CANA-DE-AÇÚCAR O NOVO CICLO DE VALOR QUE O NAMIBE QUER CONSTRUIR
Campanha lançada no Sacomar pretende transformar uma cultura agrícola numa cadeia integrada de produção, indústrial e geração de emprego, tendo como horizonte o abastecimento da primeira destilaria da província.
O Namibe começa a desenhar uma nova frente de diversificação económica. No Sacomar, uma área inicial de 10 hectares tornou-se o ponto de partida para uma campanha massiva de plantação de cana-de-açúcar, lançada a 18 de Setembro pelo Governador Provincial, Archer Mangueira.
Promovida pela empresa Kanhome Eventos a iniciativa nasce com uma ambição que ultrapassa em caminhar junto com a agricultura. A aposta está em criar uma cadeia de valor capaz de ligar a produção no campo à transformação industrial, gerar oportunidades de negócio e criar novas fontes de rendimento para família Camponesas cooperativas e agricultores
A campanha mobiliza jovens associados em cooperativas, empreendedores, académicos e membros da comunidade, procurando criar uma base produtiva que permita sustentar, no futuro, diferentes actividades de transformação associadas à cana-de-açúcar.
Do campo para a indústria

O projecto ganha particular relevância pela possibilidade de fornecer matéria-prima à primeira destilaria da província. A criação desta ligação entre agricultura e indústria poderá abrir espaço para uma cadeia produtiva mais ampla, na qual o produtor deixa de estar isolado do processo de transformação e passa a integrar uma dinâmica económica de maior valor acrescentado.
Na perspectiva do Governador Provincial, o sucesso da iniciativa não deverá ser medido apenas pela extensão da área plantada. O indicador central estará na capacidade de transformar produção agrícola em rendimento para as famílias, emprego, fortalecimento das cooperativas e novas actividades económicas.
A visão pressupõe, por isso, uma participação coordenada de diferentes actores. Instituições públicas, empresa promotora, agricultores individuais, cooperativas, famílias produtoras e instituições financeiras são chamados a desempenhar um papel na consolidação do projecto.
A ambição é igualmente territorial. A campanha deverá ultrapassar os limites do Sacomar e alcançar outras zonas do Namibe que apresentem condições adequadas para a cultura, podendo, numa fase posterior, envolver produtores de outras províncias da região Sul.
Uma planta, várias oportunidades

A cana-de-açúcar apresenta uma característica particularmente relevante para uma economia que procura maximizar recursos: praticamente toda a planta pode ser aproveitada.
O açúcar constitui apenas uma das possibilidades. O melaço, a rapadura e o etanol representam outras oportunidades de transformação, enquanto o bagaço pode ser destinado à produção de energia, ao fabrico de papel e à fertilização dos solos.
Esta capacidade de aproveitamento cria espaço para diferentes modelos de negócio e permite pensar a cultura não apenas como produto agrícola, mas como matéria-prima para uma cadeia industrial diversificada.
É nesta perspectiva que a iniciativa do Namibe pode ganhar dimensão económica: quanto maior for a capacidade de articular produção, processamento, comercialização e financiamento, maior poderá ser o valor gerado dentro da própria cadeia.
Juventude no centro da produção

Outro elemento estratégico da campanha é a participação de jovens. Ao envolver empreendedores, cooperativas e académicos, o projecto procura aproximar uma nova geração da actividade produtiva e criar oportunidades para além do emprego tradicional.
A organização em cooperativas poderá igualmente permitir maior capacidade de negociação, acesso a financiamento, aquisição de factores de produção e integração em cadeias de comercialização.
Para o Namibe, onde a diversificação económica constitui uma das grandes prioridades, a expansão desta cultura poderá representar uma oportunidade para aproximar agricultura e empreendedorismo, criando uma plataforma para pequenos e médios produtores.
O desafio está na escala
O lançamento dos primeiros 10 hectares é, essencialmente, um ponto de partida. O verdadeiro teste estará na capacidade de transformar a experiência inicial num modelo produtivo sustentável, tecnicamente eficiente e economicamente viável.
Será necessário garantir produtividade, assistência técnica, acesso a financiamento, infra-estruturas, mercado e capacidade de transformação. A existência de matéria-prima em quantidade suficiente será igualmente determinante para assegurar a sustentabilidade das unidades industriais associadas ao projecto.
A consolidação desta cadeia dependerá, portanto, menos do entusiasmo em torno da campanha e mais da capacidade de estruturar uma relação permanente entre produtores, indústria, Estado e financiamento.
Uma aposta que pode redesenhar oportunidades

O lançamento da campanha de plantação de cana-de-açúcar coloca o Namibe perante uma oportunidade que combina agricultura, indústria e empreendedorismo.
Se a produção conseguir ganhar escala e estabelecer uma ligação consistente com a transformação industrial, a cana-de-açúcar poderá tornar-se mais do que uma cultura agrícola. Poderá constituir uma nova plataforma de geração de rendimento, emprego e investimento.
Do Sacomar poderá nascer, assim, uma cadeia produtiva com capacidade para atravessar vários sectores da economia provincial. O desafio está lançado: transformar 10 hectares de produção inicial numa actividade económica estruturada, capaz de criar valor no campo e multiplicá-lo na indústria.
Por Adilson Abel Liapupula
Edição João Marcelo de Souza


