Num território marcado pela escassez de água e pelos efeitos recorrentes da seca, a recuperação das pequenas barragens assume um papel estratégico para o futuro económico e social do Namibe. A empreitada, que abrange 43 represas de retenção e pequenas barragens, já atingiu 74,33% de execução física.
REVISTA EXECUTIVO | NAMIBE
A água tornou-se uma das principais questões estratégicas para o desenvolvimento do sul de Angola. No Namibe, onde a irregularidade das chuvas condiciona a actividade agrícola, a pecuária e a disponibilidade de água para as comunidades, a recuperação das infra-estruturas de retenção surge como uma resposta concreta aos efeitos da seca.
É neste contexto que está em curso a Empreitada de Recuperação e Desassoreamento de 43 Represas de Retenção e Pequenas Barragens, uma iniciativa do Ministério da Energia e Águas, enquadrada nas acções de recuperação e reforço das infra-estruturas de retenção de água em diferentes regiões do país.
Na província do Namibe, as intervenções abrangem os municípios da Bibala, Camucuio, Cacimbas, Sacomar, Lucira e Virei, zonas onde a disponibilidade e a gestão dos recursos hídricos assumem particular importância.
Recuperar capacidade, garantir retenção

Mais do que retirar sedimentos acumulados ao longo dos anos, a empreitada procura devolver às infra-estruturas a capacidade para a qual foram concebidas.
O desassoreamento das albufeiras permite recuperar o volume útil de armazenamento, enquanto a intervenção nas estruturas das barragens procura melhorar a sua estabilidade e segurança.
Os trabalhos incluem ainda o tratamento e estabilização de taludes, com o objectivo de reduzir processos de erosão e prevenir deslizamentos. Paralelamente, estão previstas intervenções em canais, descargas, valas e sistemas de drenagem, componentes fundamentais para o funcionamento adequado das infra-estruturas hidráulicas.
A combinação destas intervenções procura criar condições para que as pequenas barragens possam desempenhar novamente um papel relevante na retenção e gestão da água, sobretudo durante os períodos de maior escassez.
Infra-estruturas com impacto no território

No contexto do Namibe, o significado destas obras ultrapassa a dimensão puramente hidráulica. A existência de pontos de retenção de água pode contribuir para fortalecer actividades económicas dependentes dos recursos hídricos, particularmente a agricultura e a pecuária.
A recuperação destas infra-estruturas insere-se, assim, numa visão mais ampla de resiliência territorial, procurando reduzir a vulnerabilidade das comunidades perante ciclos prolongados de seca.
Para uma província que procura diversificar a sua economia e ampliar a produção agrícola, a gestão eficiente da água representa uma condição essencial. A capacidade de armazenar água durante os períodos de precipitação pode fazer a diferença na disponibilidade de recursos durante os meses mais secos.
Uma empreitada em fase avançada
Os trabalhos apresentam actualmente uma execução física global de 74,33%, indicador que coloca a empreitada numa fase avançada de implementação.
O desafio passa agora pela conclusão das intervenções previstas e pela garantia de que as infra-estruturas recuperadas possam manter a sua capacidade operacional ao longo do tempo.
A recuperação das 43 pequenas barragens representa, neste sentido, mais do que uma obra de engenharia. É parte de uma estratégia de adaptação a um território onde a água é um recurso determinante para a permanência das populações, para a produção e para a criação de novas oportunidades económicas.
No Namibe, recuperar barragens é, em última análise, recuperar capacidade de armazenar água, proteger comunidades e criar condições para que o território possa enfrentar a seca com maior preparação e resiliência.
Por: Adilson Abel Liapupula
Edição: João Marcelo de Souza


