Sábado, Setembro 26, 2026

Kátila Vanessa Neto no AEF: Porto do Lobito consolida-se como porta de Angola para a região e para o mundo

Administradora Executiva do Porto do Lobito destaca a importância das infra-estruturas, da logística e das novas rotas marítimas para a competitividade da economia angolana.

O futuro económico de Angola passa necessariamente pelos seus portos. É nos portos que a produção nacional encontra os mercados, que as importações entram no país e que os grandes corredores logísticos ganham escala regional.

No Angola Economic Forum 2026, Kátila Vanessa Neto, Administradora Executiva do Porto do Lobito, leva ao debate uma perspectiva directamente ligada à competitividade nacional: como transformar infra-estruturas e logística em oportunidades concretas de comércio, investimento e desenvolvimento.

Licenciada em Gestão de Empresas, Kátila Vanessa Monteiro da Silva Neto construiu o seu percurso no Porto do Lobito, onde dirigiu o Gabinete de Estudos, Planeamento e Estatística e, posteriormente, as áreas comercial e de marketing. Actualmente, exerce funções executivas nas áreas Comercial, Marketing, Concessões e Sustentabilidade.

O Porto do Lobito é mais do que uma infra-estrutura portuária

O Porto do Lobito ocupa uma posição estratégica na costa atlântica de Angola e na ligação entre a África Austral, os mercados internacionais e os países do interior do continente.

A sua relevância não se resume à movimentação de cargas. O Porto representa uma plataforma para a industrialização, a exportação, a logística integrada, a criação de empregos e a atracção de investimento.

Quando um porto funciona com eficiência, reduz-se o custo de transportar produtos, aumentam-se as possibilidades de exportação e reforça-se a capacidade de atrair empresas ligadas à transformação, distribuição, armazenamento e serviços logísticos.

O Porto do Lobito tem vindo a afirmar-se como elo de ligação entre a África Austral e os mercados internacionais, estando aberto ao investimento empresarial no âmbito do Corredor do Lobito.

Corredor do Lobito: uma oportunidade que começa no porto

O Corredor do Lobito é uma das maiores oportunidades logísticas e económicas de Angola. A sua força depende da articulação entre porto, caminho-de-ferro, estradas, fronteiras, plataformas logísticas, indústria e empresas exportadoras.

“A visão deve ser clara: não basta transportar mercadorias. É necessário criar valor ao longo do percurso.”

O corredor pode impulsionar:

  • exportações agrícolas e industriais;
  • acesso a mercados da África Austral;
  • actividade mineira e transformação local;
  • instalação de armazéns e plataformas logísticas;
  • emprego técnico e qualificado;
  • crescimento das cidades ligadas à ferrovia;
  • investimento privado nacional e internacional.

O Porto do Lobito pode funcionar como a porta de entrada e saída de uma economia mais integrada, desde que as ligações terrestres e ferroviárias sejam acompanhadas por produção nacional e eficiência operacional.

Nova rota África–Ásia reforça ambição internacional

Em Janeiro de 2026, o Porto do Lobito registou uma escala histórica com a inauguração de uma rota marítima directa entre África e Ásia. A nova ligação representa uma evolução importante para os exportadores, ao permitir reduzir tempos de trânsito e custos logísticos.

Para Angola, esta conquista tem significado estratégico. Significa que os produtos angolanos podem chegar a mercados mais distantes com maior competitividade. Significa também que o Lobito pode consolidar-se como hub regional, capaz de receber, organizar e redistribuir cargas para diferentes destinos.

A logística passou a ser uma vantagem competitiva. Um país que exporta com rapidez, segurança e custos previsíveis consegue atrair mais investimento e criar melhores condições para as suas empresas.

Concessões e parceria com o sector privado

A dinamização do Porto do Lobito exige cooperação entre Estado, operadores, investidores e empresas privadas.

A negociação de concessões para infra-estruturas ligadas ao sector petrolífero, envolvendo o Porto do Lobito e a Sonangol, demonstra a importância de criar soluções capazes de reforçar a actividade portuária, energética e logística na região.

As concessões bem estruturadas podem atrair capital, conhecimento técnico e novas actividades económicas. O essencial é que contribuam para uma economia mais eficiente, maior capacidade operacional e benefícios para o tecido empresarial nacional.

Logística como instrumento de desenvolvimento

A grande transformação não acontece apenas dentro dos terminais portuários. Acontece quando o porto se liga ao produtor agrícola, à fábrica, ao transportador, ao exportador e ao consumidor final.

Por isso, a logística deve ser tratada como uma política de desenvolvimento.

Um produtor do Huambo, da Huíla, do Moxico, do Bié ou do Leste só consegue vender para o exterior se tiver uma rota eficiente até ao porto. Uma indústria só será competitiva se puder receber matérias-primas e enviar produtos acabados sem custos excessivos ou atrasos.

“O Porto do Lobito é, assim, uma peça central numa visão de Angola mais produtiva, exportadora e integrada.”

A mensagem de Kátila Vanessa Neto

A presença de Kátila Vanessa Neto no AEF reforça que a agenda económica angolana precisa de colocar as infra-estruturas e a logística no centro do debate.

O Porto do Lobito não representa apenas o Lobito. Representa uma oportunidade nacional e regional: ligar Angola aos mercados, apoiar empresas, facilitar exportações e criar uma nova dinâmica de crescimento.

O desafio agora é transformar essa capacidade logística em mais produção, mais comércio, mais emprego e mais oportunidades para Angola.

Edição João Marcelo de Souza

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