Sexta-feira, Setembro 25, 2026

Manuel Vitorino Sumbula no AEF: “A integração económica precisa de empresas fortes e diálogo permanente com o Executivo”

Coordenador do Grupo Técnico Empresarial e Presidente da Associação das Indústrias de Bebidas de Angola leva ao AEF a visão de um sector privado que quer produzir, competir e crescer com previsibilidade.

A integração económica de Angola na região exige mais do que acordos e discursos. Exige empresas capazes de produzir, exportar, criar empregos e competir num mercado cada vez mais aberto.

Esta é uma das ideias que ganha força com a participação de Manuel Vitorino Sumbula, Coordenador do Grupo Técnico Empresarial (GTE) e Presidente da Associação das Indústrias de Bebidas de Angola (AIBA), no Angola Economic Forum 2026.

No AEF, Manuel Vitorino Sumbula integra o painel dedicado aos impactos económicos, comerciais, fiscais e industriais da adesão de Angola à Zona de Comércio Livre da SADC. O debate coloca em primeiro plano a competitividade da produção nacional e a expansão das exportações angolanas.

GTE: uma ponte entre empresas e Estado

O Grupo Técnico Empresarial é uma plataforma de diálogo entre o Executivo e o tecido empresarial angolano. Reúne associações empresariais e especialistas de diferentes áreas, procurando transformar as dificuldades enfrentadas pelas empresas em propostas concretas para a economia nacional.

Ao assumir a coordenação do GTE, Manuel Sumbula recebeu uma responsabilidade importante: reforçar a voz organizada do sector privado junto das instituições públicas e contribuir para um ambiente económico mais favorável ao investimento.

Este diálogo é decisivo. Quem produz em Angola conhece directamente os obstáculos que condicionam a competitividade: custos de energia e logística, burocracia, acesso ao crédito, disponibilidade de divisas, fiscalidade, formação de mão-de-obra e concorrência de produtos importados.

A função de uma plataforma como o GTE é ajudar a transformar esses problemas em soluções técnicas, práticas e sustentáveis.

Empresas fortes são parte da solução

A actividade industrial, a agricultura, a transformação de matérias-primas, a distribuição, a logística e os serviços são os sectores que podem criar emprego em escala, gerar receitas fiscais e reduzir a dependência das importações.

“Não haverá diversificação económica real sem empresas nacionais fortes.”

Mas para que isto aconteça, as empresas precisam de previsibilidade. Precisam de saber quais são as regras, quanto custa produzir, como aceder ao financiamento e que condições existem para exportar.

“O sector privado não pede apenas apoio. Pede condições para competir.”

Quando uma empresa investe, forma quadros, compra produção local e cria empregos, está também a participar na solução dos desafios económicos e sociais do país. A relação entre Estado e empresas deve, por isso, deixar de ser ocasional e passar a ser estratégica.

AIBA e o valor da indústria de bebidas

Como Presidente da Associação das Indústrias de Bebidas de Angola, Manuel Vitorino Sumbula acompanha igualmente um sector que tem impacto directo na indústria, na agricultura, na distribuição e no emprego.

A AIBA foi criada para reforçar o apoio ao sector das bebidas em Angola e representa empresas que dependem de cadeias de fornecimento, capacidade industrial, logística e mão-de-obra qualificada.

A indústria de bebidas mostra bem como a produção local pode criar efeitos em cadeia: embalagens, transporte, agricultura, serviços, comércio, marketing, manutenção industrial e emprego jovem.

O crescimento deste tipo de indústria exige políticas estáveis, incentivos à produção local e uma visão que valorize a transformação em Angola, em vez da simples importação de produtos acabados.

Integração regional: oportunidade e exigência

A Zona de Comércio Livre da SADC representa uma oportunidade concreta para as empresas angolanas. Um mercado regional maior pode abrir portas para exportações, parcerias e novos investimentos.

“Mas a abertura comercial também aumenta a concorrência.”

Por isso, Angola precisa de preparar o seu sector produtivo. Não basta facilitar a entrada em novos mercados; é preciso garantir que as empresas nacionais consigam apresentar qualidade, preço, escala e regularidade.

A integração regional será positiva se ajudar Angola a:

  • aumentar as exportações não petrolíferas;
  • diversificar a produção;
  • criar cadeias de valor regionais;
  • reduzir custos de transporte e de fronteira;
  • reforçar a indústria local;
  • gerar empregos para a juventude;
  • atrair investimento produtivo.

Emprego jovem e responsabilidade empresarial

A participação das empresas na formação e na empregabilidade é outro eixo relevante da visão defendida por Manuel Vitorino Sumbula. A AIBA esteve associada ao Programa de Acção para a Promoção da Empregabilidade, reforçando a importância dos estágios profissionais como porta de entrada para jovens no mercado de trabalho.

A formação em contexto de trabalho aproxima os jovens das necessidades reais das empresas e ajuda a responder a um dos maiores desafios nacionais: transformar a população jovem numa força produtiva qualificada.

O investimento privado deve ser visto não apenas pelos números financeiros, mas também pelo seu impacto social: empregos, competências, inovação e oportunidades.

Uma agenda comum para Angola

No AEF 2026, Manuel Vitorino Sumbula representa a voz de um empresariado que quer participar activamente na construção de soluções para Angola.

A mensagem é clara: o país precisa de um sector privado mais organizado, produtivo e competitivo; e precisa de um Estado que escute, dialogue e crie condições para quem investe e produz.

A integração regional, a industrialização e o emprego não são temas separados. Fazem parte da mesma agenda: produzir mais em Angola, exportar mais a partir de Angola e criar mais oportunidades para os angolanos.

- Advertisement -spot_img
- Advertisement -Buitanda

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Leia mais

Recente