Na Angola Oil & Gas 2026, António Clemente apresentou uma solução tecnológica concebida para apoiar decisões mais rápidas, reforçar a segurança operacional e reduzir os riscos associados a incêndios em instalações industriais e infra-estruturas críticas.
Luanda — A ITGest Angola está a aplicar inteligência artificial, análise de dados e tecnologias de monitorização na detecção, prevenção e resposta a incêndios. A solução disponibiliza às equipas operacionais informação relevante em tempo quase real, contribuindo para uma actuação mais rápida, coordenada e eficaz em situações de emergência.
Em declarações à Revista Executivo, António Clemente, Consultor de Tecnologia da ITGest Angola, destacou a utilização de um algoritmo baseado em inteligência artificial, concebido para orientar as equipas durante ocorrências de incêndio e apoiar os processos de decisão relacionados com a prevenção e o combate ao fogo.
Segundo o responsável, a tecnologia permite transformar grandes volumes de informação operacional em conhecimento útil para a tomada de decisões. Desta forma, as equipas podem avaliar uma ocorrência com maior rapidez, compreender a sua evolução e definir as medidas de resposta mais adequadas, reduzindo o tempo entre a detecção do incidente e a intervenção no terreno.
Tecnologia para antecipar riscos e proteger operações
A solução integra o Bee2Fire, uma plataforma desenvolvida pela ITGest para a detecção de incêndios florestais e industriais. O sistema processa informação proveniente de câmaras ópticas e térmicas, dados meteorológicos e outros sensores, permitindo identificar ocorrências quase em tempo real, avaliar os níveis de risco e estimar a possível propagação do fogo.
A combinação destas diferentes fontes de informação constitui uma vantagem importante para os operadores. Para além de identificar sinais de incêndio, a plataforma pode contribuir para uma leitura mais abrangente do cenário, considerando factores como a temperatura, a direcção e a intensidade do vento, a humidade e as características da área afectada.
Num contexto em que a segurança operacional é um dos principais factores de sustentabilidade e competitividade, o acesso a informação atempada pode fazer a diferença entre uma ocorrência controlada e um incidente com consequências significativas para as pessoas, os activos e a continuidade do negócio.
A solução pode ser particularmente relevante para instalações petrolíferas, áreas industriais, zonas de mineração, terminais logísticos e outras infra-estruturas críticas. Nestes sectores, a rapidez da resposta é determinante para proteger trabalhadores, equipamentos, operações, comunidades envolventes e o ambiente.
A aplicação de inteligência artificial à gestão de riscos representa, assim, uma mudança importante na forma como as empresas podem preparar-se para situações de emergência. Em vez de depender exclusivamente de intervenções reactivas, as organizações passam a dispor de ferramentas capazes de apoiar uma abordagem mais preventiva, baseada em dados e em modelos de análise de risco.
Transformação digital como prioridade empresarial
A apresentação da solução ocorreu no âmbito da participação da ITGest na Angola Oil & Gas 2026, um dos principais espaços de debate e negócios ligados ao sector energético nacional. A presença da empresa no evento permitiu demonstrar como a transformação digital está a ganhar relevância na modernização das operações e no reforço dos padrões de segurança da indústria.
Para os executivos e gestores angolanos, a adopção destas tecnologias está directamente relacionada com a eficiência, a continuidade operacional e a capacidade de reduzir perdas. Num ambiente empresarial cada vez mais exigente, investir em sistemas inteligentes de monitorização e prevenção pode contribuir para melhorar a resposta a incidentes, optimizar recursos e fortalecer a resiliência das organizações.
A utilização de inteligência artificial não substitui a experiência das equipas técnicas e operacionais. Pelo contrário, procura reforçar a sua capacidade de análise e intervenção, disponibilizando informação organizada e actualizada no momento em que as decisões precisam de ser tomadas.
Durante a entrevista, a Revista Executivo propôs à ITGest a criação de uma rubrica dedicada à tecnologia e à energia, com artigos produzidos por jovens engenheiros angolanos sobre as soluções digitais que estão a transformar o sector.
A proposta pretende criar uma plataforma de conhecimento e partilha de experiências, aproximando a inovação tecnológica das empresas e dos profissionais angolanos. A iniciativa poderá igualmente contribuir para dar maior visibilidade ao trabalho desenvolvido por jovens especialistas nacionais e estimular o interesse pelas áreas de engenharia, ciência de dados, inteligência artificial e segurança industrial.
António Clemente manifestou disponibilidade para que a empresa avalie a proposta, esclarecendo, contudo, que as parcerias apresentadas à ITGest são analisadas internamente antes de qualquer decisão.
A importância da formação contínua
Aos jovens angolanos que pretendem construir uma carreira no sector tecnológico, António Clemente deixou uma mensagem centrada na aprendizagem permanente, na inovação e na capacidade de acompanhar uma indústria em rápida transformação:
“Continuar a estudar, continuar a inovar e não se deixar ficar para trás.”
A mensagem ganha particular relevância num momento em que as empresas procuram profissionais capazes de combinar conhecimentos técnicos, visão estratégica e capacidade de adaptação. A evolução da inteligência artificial, da automação, da análise de dados e da computação em nuvem está a alterar os perfis profissionais exigidos pelo mercado e a criar novas oportunidades para os jovens angolanos.
Para as empresas, esta realidade reforça a necessidade de investir não apenas em tecnologia, mas também na formação e valorização do capital humano. A inovação tecnológica só produz resultados sustentáveis quando é acompanhada por equipas preparadas para interpretar dados, utilizar novas ferramentas e integrar soluções digitais nos processos de negócio.
Segurança e inovação no futuro da energia
A participação da ITGest na Angola Oil & Gas 2026 evidencia o crescente papel da inteligência artificial, da análise de dados e da transformação digital na segurança e eficiência das operações energéticas angolanas.
Ao aplicar estas tecnologias à detecção e resposta a incêndios, a empresa demonstra como a inovação pode responder a desafios concretos da indústria e apoiar uma gestão mais preventiva dos riscos. Para o sector petrolífero, mineiro e industrial, esta capacidade representa uma oportunidade para elevar os padrões de segurança, proteger activos estratégicos e assegurar maior continuidade das operações.
Num país com importantes recursos energéticos e industriais, soluções desta natureza podem desempenhar um papel decisivo na construção de operações mais seguras, eficientes e sustentáveis. A tecnologia deixa, assim, de ser apenas um instrumento de modernização e passa a assumir-se como um componente essencial da estratégia empresarial e da protecção das infra-estruturas críticas nacionais.
Edição: João Marcelo de Souza


