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Jaciara Kumandala, Diretora Comercial do Porto do Lobito, defende no Angola Hub Transporte & Logística Summit 2026 que o Corredor do Lobito já não deve ser visto como um projecto: é uma plataforma em operação, com capacidade para ligar importadores, exportadores, investidores e novos negócios à região e ao mundo.

O Corredor do Lobito deixou de ser apenas uma promessa de infraestrutura. Para o Porto do Lobito, é já uma realidade comercial: “mercadorias movimentam-se diariamente, o sistema portuário reforça a capacidade de receber navios de maior porte e novas ligações marítimas reduzem o tempo entre Angola e os grandes mercados.”

“Costuma-se dizer que o Corredor do Lobito é um projecto, mas já é uma realidade”, afirma Jaciara Kumandala.

A directora comercial do Porto do Lobito recorda que a infraestrutura é a porta de entrada e saída de mercadorias do corredor, com uma actividade que combina atendimento a navios, importação, exportação e apoio a operações turísticas.

Um porto preparado para competir

A recente dragagem do Porto do Lobito reforçou a capacidade de acolher navios de maior porte e volumes superiores de carga. Para a administração portuária, esta evolução representa uma vantagem concreta para operadores, importadores, exportadores e investidores que procuram operações mais eficientes.

O modelo adoptado é o de Porto Senhorio: “a autoridade portuária regula, fiscaliza e coordena, enquanto operadores concessionários asseguram a exploração dos terminais. O Terminal Polivalente é operado pela AGL e o Terminal Mineiro pela LAR, estrutura que combina coordenação pública, especialização operacional e participação privada.”

É neste equilíbrio que se encontra uma das grandes oportunidades do corredor: atrair capital e competências sem perder a visão integrada da infraestrutura pública.

Menos tempo, mais competitividade

Jaciara Kumandala destacou uma ligação marítima directa entre a Ásia e o Lobito como uma novidade com impacto imediato para empresários. Segundo a directora, uma rota que poderia demorar cerca de 60 dias pode ser reduzida para aproximadamente 30 dias quando não há escalas intermédias.

A operação directa África–Ásia, associada a um navio com capacidade para 8.800 contentores, reforça a ambição do Lobito de se afirmar como plataforma internacional.

Para quem importa equipamentos, matérias-primas ou bens de consumo, cortar o tempo de trânsito pode reduzir capital imobilizado em mercadoria, melhorar a reposição de stock e aumentar a previsibilidade do negócio. Para quem exporta, significa maior capacidade para responder a compradores internacionais que exigem cumprimento de prazos e regularidade logística.

Mais do que minério: um corredor produtivo

A carga mineira continuará a ter peso no Corredor do Lobito. Mas a visão apresentada pela directora comercial vai além desse activo. As províncias servidas pelo corredor têm potencial agrícola e podem gerar novas cadeias de valor em agro-negócio, transformação, armazenamento, frio, distribuição, comércio e serviços.

É aqui que o corredor pode ganhar profundidade económica: não apenas escoar recursos, mas criar negócios ao longo da sua rota. Explorações agrícolas, pequenas indústrias, lojas, plataformas logísticas, serviços de apoio, turismo e empresas de manutenção podem beneficiar de uma ligação mais rápida aos mercados.

A mensagem aos jovens e empresários é directa: há oportunidades identificáveis, mas é preciso entrar no mercado, estruturar propostas e assumir o risco de construir.

Próximos investimentos: turismo e cabotagem

O Porto do Lobito tem ainda em perspectiva um terminal de passageiros, para apoiar o turismo no município e na região, e um terminal de cabotagem, que poderá reforçar a circulação costeira de mercadorias e passageiros em Angola.

São projectos com potencial para mobilizar parceiros especializados, financiamento estruturado e novos operadores. Se bem articulados com o corredor ferroviário, os terminais e a economia local, podem criar emprego, dinamizar serviços e tornar o Lobito uma plataforma mais completa.

O desafio agora não é provar que o Corredor do Lobito existe. É garantir que a sua expansão beneficia empresas angolanas, atrai investimento produtivo, abre espaço para parceiros internacionais e cria novas rotas de exportação para a agricultura, a indústria e os serviços.

Entrevistada: Jaciara Kumandala
Cargo: Diretora Comercial, Marketing e Coordenação de Tráfego do Porto do Lobito.

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