Bruna Pereira, Diretora Comercial e de Marketing da Bestfly, defende que a aviação privada deve ser entendida não como luxo, mas como uma solução de mobilidade que reduz distâncias, acelera decisões e aproxima empresas, investidores e províncias.
Num país de escala continental, tempo é uma variável económica. Uma reunião que exige dias de deslocação por estrada pode, em certos casos, ser resolvida num único dia. Uma equipa técnica pode chegar a uma operação remota, uma peça crítica pode ser entregue com urgência e um investidor pode visitar diferentes activos sem perder semanas em trânsito.
É nesta perspectiva que Bruna Pereira enquadra a participação da Bestfly no Angola Hub Transporte & Logística Summit 2026: a aviação executiva como uma peça complementar da cadeia logística angolana.
“A aviação executiva deve ser entendida como uma ferramenta de produtividade”, afirma.
Para a directora comercial, a flexibilidade de chegar onde o cliente precisa, realizar várias reuniões no mesmo dia e regressar rapidamente torna o transporte aéreo privado uma solução de negócio — dentro e fora de Angola.
Reduzir distâncias para criar oportunidades
A Bestfly procura, segundo Bruna Pereira, ouvir o mercado, aproximar-se de operadores logísticos e instituições e transformar ligações em soluções concretas de mobilidade segura, eficiente e adaptada a cada actividade.
Esta capacidade é especialmente relevante em regiões onde as infraestruturas rodoviárias ainda tornam certas deslocações demoradas ou difíceis. A aviação pode apoiar actividade empresarial, turismo, equipas técnicas, serviços essenciais e, quando o tempo é decisivo, o transporte de medicamentos, peças críticas e outros bens urgentes.
A responsável sublinha, porém, que a aviação não substitui os outros modos de transporte. Deve funcionar em complementaridade com ferrovia, rodovia e transporte marítimo, ajudando a construir uma cadeia logística mais eficiente e integrada.
Conectividade regional com impacto comercial
A Bestfly vê espaço para reforçar a ligação de Angola a outros mercados africanos através de soluções de transporte aéreo ajustadas às necessidades reais de empresas e instituições.
A possibilidade de ligar directamente cidades próximas, sem depender de rotas indirectas por outros países, pode reduzir custos de oportunidade, acelerar negócios e facilitar a circulação de decisores. Para investidores, essa agilidade significa maior capacidade de acompanhar projectos, visitar activos produtivos, negociar com parceiros e tomar decisões com informação directa.
A aviação executiva pode também ajudar a distribuir oportunidades para além de Luanda. Quando empresários, técnicos, investidores e serviços chegam mais facilmente às províncias, cresce a possibilidade de desenvolver turismo, agricultura, mineração, energia, indústria e comércio local.
O desafio é criar um ecossistema
Bruna Pereira reconhece que o crescimento da aviação privada em Angola enfrenta custos operacionais elevados, limitações de infraestruturas e serviços de apoio, necessidade de profissionais especializados e procura consistente que sustente o investimento.
A resposta, defende, passa por compreender cada cliente, desenhar soluções à medida, manter o foco na segurança, qualidade de serviço e eficiência operacional.
Para a Revista Executivo, esta é uma agenda que exige parceiros: “aeroportos, operadores de handling, empresas de manutenção, instituições de formação, seguradoras, bancos, investidores e entidades reguladoras. Sem este ecossistema, a mobilidade aérea continuará cara e limitada. Com ele, pode tornar-se uma alavanca de competitividade nacional.”
A Bestfly apresenta-se como uma empresa angolana de aviação executiva, charter, gestão de aeronaves e apoio em terra, com soluções globais e padrões internacionais de segurança.
Formação antes do investimento
A mensagem final de Bruna Pereira aos jovens é pragmática: “antes de empreender ou investir na aviação, é preciso formar-se.”
A aviação é uma indústria exigente em segurança, conhecimento técnico e responsabilidade. Angola precisa de mais jovens com competências adequadas para responder às necessidades do mercado, criar negócios sustentáveis e ocupar posições qualificadas.
Nesta visão, a formação não é uma etapa secundária. É a base para que a aviação privada, a logística e o investimento possam crescer com consistência, confiança e impacto real na economia angolana.
Entrevistada: Bruna Pereira
Empresa: Bestfly
Cargo: Diretora Comercial e de Marketing
Edição João Marcelo de Souza


