies need to establish a presence, participate in trade fairs, and become visible outside Angola. The first step should be regional, through the SADC, before moving on to more distant markets.

The logic is sound: “A company that learns to sell, distribute, and meet requirements in the region gains the experience, track record, and confidence to reach Southern Africa, Europe, Asia, or the Americas.”

For Executivo Magazine, this is an agenda for partnership. Logistics must work hand in hand with trade promotion and export financing. An SME doesn’t just need a transportation route; it needs buyers, certification, banking support, cargo insurance, market information, and a partner who ensures the product reaches its destination on time and in good condition.

Angola as a Regional Hub

Angola boasts a strategic location, an Atlantic coastline, natural resources, a market, and a young population. In Erivalda Kiesse’s view, the country possesses the natural conditions to become a regional distribution hub. What is missing is transforming this potential into a structured plan, with infrastructure and technical capacity to match.

This involves connecting ports, airports, warehouses, borders, digital platforms, and road and rail corridors. It also involves streamlining procedures, training personnel, and providing predictability for investors.

Investing in modern logistics benefits more than just one industry. It serves the agribusiness sector, which needs to distribute food; the healthcare sector, which depends on sensitive goods; e-commerce; mining; manufacturing; and commerce in general. When the logistics chain improves, the entire economy gains scale.

Logistics Means Competitiveness

DHL has been in Angola for over two decades, according to Erivalda Kiesse, and has sought to adapt its services to the needs of customers and different sectors. The company positions itself as a facilitator of transportation, warehousing, shipping, and cargo delivery, including smaller-scale operations through DHL Express.

The message for young people and new entrepreneurs is one of accessibility. Access to international markets is no longer the exclusive domain of large companies. Small businesses, digital brands, creators, merchants, and producers can use logistics to sell, import materials, test markets, and build cross-border business relationships.

The challenge is to turn this possibility into tangible preparation: formally registered companies, competitive products, proper documentation, a presence at trade shows, and partner networks that enable growth.

Investing in logistics is investing in all sectors

At the Angola Hub Transportation & Logistics Summit 2026, DHL’s presentation reinforced a crucial idea: logistics is not just transportation; it is the infrastructure of national competitiveness.

Modernizing the sector enables a cassava producer, a pharmaceutical company, an e-commerce brand, a manufacturing plant, and a mining operation to operate more safely, with less waste, and with better market access.

For Angola, the path forward is clear: simplify, build capacity, connect companies with strategic partners, and create the conditions for the country to export more, attract investment, and establish itself as a regional hub for trade and distribution.

Interviewee: Erivalda Kiesse
Company: DHL
Position: Sales
Edited by João Marcelo de Souza

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